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Habituem-se

por Naçao Valente, em 24.11.15

A indigitação de António Costa foi tirada a ferros. O doutor Cavaco não o queria indigitar, nem com molho de tomate. Mas, com poderes reduzidos,  teve que o fazer. E não se pode queixar. Foi ele que ajudou a criar a situação ao protelar eleições até ao limite. Apesar disso merece um louvor, porque por portas e travessas ajudou a quebrar dois tabus.

O primeiro tabu que caiu, com estrondo, foi o de que as eleições servem para eleger um governo. Totalmente falso. De facto, sempre assim foi por forças da circunstâncias. O que se está a passar serve para relembrar que as eleições legislativas, têm como objectivo primordial, eleger um parlamento. Em consequência dessa eleição é que se forma o governo.

O segundo tabu que caiu, com surpresa, foi a do conceito de arco de governação, como direito divino. Pela primeira vez foi possível conseguir  responsabilizar as forças à esquerda do PS, no apoio a uma solução governativa. Independentemente do que vier a acontecer nada voltará a ser como dantes. Habituem-se.

MG

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O grupo dos leitões

por Naçao Valente, em 03.11.15

 Estes vão se sacrificados por Assis

 

António Costa é Secretário Geral do PS, eleito ,por mais de cem mil militantes e simpatizantes. Foi um processo limpinho limpinho. O PS perdeu as eleições para uma coligação de direita. É preciso lembrar aos atacados por Alzheimer que o PS sempre foi derrotado quando concorreu contra coligações. Recorde-se as vitórias da AD e Pra Frente Portugal por maioria absoluta. Ao contrário do discurso das cassandras, Costa manteve-se no seu posto com toda a legitimidade. E está em condições de reunir toda a esquerda numa coligação inédita e impensável.

Francisco Assis foi derrotado por Seguro em eleições directas. Refugiou-se no Senado dourado que é o Parlamento Europeu. Voltou agora, voltou de lá. Qual é a razão que a razão desconhece, que move este emigrante de luxo. Porque vem perturbar um caminho que em tempos também defendeu. Logo se lhe juntaram os derrotados seguristas, que ele próprio combateu e uma cáfila de ressabiados sempre sedentos de protagonismo.

O grupo do leitão reúne-se na Bairrada. Entre um copo de bom vinho da região (que desperdício) e uma dentada nos sacrificados porquinhos que não deixaram crescer, traça-se a conjura contra o perigoso governo de esquerda. Contra os bloquistas consumidores de caviar e contra os comunistas que devoram tenras criancinhas. E sobretudo contra o Partido à sombra do qual ganham o pão.

Entre uma e outra golada, espetam o garfo nas costas do Secretário Geral, eleito democraticamente. Entre dentes ensanguentados rezam ladainhas ao governo da direita. Enquanto devoram os tenros leitões choram lágrimas de crocodilo, pela aliança contra-natura. Prevêem a saída do euro, a expulsão da Nato, a marginalização da UE. Querem o PS a apoiar o governo Passos/ Portas.

A simbologia dos leitões é clara. Querem a cabeça de Costa. Francisco de Assis como o seu homólogo medieval ainda espera ser canonizado por salvar a pátria dos infiéis. Mas esquecem-se de uma coisa: Costa é duro de roer. Se lhe meterem o dente talvez o partam.

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Explicação do meu voto aos passarões

por Naçao Valente, em 22.10.15

Sou um apenas um dos milhões de votantes das últimas legislativas. Nessa condição, vou responder, como eleitor do PS, a um desafio de Ferreira Fernandes, numa deliciosa crónica,  sobre a explicação das razões do meu voto. Por exclusão de partes não votei na PàF porque  embirro com o nome: causa-me stress, tira-me do sério, deixa-me apopléctico. E o mais grave é que não consigo encontrar explicação para tal. Chamásse-se a coligação, por exemplo, PIPI, PAU...outro galo cantaria. Até teria votado no BE pelos lindos olhos da Catarina Martins, ou pelo sorriso misterioso, tipo Mona Lisa, de Mariana Mortágua, mas a ser descoberto,corria o risco de ter no currículo a mancha anti-nato. Não quero perder o estatuto de patriota. Desde que me meteram na cabeça que os comunistas comem criancinhas (e se não comem podem ter comido) que me causa engulhos e faz aumenta a azia votar no PCP. E se não está provado que comam criancinhas, pelo menos ninguém contesta que engolem sapos. De modo que te arrenego.

