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O úlltimo Paraíso

por Naçao Valente, em 27.12.16

neteye.com.br
 
O Butão é um pequeno país situado a dois mil metros de altitude entre a China e a Índia. Ali vivem cerca de sentecentas mil pessoas, num recanto perdido do planeta, que teima em ficar fora da globalização e da ditadura dos seus omnipresentes mercados. Na capital do Butão as ruas são limpas, tranquilas e despoluídas. Com uma política de desenvolvimento controlado, evita-se a exploração massiva dos recursos naturais e preservam-se as suas montanhas da destruição alpinista. É contribuinte líquido para a pegada ecológica.
 
O Butão encontra-se em oitavo lugar no índice FNB(Felicidade Nacional Bruta). Entre outros indicadores encontram-se a educação e a saúde gratuitas. País essencialmente agrícola, privilegia o bem estar colectivo em detrimento do trabalho sem regras e do consumo como felicidade. Mas não existe pobreza no Butão? Existe como em todos os países desenvolvidos. A diferença é que aqui procura-se diminuí-la pela via de uma repartição mais equitativa da riqueza, dentro do princípio do equilibrio entre valores materiais e espirituais.
 
Em época natalícia, considerada de paz e solidariedade, vem a talhe de foice lembrar um conceito de vida que está nos antípodas das valores dominantes nas sociedades do liberalismo capitalista  - a corrida atrás de uma ilusão de felicidade para parte nenhuma. Ali naquele canto perdido dos Himalaias reside o verdadeiro Shangri-la. Ali está, talvez, o último reduto onde o espírito do autêntico Natal ainda existe.
 
MG 

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E Deus criou a mulher

por Naçao Valente, em 23.11.13

Todos sabem. Deus criou Adão e descansou. Mas por pouco tempo. Olhou e viu-o acabrunhado de tristeza. Mas porquê se tinha todo o mundo para si? Olhou de novo, leu-lhe o pensamento e percebeu: Adão tinha acabado de inventar a solidão. Deus reconheceu a sua falha e resolveu agir. Esperou que Adão adormecesse, tirou-lhe uma costela e fabricou a mulher, Eva. Olhou, viu felicidade no rosto de Adão, gostou e concluiu que podia finalmente descansar. Antes, com a autoridade de um pai disse: crescei e multiplicai-vos. E assim se fez. O multiplicador começou a funcionar mas com pouca equidade. Multiplicava mais as mulheres que os homens e de tal modo que muitas ficavam sem companheiro. Para compensar a situação e perante a ausência de Deus, alguns homens multiplicaram-se por várias mulheres. Sem maldade tinham inventado o adultério. Concomitantemente nasceu o pecado. Para dar a volta ao texto, de forma subtil, o profeta Maomé fez contas e decretou que cada homem devia cuidar de sete mulheres. Assim se fez e extraordinariamente se equilibrou o que o multiplicador desequilibrava.

 

A cristandade não adoptou a norma e o problema continua a persistir. Foram porém as mulheres que encontraram a solução. Para sairem do domínio masculino, conquistaram a sua autonomia. Sairam da situação de dependentes e invadiram todas as profissões onde, dado o seu estatuto demográfico, aparecem em maioria.

 

