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Mãe

por Naçao Valente, em 01.05.16

Quando te conheci tu eras,

quando te queria tu estavas,

presente na minha ausência

se a vida nos separava.

Para sentir teu calor

de ausências sempre voltava,

mas um dia, vê tu bem,

eu cheguei e tu não estavas,

procurei-te e tu não eras

e percebi que me amavas.

Tantas coisas por dizer,

tanto carinho esquecido

e nesse lugar distante

onde não te posso ver,

sinto mãe que já soubestes

o que ficou por fazer

e que sem me dizeres nada

tu me estás a proteger!

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Ser poema

por Naçao Valente, em 11.01.16

Quando o sol despertava

Corria pelos trigais e,

Como um espantalho andante

Punha em stress os pardais.

Gostava de ser poeta

Mas um poeta não sou

Não é poeta quem quer

Mas quem expressa a emoção

Numa taça de saber.

Enquanto reinava o dia e,

Douravam os trigais

Eu sentia poesia

Nos trinados dos pardais.

Se nas estrelas navegasse

Em caravelas de luz e,

Em metáforas me afogasse

Punha em versos decassílabos

A métrica dos trigais.

E quando o sol cansado

De tanta seara amar

Se fazia escuridão,

As aves com seu trinado

Paravam de clilrear

Sem saber bem a razão e,

Como não sou poema

Poema não é quem quer

Vou encerrar este tema e,

ver searas crescer.

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Charlatães

por Naçao Valente, em 03.09.15

Resultado de imagem para passos coelho paulo portas

 

 

 

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Delim delão

por Naçao Valente, em 12.07.15

toca o sino

pra procissão

corre o emigra

no seu carrão

estala o foguete

na festa de verão

 

O rosmaninho

rasteja no chão

milhares de rodas

comem alcatrão

baratas tontas

em diversão

felicidade

em poluição

 

À romaria

chega o ladrão

com  muitos sorrisos

semeia ilusão

parte confortado

por grande ovação

o sino repica

pra corrupção

 

Roubam a seara

pra tirar-lhe o pão

espremem o suor

como um limão

esquece-se a injustiça

e a aflição

pára a caravana

e passa o cão

 

Morra o otário

viva o ladrão

mais o vigário

e o patrão

da nação

delim delão

toca o sino

para a extorsão

 

 

Prenhes as praias

de multidão

tostam  os corpos

rolando no chão

cantam hossanas

ao bendito verão

nas águas mergulha

uma ficção

 

Soam as trombetas

e nasce a canção

jovens imberbes

dormindo no chão

juntam os corpos

em comunhão

incham os ventres

porque é o verão 

 

Velho reformado

conta a pensão

leva o andor

vai na procissão

pede a Deus

só mais um tostão

que estes daqui

Já não lh`o dão.

 

O poeta triste

faz uma canção

poema sem rima

exprime a emoção

ninguém o entende

que desilusão

entre ladainhas

passa a frustração

 

Faz-se sementeira

de mais ilusão

a chuva do medo

raio! apaga o verão

já não toca o sino

para a procissão

Delim delim

Delão delão

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Teresa Torga

por Naçao Valente, em 16.05.15

Teresa Torga, Teresa Torga

artista do musicall

e para pagar as contas

punha música dançante

já depois do pôr do sol

Faltam-lhe as tábuas do palco

a sua felicidade

fez o seu próprio teatro

n`avenida da cidade

onde dançava desnuda

num corpo já sem idade

e quando uma kodac

ia imortalizá-la

os guardiões da moral

começam logo a tapá-la

coartam a liberdade

à vontade de Capela

mas a cena ganha vida

em notícia de jornal

sem imagem da donzela

onde não fica perdida

porque chega Zeca Afonso

Para justiça fazer

numa letra de canção

ela volta a renascer

Teresa Torga, Teresa Torga

tapada com uma toalha

mulher na revolução

aind`é biombo de sala!

 

 

 

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Às sete em ponto da manhã

por Naçao Valente, em 25.04.15

 

 Ver Anexoimagem net

Às sete em ponto da manhã

Precisamente

Da noite sem fim emergiu o dia

“Inicial e limpo”

De luz, de sonho, de alegria,

E depois do adeus à iniquidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti ó cidade?