Então que alternativa me restava? Bom, ainda há os pequenos partidos, mas são tantos e tão iguais que não percebo ao que vêm. Porque não quero ter o rótulo de abstencionista (chateia-me)  votei no PS, com a esperança de deixar de ver aqueles ministros todos de pin na lapela. Fazem-me lembrar tempos idos em que me obrigaram a andar, na escola, com o pin da mocidade portuguesa. Ainda estou traumatizado. Votei para libertar o Passos de tanta canseira pela pátria e poder seguir a sua vocação de cantador. É uma pena perde-se aquela voz a debitar números e estatísticas, quase sem pre furadas. Votei porque ainda gostava de ver o Portas como comentador de futebol a debater com BDC e gostava de ver os comentadores e fazedores de opinião a engolir os sapos vomitados pelo PC.

Cumpridos estes motivos, dou liberdade ao Costa para fazer o que quiser com o meu voto. Pode juntá-lo, aos da Catarina, aos do Jerónimo e até ao dos animais que eu cá não sou elitista. A aliança de governo à esquerda, ao contrário das interpretações, que os analistas, não autorizados, fazem do meu voto, não me tira o sono, nem me cria vontade de emigrar depois de ter resistido durante quatro anos. Melhor, essa do governo de "esquerdalhos" não passa de um detalhe.

MG

E aqui vos deixo a crónica que inspirou este texto: um doce a que nem um diabético deve resistir.

 

 Não foi para isto que votei no PS!


Como há dúvidas, vou dizer porque votei. Votei no PS, eu, para que todas as casas com construção embargada que me estragam a paisagem sejam deitadas abaixo, já. Esse meu querer lembro-me de ter sussurrado ao voto quando o deitei (só não escrevi para o não inutilizar) - vai para três semanas, e o PS sobre o assunto, nada. Votei no PS por causa do sorriso irónico do líder, são os únicos sorrisos de que gosto nos políticos, mas desde o dia 4 não me parece ser esse o critério de aliança de Costa (a Catarina é simpática, o Jerónimo é veemente, mas nada disso vale um sorriso irónico, acho). Votei no PS para que ele fosse buscar o Luis Fernando Verissimo ao Brasil para dar aulas, nos três canais, duas horas por dia, prime time, sobre como se escrevem diálogos - acho o diálogo fundamental e ninguém pôs isso no programa eleitoral (o PS também não, mas eu não me ia abster, soprei no voto e foi também por isso que votei). Votei no PS porque gosto das ruas alegradas, o Costa pintou a Rua Nova do Carvalho de cor-de-rosa e eu gostava de ver a Estrada de Benfica a cheirar a pitanga. Basicamente foi isto. Os outros 5 408 804 eleitores que digam porque votaram. Eu foi por isto. E não admito que os comentadores digam que votei ou não votei por outras razões senão as expostas. Quanto a formar governo, fui ver à Constituição, não sou eu. Se fosse, vocês iam ter surpresas do caraças.

 

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Viver o PREC. Onde estava a direita no 25 Abril?

por Naçao Valente, em 16.10.15

Tive a honra e o privilégio de viver ao vivo e a cores o período denominado PREC. Vivi momentos de grande exaltação e de esperança num mundo novo. Para além das expectativas criadas, a vivência do PREC foi, só por si, um momento inolvidável e irrepetível. Para mais era jovem e essa experiência marcou e condicionou toda a minha vida. A discussão nas ruas e em sessões de esclarecimento, as manifestações espontâneas, a partilha de vontades comuns e desinteressadas, constituem um acervo que perdurará na memória daqueles que o viveram. A luta na rua, como na grande manifestação na Alameda, onde o PS de Mário Soares enfrentou a deriva esquerdista que pretendia impor uma ditadura de sinal contrário, é um dos momentos cruciais da instauração de uma democracia em Portugal. 

E onde estava a direita no 25 de Abril? Estava escondida, amedrontada, envergonhada, debaixo do chapéu do Partido Socialista. É preciso ser claro: a direita e esta direita arrogante, insensível e amoral que agora nos governa, não teria chegado ao poder sem a acção civil e militar dos socialistas, para que fôssemos governados, democraticamente, com todos os defeitos que este sistema contém. Só por isso o PS merece mais respeito desta santa aliança, que com ramificações em toda a comunicação social, nos quer lavar o cérebro. Pode lavá-lo a incautos, a iletrados políticos e especialmente a esses filhos da democracia que não conheceram o país obscuro que Abril derrubou, mas não o lavará a todos aqueles que sonharam com um pais desenvolvido e livre.

