Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

Nação valente, ao sul

Odeleite Cabeça do dragão azul

22 Jun, 2011

Carrossel da vida

anamoradadewittgenstein.blogspot.com

 

Nas feiras da minha infância havia sempre um carrossel. Ciclicamente, todos os anos, voltava com a mesma alegria, emitindo pela roufenha instalação sonora canções em voga.

 

Começou oficialmente o verão, que como os carrosséis da época de todos os sonhos, volta impreterivelmente todos ano após ano no solstício de verão. A estação estival, transporta consigo a luz que nos liberta dos soturnos dias invernosos, frios, escuros, breves. Dá-nos sensações de plenitude, de libertação, de renascimento. É tempo de férias, de soltar as carnes oprimidas das amarras do pudico vestuário. É tempo de nudez controlada, de plasmar o corpo na cálidas praias, absorvendo sofregamente os raios solares. É tempo de libertar o espírito da depressão nórdica, da caverna platónica e mergulhar na realidade irreal de mundo ideal.

 

O mundo ideal da irrealidade que o verão expressa é leve, breve e volátil, Passa ao ritmo da estadia das andorinhas, mas cria a ilusão que é eterno porque volta sempre com pontualidade britânica. Um após outro, num ciclo de infinitude, o verão é o carrossel da vida: "nova corrida, nova viagem".

No sobe e desce, na lufa, lufa, no rodar vertiginoso, distrai-nos da marcha natural do tempo, de que só nos apercebemos quando um dia olhamos o espelho e a notamos cravada nas rugas que cavam o rosto. E o carrossel continua imparável:"nova corrida , nova viagem", a vida é uma miragem, a vida é uma passagem para outra margem.

 

MG

 

 

 

Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.