Às sete em ponto da manhã

Pergunto ao vento que passa

Notícias do meu país

E vento não se cala

Em sons clamando diz:

“Aqui posto de comando das

Forças Armadas"

Liberte-se a liberdade

"Grândola vila morena

Terra da fraternidade".

Eram sete em ponto da manhã

Cai o Carmo e a Trindade

E o povo é quem mais ordena

Dentro de ti ó cidade.

MG

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O poeta morreu

por Naçao Valente, em 24.03.15

Herberto Hélder já não faz mais poemas. O poeta morreu. A poesia vive. Parte um poeta e o mundo fica mais pobre. A poesia fica "e já nenhum poder destrói o poema". A marcha inexorável do tempo, leva o poeta para outros horizontes, mas curva-se à sua poesia, porque "o poema faz-se contra o tempo e a carne". Porque isso é SER POEMA.

 

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

Herberto Helder

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O poeta solitário

por Naçao Valente, em 02.11.14

Rita (nome fictício) entrou na sala de professores com um ar estranhamente afogueado. A professora na casa dos cinquenta dirigiu-se a uma colega com quem partilhava cumplicidades e entregou-lhe um pequeno e perfumado pedaço de papel. Encontrei-o no para brisas do carro, no estacionamento do pingo doce. (passe a publicidade que o unhas de fome do Jerónimo Martins não me paga nem um cêntimo furado) A colega solicitada leu um pequeno texto em letra de forma: 

 A MULHER É COMO O VINHO

 QUANDO TEM QUALIDADE

 SE TRATADA COM CARINHO

 MELHORA COM A IDADE

 

 OS MEUS OLHOS GANHAM BRILHO

 O MEU CORAÇÃO ACELERA

 MESMO QUE ARRANJE SARILHO

 ESTOU FIEL À SUA ESPERA

 

ADMIRADOR CONFESSO

DA SUA CALMA BELEZA

DE CORPO E ALMA ME OFEREÇO

 

E COM TODA A GENTILEZA

ESTOU CONVICTO QUE MEREÇO

SER SÚBDITO DE VOSSA ALTEZA

 

CONTACTE-ME: 9xxxxxxx

 

  

"Fiquei muito perturbada" disse a assim assim casada Rita, procurando controlar a emoção na voz. Vou-te fazer uma confidência de mulher para mulher: tenho as hormonas aos saltos de tal maneira, que até me cresceram as mamas. Depois de desabafar, Rita foi ganhando serenidade e procurou esquecer o incidente. Entretanto o acontecimento foi passando de boca em boca até ser conhecido por toda a comunidade docente. E de tal modo pegou nas mentes femininas, que os habituais cumprimentos foram substituídos entre o mulherio pela frase, "hoje já foste ao pingo doce?". E porque a língua portuguesa é muito traiçoeira as respostas variam de acordo com a protagonista. Assim uma trintona à toa na vida respondeu: já fui ao pingo doce mas continuo na amargura. Uma quarentona mal casada garantiu: já fui ao pingo doce toda empinocada mas ninguém me viu. Uma recentemente descasada que arranjou passarinho novo confessou: já lá fui (sem ter ido) e dei-me muito bem.Repito: a língua portuguesa é mesmo muito traiçoeira.

 

Tenho estado a matutar no desvario que vai na cabeça de tanta dama, e concluio que naquele parque de estacionamento, deve haver um  constante corropio. Até começo a ter pena do poeta sedutor. Com tanta oferta não vai ter mãos a medir, nem vai dar conta do recado. Em verdade garanto que estava a pensar reformar-me nessa área. Contudo, a minha costela solidária está-me a empurrar para o terreno a fim de ajudar o assorbebado sedutor. Não sei se sou poeta e sedutor, admito que seja mas pouco. Mesmo assim vou montar banca num pingo doce perto de si, para procurar dar resposta a tão prementes necessidades. De tal modo que já comecei a alinhavar uns versos adequados a diversas situações. Se aparecer uma com as medidas bem certinhas escreverei:

 

Nem a Vénus de Milo

em todo o seu esplendor

 exalava tanto estilo

e emanava tanto amor

 

