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Blatter e blatterismo

por Naçao Valente, em 02.06.15

Em princípio uma boa notícia: Blatter demitiu-se. Ultrapassado pelas circunstâncias não teve alternativa. Governou a FIFA como um feudo pessoal. Estabeleceu relações de dependência de tipo vassálico. O resultado foi a criação de uma rede de interesses que colocou o particular, acima do geral. O governo do futebol mundial é uma autocracia. Os votos são comprados a corrupção é o sangue do sistema. Vamos ver o que vem a seguir.

Esta forma de gestão do mundo no pontapé na Bola, onde gira muito dinheiro, não tem, no entanto, reflexos directos na vida dos cidadãos. Já o mau governo de um país tem repercussões imediatas na qualidade de vida da sociedade. E se Blatter percebeu que o seu governo e as malfeitorias que lhe estão associadas, tinham os dias contados, os blatters que nos governam, depois de terem feito dos portugueses gato-sapato e capacho,insistem em continuar a passear a sua arrogância, sem um pingo de vergonha. Mais troikistas que a troika, apresentam-se como os salvadores da pátria que vilipendiaram. Apresentam-se como bombeiros, quando acenderam o fogo. O blatterismo anda por aí. Se a indignação não for uma palavra vã, se os eleitores não navegarem num mar de ignorância e de indiferencia, terão o que merecem: ser enviados para o limbo de que nunca deviam ter saído.

MG

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Silva Lopes, um exemplo de cidadania

por Naçao Valente, em 03.04.15

José Silva Lopes foi um economista competente, mas acima de tudo um cidadão exemplar. Tinha revelado as suas capacidades no regime anterior, mas foi com o advento do regime democrático, que se projectou como um homem de pensamento e acção, ao serviço do Estado Português. Ocupou funções políticas relevantes nos primeiros governos, negociou a entrada de Portugal na CEE, teve diversos cargos na área financeira. O que fica para além do seu trabalho exemplar como técnico e político, é uma honestidade a toda a prova, uma seriedade fora do comum, um desapego por qualquer benefício pessoal, uma simplicidade rara e uma humildade sem limites.

Homem de princípios e valores, firme e dialogante, nunca transigiu com demagogias e populismos. Cidadão acima de qualquer suspeita, manteve-se sempre longe de tricas partidárias e afastado de protagonismos mediáticos. Discreto, não deixava de dar a sua assumida "modesta" opinião quando solicitada. Deixou para a posteridade a imagem de alguém que soube estar ao serviço do seu país, com abnegação e com intuito de contribuir para uma sociedade mais justa. Que a sua memória sirva de exemplo do que deve ser ser a função política.

MG

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Em Abril mentiras mil

por Naçao Valente, em 02.04.15

O dia 1 de Abril é conhecido como dia das mentiras. Esta tradição vem de um tempo em que a mentira representava um acto pouco abonatório de honestidade. Esse dia funciona, em tal contexto, como um escape a comportamentos de seriedade. Ou seja,em 1 de Abril  é permitido mentir sem cair em pecado.

Isto acontecia no tempo em que a palavra e a honra eram conceitos aceites e respeitados. Mas nestes últimos tempos foram relegados para o campo das coisas sem valor. Mentir passou a ser uma banalidade. Enganar os outros torna-se virtude, capacidade, competência e como tal premiada. 

Assim se percebe que os políticos, com relevância para os que estão no poder, mentem todos os dias. Aliás chegaram ao poder montados em mentiras que apresentaram como verdades. Perceberam que a mentira compensa e persistem em utilizá-la com total descaramento. Assim deixou de haver espaço para um dia de mentiras. Todos os dias o são. Em Abril mentiras mil.