É por isso que na pastelaria onde vou tomar café trabalham, para além da proprietária, mais três empregadas. Tudo evas. Chego até a interrogar-me se o que me atrai para aquele espaço é o delicioso sabor do café ou a deliciosa presença das simpáticas evas. Até porque logo que entro e me aproximo do balcão, uma eva loura e reconchuchudinha me atinge com o olhar e me fuzila com um largo sorriso, fazendo a pergunta sacramental: -É um carioca cheio com adoçante? Quando acabo de confirmar, pela enésima vez e a moça se vira para se dirigir à máquina já  uma outra, morena com corpo modelito, colocada estrategicamente, está a tirar o café. Parece que tenho dois amores, mas não. Eu sou realista. Sei que isso não se deve aos meus lindos (sem falsa modéstia) olhos. Deve-se concerteza apenas a eficiência profissional que às vezes é tanta que quando chego ao balcão já lá está o fumegante café. Ouso até afirmar que quando Deus criou a mulher não a pensou tão  determinante na felicidade da humanidade. Só tenho pena que não tenhamos direito a mais que uma quando não somos muçulmanos. Pondero tornar-me mormon. E porque Deus não estipulou quantas mulheres podemos ter sinto-me com livre arbítrio de escolher mais umas evas. Só espero que a minha eva não leia isto, senão ainda me põe fora de casa. De qualquer modo e pensando bem, se isso acontecer, sei que há por aí muitas evas e tenho esperança que alguma me acolha. Ou não!?

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Pássaros e passarões

por Naçao Valente, em 28.01.13

 

Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração
 
      Ruy Belo
 
 

 

Às vezes tenho inveja da vida dos pássaros. Invejo a sua liberdade de deslocação sem andar em estradas superlotadas, enfiados em latas fumegantes que desprezam de quando em vez. Que o diga o meu  1.5 ao receber as suas descargas de matéria orgânica. Invejo a sua liberdade de escolherem uma habitação sem pagarem renda, IMI e juros especulativos aos nossos amigos bancos. Invejo a sua ignorância quanto à existência da troika e da dupla Gaspar/Relvas. Invejo o seu modo de vida, sem obrigações de horários e sem terem de se sujeitar aos caprichos prepotentes de empresários e políticos. Invejo a sua capacidade de se alimentarem com esforço qb e sobretudo a regalia de não terem de produzir mais valias para enriquecer passarões. Invejo-os por não terem cartão de crédito e por se estarem lixando para os mercados. O mundo dos pássaros é um mundo verdadeiramente socialista. Ideólogos da igualdade aprendam com eles.

 

Quando faço os meus passeios de fim de tarde e passo por um jardim arborizado ouço-os em frenéticos chilreios nas ramagens das copas das árvores. E gostaria de saber o que dizem na sua linguagem de pássaros. Como não foi descodificada limito-me a imaginar  e aí vejo-os felizes em amena cavaqueira a comemorar o fim de mais um dia sem preocupações do que virá a seguir. Vejo-os alegres pela simples razão de terem existência, sem preocupações, sem stress, sem depressões. E aí apetece-me gritar: psicólogos, psiquiatras, aprendam com eles. E se me entendessem gostaria de lhes dizer: obrigado amigos pela vossa presença, obrigado companheiros por me alegrarem os dias a troco de nada.

 

Se houvesse possibilidade de transmutação entre espécies, gostaria de ser pássaro nem que fosse apenas por um dia. Adoraria voar livre e ir com outros pássaros até ao palácio de S. Bento e fazer uma descarga de matéria fecal sobre passarões que por ali abundam. Ou então imitando os pássaros amestrados e de faz de conta de hitchcock gostaria de bicar a sério os passarões da nossa angústia de cada vez que destilam verborreia e acção em nome de interesses que colidem com o respeito pela dignidade dos seres que se arrogam a representar. Invejo, no bom sentido, os pássaros pelo que são, pelo que me proporcionam, sem clara consciência. E quanto mais observo os pássaros mais me convenço que o mundo só será verdadeiramente livre quando adoptarmos a sua sabedoria e nos livrarmos de passarões. 

 

MG

 

 

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Voltei ao mercado

por Naçao Valente, em 23.01.13

 

Estou feliz. Hoje voltei ao mercado. Passei ufano por entre bancadas de fruta, deliciei-me com o seu brilho colorido, impregnei-me do seu odor natural. Deambulei pelo corredor do peixe e apaixonei-me por uma chaputa e imaginei-a a bronzear-se num forno para me proporcionar prazer. Deslizei pela face dos talhos e lavei os olhos nas coxas de galinha. Só surgiu um pequeno problema: nada era de graça, tudo tinha um preço. Mas continuei feliz. Estava no mercado.

