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O Presidente da República Portuguesa indigitou Pedro Passos Coelho para formar governo. Cumpriu o preceito constitucional, assente na tradição. Nada a assinalar, mesmo tendo em conta que a coligação não conseguiu apoio a nível parlamentar para formar governo. A responsabilidade está agora na mão de todos os deputados eleitos, democraticamente, pelo povo. Feito o acto de indigitação, o senhor Presidente, devia remeter-se ao silêncio para que a democracia pudesse funcionar. Teria exercido o seu papel de árbitro isento e equidistante. Não foi assim que resolveu proceder.

Cavaco Silva, dentro da linha a que nos habituou, preferiu ultrapassar as suas competências e determinar quem pode, ou quem não pode, fazer parte do governo de Portugal. À partida decidiu, no seu discurso, marginalizar três partidos, BE, PCP e Verdes, de qualquer solução governativa. De uma penada afrontou um milhão de votantes.Convém lembrar que não tem esse poder constitucional. Convém acentuar que tal decisão é política e eticamente inaceitável. Convém dizer que considero tal posição uma manifestação de autocracia só comparável com o discurso de Vasco Gonçalves, em Almada, num contexto de grande revolucionarismo.

Para este Presidente aplica-se, com propriedade, a afirmação de George Orwell, de que todos os homens são iguais, mas alguns são mais iguais que outros. E neste caso, na interpretação de Cavaco, há votos que valem mais que outros. Com esta atitude, sectária, está a contribuir para a instabilidade, em nome da sua estabilidade, e em consequência para a ingovernabilidade do país. Espero que na sua mente não esteja a germinar o exemplo do "Triunfo dos Porcos".

MG

 

 

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