MG

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O melhor do ano 2014

por Naçao Valente, em 20.12.14

O melhor do ano que vai terminar seria o que devia ter acontecido e não aconteceu, a saber: a reposição dos salários inconsticionalmente reduzidos; o pagamento integral das pensões ilegalmente diminuídas, a valorização do trabalho, usado apenas como reprodutor de mais valias; a reapreciação do sistema de impostos depois de um brutal aumento sobre os rendimentos do trabalho; a valorização da educação descaracterizada há mais de três anos; o respeito pelo direito à saúde; a exorcização do fantasma da troika que continua a ensombrar; a retoma do orgulho nacional; a mais justa repartição da riqueza; o regresso da Europa a um caminho de igualdade entre nações; o fim desse regresso à idade das trevas misto de brutalidade e loucura que dá pelo nome de estado islâmico. Logo no ano que vai acabar anterior, no que diz respeito a contecimentos positivos, nada a registar.

MG  

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O segundo julgamento de Sócrates

por Naçao Valente, em 28.11.14

Prefácio à segunda publicação

Este diálogo (imaginado) entre Sócrates e Rousseau é uma espécie da alegoria sobre aspectos da vida política à portuguesa e foi publicado há cerca de um ano. Resolvi editá-lo de novo pela actualidade que mantêm, em termos de reflexão de filosofia política e da sua apreciação numa linha sarcástica e irónica. Reconheço que não teve nem terá a visibilidade que merece. Na blogosfera outros valores se salientam. Contudo e porque não conseguiria repeti-lo (pela sua originalidade) decidi que merece sair do seu esquecimento. Nestes tempos de ódio, vingança e raiva, embrulhados em justicialismo popular, quero acentuar, que o julgamento dos homens que governam a polis, deve ser essencialmente político. O Sócrates de Atenas, foi condenado por corromper a juventude, num processo que não sendo foi político. O Sócrates da nossa política caseira está acusado de se deixar corromper. Diz-se hipocritamente que é caso de justiça. E independentemente da sua culpabilidade (ou não) não há maior falácia, na minha opinião. Na sociedade não vivemos em compartimentos estanques. A política, a economia, a cultura, a justiça interligam-se entre si. Não há apenas políticos corruptos e juízes impolutos, uma raça de semideuses acima dos comuns mortais. Há homens condicionados pelas suas convicções e até pelas suas paixões, adquiridas em contexto de vida. Quando tendemos a simplificar o que é complexo, não estamos a praticar justiça, mas injustiça.

 

 

 

Sócrates: Imagina, meu caro Rousseau, que te enganaste em relação ao teu bom selvagem que a sociedade degenerou. O facto é que esse traste feito mau selvagem não voltou às origens como tu previas. Eu digo-te: esse bom selvagem nunca existiu nesta merda de mundo. Lá na Hélade percebemo-lo bem. E procuramos demonstrá-lo. Está tudo documentado. Neste tempo os maus selvagens estão ao virar de cada esquina. Não me esqueço que um betinho cobardola se armou em carapau de corrida e me acusou de ser ,homossexual. O asqueroso disse depois de uma reunião com mulheres do seu partido que eu gostava de outros colos. Chamou-me com todas as letras bichona.Bandalho.

 

Rousseau: A liberdade primeiro. Liberdade de ser, liberdade de amar. Não percebo a indignação. 

 

Sócrates: A indignação é pela verdade. Não tenho essa orientação. Eu sei que lá na Hélade havia invejas da minha amizade com Alcibíades, mas aqui sempre fui um heterossexual. Não condeno quem se inclina para o mesmo sexo e até já o fixei em Lei. Mas o aldrabão só queria tirar dividendos políticos deturpando a minha imagem nos demos cá do burgo. O que merece tal camafeu?

 

Rousseau: Temos de continuar a acreditar na recuperação do bom selvagem. Fazemos-lhe um contrato de boas maneiras.