 

Meti a mão no bolso na procura de algumas moedas que tivessem escapado à voracidade dos impostos e à diminuição dos salários. Mas estavam estranhamente vazios. Apercebi-me então que estavam rotos e que as poucas moedas se haviam escoado pelo buraco da dívida ao crédito para sobreviver. Depois de muito rebuscar lá consegui descobrir alguns cêntimos esquecidos pela sua irrelevância. Contados e recontados deram para comprar uma cenoura. Adeus maçãs reluzentes, adeus chaputa deliciosa, adeus coxas bem torneadas. Saí, embevecido, com uma cenoura. Até posso ser burro mas já tenho a cenoura e estou feliz. Voltei ao mercado.

 

Zé Povinho 

 

Queres  dinheiro para ir ao mercado?

 

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Ser feliz

por Naçao Valente, em 22.02.11
Por sara maria, às 09:35

Ser feliz por exemplo...

Blog A rapariga que matou o coração.

 

Ser feliz por exemplo...mas o que é ser feliz? Ser feliz pode ser tudo e pode ser nada.Ser feliz é um estado de espírito; são momentos,uns duradouros outros fugazes.Correr. Há felicidade num olhar ocasional,numa relação imprevista, num sorriso, na beleza de uma flor, no voo de uma gaivota tentando roubar comida, numa noite de lua cheia, numa recordação,num sonho irrealizável, num cheiro, num sabor...

Há pessoas felizes com lágrimas, há gente que alia felicidade a bem estar material. Para mim felicidade é um conceito tão vago , tão pessoal, tão momentâneo que é impossível de definir. É mais fácil a felicidade encontrar-nos, do que sermos nós a descobri-la por mais que a procuremos.

A felicidade é uma coisa fantástica e como as coisas fantásticas umas vezes há, outras não há...e quem disser que é sempre feliz é porque mente!

 

MG

 

A opinião de um mestre:

 

 

Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

Fernando Pessoa

 

 

 

 

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O último paraíso

por Naçao Valente, em 26.12.10

neteye.com.br

 

O Butão é um pequeno país situado a dois mil metros de altitude entre a China e a Índia. Ali vivem cerca de sentecentas mil pessoas, num recanto perdido do planeta, que teima em ficar fora da globalização e da ditadura dos seus omnipresentes mercados. Na capital do Butão as ruas são limpas, tranquilas e despoluídas. Com uma política de desenvolvimento controlado, evita-se a exploração massiva dos recursos naturais e preservam-se as suas montanhas da destruição alpinista. É contribuinte líquido para a pegada ecológica.

 

O Butão encontra-se em oitavo lugar no índice FNB(Felicidade Nacional Bruta). Entre outros indicadores encontram-se a educação e a saúde gratuitas. País essencialmente agrícola, privilegia o bem estar colectivo em detrimento do trabalho sem regras e do consumo como felicidade. Mas não existe pobreza no Butão? Existe como em todos os países desenvolvidos. A diferença é que aqui procura-se diminuí-la pela via de uma repartição mais equitativa da riqueza, dentro do princípio do equilibrio entre valores materiais e espirituais.

 

Em época natalícia, considerada de paz e solidariedade, vem a talhe de foice lembrar um conceito de vida que está nos antípodas das valores dominantes nas sociedades do liberalismo capitalista  - a corrida atrás de uma ilusão de felicidade para parte nenhuma. Ali naquele canto perdido dos Himalaias reside o verdadeiro Shangri-la. Ali está, talvez, o último reduto onde o espírito do autêntico Natal ainda existe.

 

MG 

 

Na revista Visão pode ler o artigo que inspirou este texto, intitulado "Viagem ao reino da felicidade".

 

 

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