O mini PREC que agora se vive faz-me sentir de novo desperto da pasmaceira em que se tornou a vida política com a normalização do sistema democrático. Tudo se resume a umas eleições de quatro em quatro anos, onde grupos cada vez mais restritos, disputam a caça ao voto, com promessas e mentiras, muitas mentiras. Depois, no entretanto, cometem todos os dislates que ficam sempre sem castigo. Esta democracia, refém de políticos sem cultura, sem história e sem princípios é um simulacro de democracia. Gente sem formação humanista, tecnocratas sem alma, mesmo quando usam crucifixo, blasfemos sem pecado original, filhos de Belzebu disfarçados de pessoas, ocuparam lugares chave da sociedade. Estão instalados em todas as televisões, sem excepção, donde procuram, em homilias concertadas, converter os últimos infiéis. Assiste-se a uma despudorada campanha de captura das consciências. Vivemos um anti 25 de Abril.

A rebeldia de António Costa contra este status, começa a inquietar os próceres dasubmissão. Assim se explica que já tenha posto em campo todos os seus apóstolos da missionação e todos os profetas do apocalipse, alcandorados em púlpitos estratégicos. E até os fariseus colocados dentro do PS estão a ser convocados, com um tal Francisco Assis da parte negra da força, um Judas sem mandato divino. Se Costa conseguir unir a esquerda desavinda e vencer os captores da democracia, que se pudessem a poriam na gaveta, reabrirá o espírito do 25 de Abril. Não sabemos como terminará o processo, mas só o facto de ter ousado derrubar o muro que o PREC abriu, merece a minha gratidão. De facto, desde os tempos revolucionários, que não me sentia tão vivo. Aconteça o que acontecer, valeu a pena, sentir de novo um cheirinho de PREC.

MG

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Para todos os gostos

por Naçao Valente, em 09.10.15

Sempre fui de esquerda. Sempre me situei na área do Partido Socialista, na ala mais à esquerda. O resultado das eleições legislativas tiveram um resultado atípico. Pela primeira vez uma coligação de direita ganhou as eleições sem maioria absoluta. E porque não há à esquerda quem pretenda dar uma mãozinha ao governo PàF estamos perante uma situação original.

Percorri na Internet os comentários de vários comentadores, sobre a presente situação política e confesso que fiquei muito menos esclarecido. Desde os que se dividem entre Costa se aliar à direita ou à esquerda, até aos que acham que anda a fazer bluff,  passando pelos que dizem que apenas procura sobreviver, ou que destrói o PS se se juntar à esquerda, há opiniões para todos os gostos. E alicerçadas em argumentos imbatíveis e verdades absolutas.

Mas ao navegar pelo facebook encontra-se mais do mesmo, num estilo mais popularucho. Ao lado dos tradicionais tradicionalistas, isto é defensores do que sempre foi, estão os promotores da mudança revolucionária e vêem já Costa a liderar uma alternativa dos amanhãs que cantam.

Fui apoiante da esquerda e gostaria de ver esta gente que nos desgovernou fora do poder. E não me causa qualquer engulho uma aliança para governar à esquerda. Contrariamente ao que pensa o Presidente da República, os partidos mais à esquerda, têm o mesmo direito de participar na governação que os chamados partidos do arco do poder. Na democracia não há participantes de primeira e de segunda. Contudo, a situação de acordo com as normas constitucionais parece-me simples. Deve, em conformidade com os resultados eleitorais, o senhor Presidente da República, nomear para formar governo o partido mais votado. Deve este apresentar o seu programa e o orçamento. Se estes forem aprovados deve governar. Se não forem aprovados e na impossibilidade de efectuar eleições, deve-se considerar uma opção alternativa viável. Sem drama. Elementar meus caros comentadores.

MG

 

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E agora António?

por Naçao Valente, em 06.10.15

O Partido Socialista partiu para as eleições legislativas após a eleição de António Costa como putativo vencedor. As sondagens apontava nessa direcção. Havia na opinião pública a convicção que Costa seria primeiro-ministro. Contra essas evidências foi derrotado. Vários factores explicam essa derrota: a ligeira alteração do ciclo económico, a resiliência do Governo e a sua bem organizada campanha, a incapacidade do PS em passar uma mensagem clara, a desvalorização do adversário. Seja como for o resultado das eleições voltou a instalar a instabilidade no PS.