 

Sócrates: Contrato de boas maneiras uma merda. O coirão devia ser ostracizado. Boca de xarroco. Já bebi uma vez a cicuta mas não volto a fazê-lo. Não gostei mesmo nada. Nadinha. Agora quem o tentar fazer não perde pela demora vai levar o troco. Nem aquele bárbaro da Germânia fica sem resposta. O filho da mãe andava todos os dias a bufar para os jornais notícias sobre o meu país. Que Portugal era uma lixeira, que os portugueses eram lixo. Que tudo era pigs. O bronco queria pôr-nos a pão e água. E está a conseguir. Estupor.O coscuvilheiro é tão inculto que não sabe que foi o grande Ulisses que fundou Lisboa, antes Ulisseia, e que por aqui deixou os seus genes plantados. E só não tirei os punhos de renda há mais tempo por consideração para com chefe desse estupor, que sempre apreciou a minha filosofia. E quem sabe outros predicados não sujeitos a divulgação pública.

 

Rosseau: Sendo assim também não deve saber  que daí vem muito do génio marítimo dos portugueses e que inventaram por mares nunca navegados a globalização.

 

Sócrates: Boa merda. Essa não engulo. Que se foda a globalização. Primeiro serviu para sacar a pimenta lá nas Indias à má fila: "ou me dizes onde guardas a droga ou levas com uma dose de tortura, ou me passas para cá o material ou levas um balázio nos cornos". Agora serve para roubar à escala global: "os mercados assim, os mercados assado". Badamecos.

 

Rousseau: Mas ó Sócrates vejo-te muito ressabiado. Violência gera violência. Quem com ferros mata com ferros morre. Olha o que aconteceu ao camarada Robespierre. Temos de negociar. Eu sempre disse: contrato social.

 

Sócrates: Que contrato social companheiro? Tu continuas a ser muito ingénuo. A gente assina com toda a boa vontade o contrato social e depois o que acontece. Os filhos da puta que mandam, mandam-no logo às urtigas. Combinamos salários cortam-nos. Tiram uma parte dos rendimentos  para recebermos uma pensão estipulada e de um dia para o outro sacam o que estava contratado. Canalhas.

 

Rousseau: Mas desculpa se mal pergunto: não foram os demos que lá os puseram?

 

Sócrates: Os demos, os demos, sempre os demos. Pois foram. Mas por acaso eles já saíram da caverna? Digo-te que não. Lá continuam prisioneiros. Há séculos. Presos na escuridão só vêem sombras que tomam pela realidade. Nunca viram a luz. Decidem de acordo com as imagens que lhes projectam.Umas vezes de uma maneira, outras vezes de outra.Anjinhos. Quando alguém quer trazê-los para a luz, revoltam-se. Olha o que me fizeram na velha Atenas. Chamaram-me charlatão. Acusaram-me de trair a pátria. Tiraram-me a vida. Pulhas. Não voltam a fazê-lo. Não me sujeito mais ao seu voto.

 

Rousseau: Então temos de trazê-los para a luz  para o conhecimento. 

 

Rousseau: Não querem. Que palavra não percebes. Gostam de ser iludidos. Foram na cantiga do bandido. O PEC IV era austeridade a mais não era? E a que têm agora é menos não é? Ingratos. Foram fodidos com todas as letras por demiurgos populistas. Elegeram para o palácio rosa um estratego sem qualidade, mesquinho, vingativo. Fez-me a vida negra. Lixou-se e continua a lixar-se para o país. Borra-botas. Destruidor da República. "Quanto a mim, a minha opinião é esta: no mundo inteligível, a ideia do bem é a última a ser apreendida, e com dificuldade, mas não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de recto e belo existe em todas as coisas; no mundo visível, ela engendrou a luz; no mundo inteligível, é ela que é soberana e dispensa a verdade e a inteligência; e é preciso vê-la para se comportar com sabedoria na vida particular e na vida pública, disse-o a Glauco.  Platão, escreveu-o na República, livro VII. E tu que dizes?

 

Rosseau: Cito Glauco: concordo com a tua opinião até onde posso compreendê-la.

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O discurso dos filhos da puta

por Naçao Valente, em 14.10.14

lábios de mosto
meu corpo lindo
meu fogo posto.
Eira de milho
luar de Agosto
quem faz um filho
fá-lo por gosto.