Se a candidata for mais para as formas arredondadas arrisco:

 

 No dia mais luminoso

 ou na noite mais escura

 essas formas sinuosas

 são poemas de ternura

 levam um santo à loucura

 

Se tiver olhos azuis:

 

Olhos de grande beleza

que fazem lembrar o mar

e só tenho uma certeza

neles me quero afogar

 

Se tiver um jeito inseguro:

 

 Essa postura insegura

segura de formosura

esconde uma alma pura

Que precisa de ternura

  

Se tiver um aspecto algo deslavado:

 

Nem tudo o que brilha é ouro

em nada existe certeza

o mais famoso tesouro

pode não estar na beleza

 

Se for pouco avantajada:

 

A mulher e a petinga

têm o charme das rosas

podem ser bem pequeninas

mas até são mais cheirosas

 

E por aí fora. Terminarei sempre com esta quadra:

 

Eu não sou um pinga amor

sou um homem de respeito

e estou aqui com fervor

prá receber no meu peito

 

 

E pronto. Agora é só lançar o anzol e esperar que o peixe pique na minhoca, especialmente o esfomeado. Agora é só lançar a escada para socorrer as aflitas. Agora é semear e esperar que a fruta amadureça e me caia no regaço. Espero no entanto que a colheita não seja em excesso se não o feitiço  pode virar-se contra o feitiçeiro. E aí  vou-me arrepender por me meter onde não sou chamdo, só por causa da minha costela solidária. No princípio foi de uma costela solidária que nasceu a mulher, agora e neste caso pode lixar o homem.

 

MG

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Ser poema

por Naçao Valente, em 24.10.14

Quando o sol despertava

Corria pelos trigais e,

Como um espantalho andante

Punha em stress os pardais.

Gostava de ser poeta

Mas um poeta não sou

Não é poeta quem quer

Mas quem expressa a emoção

Numa taça de saber.

Enquanto reinava o dia e,

Douravam os trigais

Eu sentia poesia

Nos trinados dos pardais.

Se nas estrelas navegasse

Em caravelas deluz e,

Em metáforas me afogasse

Punha em versos decassílabos

A métrica dos trigais.

E quando o sol cansado

De tanta seara amar

Se fazia escuridão

As aves com seu trinado

Paravam de clilrear

Sem saber bem a razão e,

Como não sou poema

Poema não é quem quer

Vou encerrar este tema e,

ver searas crescer.

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A tourada continua

por Naçao Valente, em 17.10.14

Não importa sol ou sombra

camarotes ou barreiras

toureamos ombro a ombro

as feras

 

Ary  dos Santos

 

 

Fomos levados ao engano

por capote de um cigano

com promessas do camano

beras

 

Entram moços jotas e comentadores

de falinhas mansas

entram verborreias de falsos doutores

de rotundas panças

entram peões de mentiras e rumores

cuja profissão

se lança

 

Com verónicas de medo

para nos empobrecer

puseram este país

a morrer

 

Temos que enfrentar o bicho

com coragem e sageza

pra atiramos para o lixo

a tristeza.

 

 

Entram boys a fazer campanha

que não sabem nada

gritam slogans cheios de manha

que não valem nada

pintam tudo de uma cor bem neutra

cuja autenticidade

é peta

 

Entram  velhos tontos e oportunistas

e entram paspalhões

entram charlatães, novos vigaristas

e entram os pavões

Entram galinhas de pequena crista

entram os ladrões

à vista

 

Entram sempre  as mesmas quadrilhas

fazem a faena´

entram  coloridas muitas bandarilhas

grandes e pequenas

Entra  o povo manso preso em armadilhas

que enche a arena

que pena

 

Entram as promessas de alguns tostões

e passes de peito

entram as orelhas com as eleições

dadas a preceito

entram as sortes de muitos capotes

passes de muleta

ministros, gestores, ilusões

da treta

 

Entram privatizações,fiscos e falências

charters de chineses

entra a loucura e a incompetência

tantas vezes

entra o orçamento , e a desfaçatez

a mal ou a mal

e grita a estupidez

acabou-se  Portugal

 

MG

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