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Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

02 Abr, 2012

(...)

Não me apetece falar da chuva ou do sol. Do vento das eólicas ou do vento da indiferença. Da extensa costa marítima ou do seu ínfimo aproveitamento. Do discurso da inevitabilidade ou resignação evitável. Do empobrecimento de muitos ou do enriquecimento de cada vez menos. Da arrogância do PSD ou da inexistência do PS. Da reposição do exame da quarta classe ou do fim das novas oportunidades. Dos loucos dos manicómios ou do manicómio de loucos a brincar aos governos. Não me apetece indagar se são loucas as criaturas que falam sozinhos ou com fios enfiados nos ouvidos.

 

Não me apetece escrever sobre alegrias ou angústias, sobre encontros e desencontros, amores e desamores, terras e gentes, leituras e escritores, livrarias e livros, poesia e poetas. Não me apetece saber porque tecla tão furiosamente no computador uma jovem no átrio de um hotel ocasional de tal modo que nem dá pela minha presença, teclando sem me apetecer. Não me apetece interrogar-me porque me abandona a jovem ao meu solitário "teclanço"  enquanto me olha (finalmente) de soslaio. Não me apetece  descobrir porque empurra freneticamente à minha volta , a criancinha loura, um helicóptero de brincar que risca a minha paciência.

 

Não me apetece pensar porque começou esta treta de mundo. Não me apetece questionar os visionários que decretam o seu fim num ciclo de eterno reorno. Não me apetece reflectir sobre a invenção da escrita, da história, da filosofia, da matemática...não me apetece raciocinar sobre a utilidade do raciocínio...não me apetece...

 

Não me apetece saber porque escrevo. Simplesmente não me apetece!!!

 

((parêntesis))

 (MG)

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