Ao contrário da opinião dos comentadores António Costa não se demitiu. E fez bem. Deixar o partido sem liderança numa altura em que se tem de formar um novo governo e em que há eleições presidenciais para disputar, seria uma irresponsabilidade. Agora é o momento de agregar e não de dividir. De manter a unidade para que o PS possa negociar numa posição de força. Passada esta fase é necessário arrumar a casa. António Costa deve convocar o Congresso e abrir um processo electivo para clarificar a situação.  E aí decidir abertamente o que será melhor para o partido, tendo em vista a necessidade de alternância na governação de Portugal. E se para cumprir este desiderato for melhor a substituição de Costa esta deve fazer-se sem dramatismos. O próprio scretário-geral já admitiu que nunca será um estorvo no caminho do PS.

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Portas da traição

por Naçao Valente, em 02.10.15

A vontade dos eleitores é fátua e inconstante (e manipulável, acrescento eu)

Mário de carvalho em "Conde de Frois"

 

É um lugar comum: as sondagens valem o que valem; a verdadeira sondagem é a da mesa de voto.Nesta campanha para as legislativas, a maioria dos estudos de opinião conhecidos, colocam a dita coligação PAF à frente nas intenções de voto. Com base nos resultados dos barómetros haverá, à esquerda, uma descida do PS e uma subida da extrema-esquerda. É esta projectada tendência à esquerda que me merece uma reflexão.

Corresponda ou não à vontade o que o eleitorado irá expressar no dia 4 de Outubro, este hipotético resultado, entronca, para além de virtudes e defeitos da campanha em três traições. Em primeiro lugar, saliento a abertura da porta da muralha Socialista ao adversário, pelo Bloco de Esquerda. Este partido radical assentou a sua principal estratégia no ataque ao PS e às suas propostas. Como partido parlamentar que nunca pretendeu, nem pretende, apoiar qualquer política governativa, pode apresentar as mais irrealistas medidas, porque sabe que nunca serão escrutinadas. O seu principal objectivo é crescer eleitoralmente. Para isso é irrelevante o resultado final das eleições. Nesta perspectiva sempre colocou o seu interesse de grupo aos interesses gerais dos cidadãos.

A CDU abre como sempre abriu mais uma porta que permita ao dito PAF continuar a ocupar a fortaleza. Basta estar atento à orientação da sua campanha, dando uma no cravo e outra na ferradura, ou uma na foice e outra no martelo, como se preferir. Nesta duplicidade a martelar, o alvo principal é sempre, mas sempre o PS. Como o seu homólogo do espectro esquerdista apenas lhe interessa manter a sua clientela unida. O país e o povo, com o qual enche a boca que se lixe.

A terceira traição encontra-se dentro da própria fortaleza. E é a mais hipócrita. É praticada pelos militantes do PS derrotados nas primárias que eles próprios promoveram. Silenciosa e subtilmente desejam que a coligação vença para fazerem o ajuste de contas. Sem mexer uma palha para ajudar Costa assistem ao decorrer .dos acontecimentos.

A abertura das portas da traição da fortaleza pode permitir ao invasor da dignidade dos portugueses, continuar a aplicar a sua política de austeridade com a mesma arrogância. E os traidores, que rejubilam, acabarão por ser esmagados enquanto força política com qualquer utilidade prática.  "Roma não paga a traidores" mas os portugueses poderão pagar bem caro, como já pagaram na última legislatura, a irresponsabilidades destes pseudo esquerdistas.

MG

  

 

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Tempos de masoquismo

por Naçao Valente, em 19.06.15

Sondagens valem o que valem. Umas vezes acertam outras nem por isso. Mas a última sondagem da Universidade Católica sobre as eleições legislativas não deixa de ser preocupante. Em várias vertentes. Como se explica que o PS caia, desde o último estudo, 8 pontos percentuais? Como se justifica a subida de intenções de voto numa coligação que destruiu a economia, fomentou o desemprego e a emigração, empobreceu o país, desbaratou o património económico do país e sobretudo mentiu? Disse que fazia uma coisa e fez o seu oposto. O eleitorado não tem memória? O eleitorado não tem dignidade? O eleitorado não é filho de boa gente?