 

Ary escreveu, Simone popularizou nos anos setenta a Desfolhada. Quem faz um filho fá-lo por gosto é uma expressão dúbia: faz-se o filho porque se gosta de o ter ou faz-se pelo gosto de o fazer? Seja o que for, o certo é que uma vez feito num acto dual, a mãe assume um papel preponderante. Acolhe-e durante nove meses, sofre a dor de o parir e amamenta-o mais alguns. Pode haver pais incógnitos, mas muito dificilmente haverá  mães incógnitas. Todos somos filhos da mãe. Contudo e a acreditar na vox populi há também o filho da puta. Epiteto depreciativo a um dado fulano pelo seu carácter mas que remete para a condição de quem o pariu. Ou uma trabalhadora do sexo, profissão marginalizada ou alguém que deu umas facadinhas do matrimónio, comportamento muito criticado pela mentalidade social. Para mais quando assim é ainda suporta o título de filho de um cabrão. Não pode vir daí tal sacripanta.

 

O verdadeiro filho da puta não depende da mãe que o pôs no mundo. Quem é a mãe que, regra geral, não se esforça por dar bons princípios ao filho? Quem é a mãe independentemente da sua condição que não ama sempre o filho incondicionalmente?  Seja a mãe uma pura donzela ou uma  mulher considerada tecnicamente puta, não há confirmação científica de quem pariu o verdadeiro filho da puta. O verdadeiro filho da puta é um self made man.Faz-se a si próprio. Vive para enganar, explorar, espezinhar o outro. Está-se lixando para quem passa fome. Não tem problemas de consciência por que não tem consciência.

 

Tomemos alguns exemplos em português suave. Sem personalizar, quando um político nos diz com falinhas mansas, numa verborreia demagógica, o contrário do que está a fazer, que é comer-nos as papas na cabeça, há alguma dúvida de quem é o alarve? Não estamos perante um autêntico filho da puta? Sem fulanizar, se um detentor de cargo institucional, nos anda a mostrar a dentadura enquanto nos fode a vida, como verdadeiro gigolô, o que é? Se comentadores e certos bloguistas batem com a mão no peito, aqui d'el rei que as medidas de austeridade são do piorio mas não temos alternativa o que são? Tanto mais que geralmente a austeridade não bate à sua porta! Sem nomear, se um dado empresário diz "estamos endividados e falidos" enquanto coloca a sede das suas empresas fora do país, sonegando impostos ao Estado é filho de quem?

 

O problema é que o verdadeiro filho da puta usa auréola de cidadão impoluto.O problema é que debaixo da pele de cordeiro come as avozinhas, enganas as netas e vai fodendo o país. O problema é que há quem goste. Enquanto assim for não nos livramos do reino dos filhos da puta

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Em play-back

por Naçao Valente, em 14.04.14

         Podes não governar bem

         Desde que digas amem

E representes o papel de um zé ninguém

Em play back, em play back, em play back!        

 

            Vais até muito além

       Com a bênção do vôvô de Belém

Do que exige a troika, e o teu estilo do cacém

Em play back, em play back, em play back!

 

           Vai dizendo ao microfone

           Que a vida é feita de fome

           E o bom é ser pobrezinho

                 Com carinho

                 E juizinho

 

      Em play  back tu és um ás

      Dizes o contrário do que se faz

               Em play-back

               A fazer play-back

               E viva o play-back

    És bom artista a papaguear

    O que mandões te mandam falar

    Nunca perdes a compostura

            Em play-back

            A fazer play-back

            E viva o play-back 

         Durante a legislatura

 

   E como grilo falante e elegante

   Não abandones essa tua manha

      Vais ser bem recompensado

             Sem enfado?

             Na Alemanha!...

  Em play-back é que tu brilhas

  E o sucesso com o que pilhas

          Em play-back

          A fazer play-back

          E viva o play-back

    E nos mercados ficas bem

    Apenas sabes dizer amém

         O povo está infeliz

         Em play-back

         A fazer play-back

         E viva o play-back

         E tu lixas e sorris.                                         

 

Em homenagem a Carlos Paião

 

 

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Holocaustos

por Naçao Valente, em 27.01.14

 

imagem sapo

 

A Europa continua num desvario. De há anos que o projecto de unidade europeia, iniciado no pós-guerra, está a dar tiros no pé. O principio de solidariedade entre nações que visava criar um espaço economicamente dinâmico e socialmente equilibrado é cada vez mais uma ilusão. Os demónios da xenofobia renascem paulatinamente das cinzas. A divisão entre os laboriosos do norte e os preguiçosos do sul está na ordem do dia. A Alemanha recuperada da hecatombe da segunda guerra mundial, com a contribuição de toda a Europa, voltou ao seu registo da supremacia arrogante. A União Europeia definha perante a passividade de dirigentes e povos.

 

No dia em que se comemora o dia para recordação do holocausto era bom reflectir sobre o caminho que a UE está a seguir. Os políticas da direita liberal estão a criar, irresponsavelmente, as condições que podem dinamitar de vez a construção de uma sólida união. A aposta no capitalismo selvagem, no predomínio dos mercados financeiros a não ser travada conduzirá a Europa para a estaca zero das rivalidades entre nações. E então os holocaustos podem voltar às nossas vidas, não como recordação, mas como realidade. Quem dá aos políticos uma lição de História?

 

MG

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Não adianta bater mais no ceguinho

por Naçao Valente, em 04.10.13

arrastao.org

 

O senhor Presidente da República não se pode levar a sério. Diz e desdiz. Afirma e desafirma. É e não é. "Masoquisa e desmasoquisa". As suas opiniões têm tanto crédito como um tostão furado. Comentar os seus discursos é como gastar cera com ruim defunto. Já dei o que tinha a dar para esse peditório. Já gastei muito do meu latim com tal personagem. Traço o meu limite. Não adianta bater mais no ceguinho.

 

MG

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Perna curta

por Naçao Valente, em 11.09.13

A mentira tem perna curta. Apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo. A verdade é como o azeite vem sempre ao de cima. Apesar destas evidências poucos ou nenhuns resistem à tentação de mentir. Deve até fazer parte do ADN humano. Comprovam-no as criancinhas mal largam os cueiros. E nem se pode ainda  alegar qualquer tipo de aprendizagem. Continuam os jovens quando escondem os maus resultados escolares. E nos adultos é um fartar vilanagem. A refinação aumenta com o aumento da maturidade. A mentira faz parte da sobrevivência do ser humano.

 

Tal e qual. Nenhum político, por exemplo, sobrevive se quiser ser, mesmo contra-natura, paladino da verdade. Nenhum partido ganha eleições se não prometer o que sabe que não vai cumprir. Nenhum líder partidário chega ao topo se persistir na total sinceridade. Nenhum dinossauro autárquico se perpetua montado na autenticidade. Não há chefe religioso que consiga garantir a vida no além. A não verdade é transversal. Da direita à esquerda todos a utilizam. E até os iconoclastas da pureza ideológica não a desprezam. Veja-se a tomo de exemplo a recente biografia fotográfica de Cunhal. Todo o protagonista incómodo, desde opositores de famílias colaterais a membros caídos em desgraça, é retirado da película e condenado ao ostracismo. E tantas vezes sem qualquer efeito prático, o que prefigura uma utilização compulsiva da mentira.

 

A mentira tem perna curta e grande eficácia. Uma trafulhice financeira empobrece milhares e enriquece dezenas. De um dia para o outro. Uma agência de rating, a mentira organizada, com um estalar de dedos, arruína uns países em detrimento de outros. Geralmente saca dos mais pobres para dar aos mais ricos. Apanha-se mais depressa um mentiroso que um coxo. Pode ser. Só que quando se apanha já fez os estragos todos. Só que quando apanhados assobiam para o lado. E de mentira em mentira lá vamos cantando e rindo. De tal modo que perigoso não é mentir mas dizer a verdade. Com a verdade não se vai longe. De verdades estão os manicómios cheios.  

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