Faço uma leitura simples: a pequena recuperação que se tem verificado, por alguma inversão da política europeia, bem aproveitada pela propaganda governamental, está a surtir efeito. A mensagem linear adoptada e expressa na ideia de que "antes era o caos, depois veio o salvador da pátria e como um messias trouxe a salvação, está a passar. Não tem programa, nem precisa. O povo gosta de chicote.

Bem pode António Costa mandar fazer estudos económicos, elaborar programas rigorosos e estruturados, apresentar soluções que devolvam dignidade às pessoas, prometer repor rendimentos sonegados, os eleitores preferem continuar a ter mais do mesmo. Parecem preferir num caminho de expiação, dos pecados de que foram acusados por quem os governa. Gostaram e querem mais. Vivemos tempos de masoquismo, de "sombras de grey". É tempo de despertar consciências.

MG

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O falso partido comunista

por Naçao Valente, em 16.06.15

Há coisas difíceis de entender. O PCP é assumidamente um partido de esquerda. Bebendo da ideologia  vigente nos países comunistas de leste, que procurou aplicar em Portugal, sem êxito, depressa se redefiniu para aceitar as regras democráticas, mas nunca abandonou a sua rigidez programática.

Ao contrário de outros partidos comunistas, foi sobrevivendo graças a uma ortodoxia da qual não se desviou um milímetro. Manteve unida a sua base de apoio, com a estratégia de estar sempre na oposição, numa atitude de não se comprometer com a real política. Manteve, entre os seus fiéis acesa a chama, de mítico "governo nacional e patriótico" espécie de utopia laboratorial de plena igualdade, que nunca existiu em concreto. Nesta linha funciona como braço político de reivindicações sindicais, assumidas por organizações, que lhe garantem a longa sobrevivência.

Mas esta gesta de reserva moral do interesse dos oprimidos, não resiste a uma análise rigorosa. O que interessa em primeiro lugar ao PCP é a defesa dos seus interesses e não o interesse geral. Comprova-se com o facto de considerar o PS o seu principal adversário. O que em teoria significa que prefere ter no poder a direita que finge combater. O que demonstra que é aliado objectivo do capitalismo.Prega um falso comunismo. Representa o cinismo ideológico.

Este PCP, de Jerónimo de Sousa não evoluiu. É mais retrógrado, mais dogmático, mais fundamentalista do que foi dirigido por Cunhal. Este, ao menos, salvaguardadas as diferenças com os socialistas, nunca optaria pela direita, em defesa dos interesse do povo português.

MG

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As primárias no PS têm mercado

por Naçao Valente, em 16.07.14

Nunca percebi as primárias do PS. A questão da liderança, despoletada por António Costa, após as eleições europeias, devia ter sido resolvida, de acordo com os estatutos, ou seja com a convocação de um congresso extraordinário. Não foi essa a decisão de Seguro, que controla os principais órgãos de decisão. Preferiu diferir a disputa da liderança para as calendas. Como diz o povo "enquanto o pau vai e vem folgam as costas". Entretanto, o país vai ficar sem oposição eficaz durante meses. Mas como diz o outro: que se lixe!

 

Começaram hoje as inscrições  de simpatizantes interessados em participar nas tais primárias. De acordo com os números divulgados na comunicação social, já se inscreveram mais de três mil candidatos. E a procissão ainda nem vai no adro. Pela amostra, as ditas primárias têm mercado. Agora mais complicado é definir o conceito de simpatizante. E ainda mais complicado é garantir que o é de facto.

 

Vi na ficha de candidatura online, que os candidatos têm que declarar que concordam com a Declaração de Princípios do PS e que não estão inscritos em qualquer outro partido político. Desta forma todo o processo assenta na seriedade do putativo simpatizante. Em rigor, a sua declaração não é, minimamente, comprovável. A avaliação de candidaturas está portanto prisioneira da bondade de quem se candidata. A aaceitação da condição de simpatizante é um tiro no escuro. Mas o pior é que pode dar azo a manipulações estranhas aos próprios candidatos que vão concorrer ao cargo de primeiro-ministro. Em conclusão, é um processo que pode correr bem, mas tem todos os ingredientes para poder correr mal. Ou seja, ninguém pode garantir que existe transparência.

 

MG

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