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É sexta feira

por Naçao Valente, em 13.01.17

Tantos anos a dar cabo da cahimónia
para ser estagiário de seiscentos  patacos
ou privilegiado do salário mínimo da parvónia
que nem dá para comprar sapatos
Esfalfei-me para tirar o curso de Bolonha
fiz  na boa o velho Erasmus
com tanto empenho e nem fiz ronha
As gajas não ligam, mas que treta
que interessa ser bonito sem ter cheta

É sexta feira
andei a semana toda
teso e sem nenhum pilim
quero dar uma...
pimpimpim

Andam ai os figurões da alta roda
a dar cabo desta merda toda
e não há quem os ponha na alheta
e acabe de vez com esta treta
Tratam a banca com os joelhos
até nos rapam os pintelhos
e nós nunca lhes damos tampa
e ainda vamos levar com a "trumpa"

É sexta feira
tive uma semana chata
nem vi sombra de uma rata
nem o euromilhões me sai
aiaiaiai

Até pensei em emigrar para outros horizontes
mas na Europa está tudo louco
os jovens já contam pouco
e cortam-nos todas as pontes
Alguns  só pensam em brexitar
outros querem muito mais poder
e porque hoje é sexta-feira
digo que se vão fod.

 

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Ética e austeridade

por Naçao Valente, em 15.07.15

"É uma austeridade com ética"

 

Marco António, membro do governo de Portugal

 

A ética pode ser austera? A austeridade pode ser ética? Ética e austeridade sendo significantes têm um ou mais significados. Há ética na austeridade? Eis a uma boa questão!

Que me perdoem Sócrates, Platão, Spinoza, Descartes, Voltaire, Kant e muitos outros do métier, por meter foice em seara alheia. Ao buscar significados li que "a  ética busca fundamentar as acções morais apenas pela razão" e  em síntese  "pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando se julga do ponto de vista do Bem e do Mal". A austeridade, sendo um termo mais abrangente e que quando aplicada à economia, significa rigor no controle de gastos, o que no plano prático e no panorama actual, seja na Grécia ou mesmo nos Estados Unidos, quer dizer sacrifica-se o bem estar (geral) social para salvar o bolso dos investidores.

Ora quando se sacrifica o bem estar, em detrimento de interesses particulares, estamos perante uma conduta inserida no campo do Bem ou do Mal? Depende da perspectiva. Para os beneficiários directos desse sacrifício, é um acto justo, mas para os prejudicados um roubo. Significa que para os primeiros e seus testas de ferro, aumentar  rendimentos à custa de baixa de salários e de outros direitos adquiridos pela populações é moralmente aceitável. Mas sendo aceitável na sua perspectiva, não o é na dos que ficam ainda mais espoliados. Acresce que estes não deram o seu aval ao que foram obrigados a aceitar pela força dos jogos de poder .

A exploração dos mais fracos pelos mais fortes, pela austeridade ou por outro qualquer processo, sendo essencialmente uma acção da alçada da moral, mesmo mascarada como medida económica inevitável é um acto moralmente condenável. É um acto que põe em causa a dignidade do ser humano.

Quando um governante se serve da ética, como forma de justificar a austeridade/exploração, está a enxovalhar um conceito, atribuindo-lhe um novo significado, traduzido na amenização da austeridade pela ética. Mas casar a ética com a austeridade não deixa de ser um esbulho, para passar a ser um esbulho Bom. O que não é eticamente aceitável é que se distorça de forma grosseira o significado das palavras. O que é eticamente intolerável, é que se considere que, casando o bandido com o benfeitor o livramos da condenação. Uma coisa são logros  e outra são realidades e por mais que os testas de ferro dos "investidores" procurem justificações para as malfeitorias estas não deixam de o ser. O saque despudorado, a falta de respeito pela dignidade humana, não é desculpável. É um crime sem castigo. Não metam a ética nisso.

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Maio de luta

por Naçao Valente, em 01.05.15

Maio foi, o século XIX, período de luta por horários de trabalho dignos. Não foi fácil, morreu gente. Conseguida a jornada de trabalho de oito horas diárias, o primeiro de Maio  sagrou-se  como dia comemorativo  da conquista de direitos de cidadania. E assim continua a ser ano após ano. Mas passado mais de um século, neste início do século XXI, a exploração dos trabalhadores, com redução de regalias conseguidas, voltou à ordem do dia. Significa que as conquistas por melhores condições de vida não foram dadas de mão beijada. Significa que a divisão de classes, com novos matizes, continua a ser uma realidade. Significa que a classe trabalhadora não pode dividir-se e deve continuar unida quer social quer politicamente. A divisão tem favorecido o ressurgimento dos demónios da "escravatura" assuma ela que forma assumir. O risco de recuar até ao século XIX não é tão absurda como pode parecer.

MG

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O melhor do ano 2014

por Naçao Valente, em 20.12.14

O melhor do ano que vai terminar seria o que devia ter acontecido e não aconteceu, a saber: a reposição dos salários inconsticionalmente reduzidos; o pagamento integral das pensões ilegalmente diminuídas, a valorização do trabalho, usado apenas como reprodutor de mais valias; a reapreciação do sistema de impostos depois de um brutal aumento sobre os rendimentos do trabalho; a valorização da educação descaracterizada há mais de três anos; o respeito pelo direito à saúde; a exorcização do fantasma da troika que continua a ensombrar; a retoma do orgulho nacional; a mais justa repartição da riqueza; o regresso da Europa a um caminho de igualdade entre nações; o fim desse regresso à idade das trevas misto de brutalidade e loucura que dá pelo nome de estado islâmico. Logo no ano que vai acabar anterior, no que diz respeito a contecimentos positivos, nada a registar.

MG  

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O povo unido nunca mais será vencido

por Naçao Valente, em 12.06.14
Depois da fome, da guerra

Da prisão e da tortura

Vi abrir-se a minha terra

Como um cravo de ternura


E agora o povo unido nunca mais será vencido



Este poema de Ary dos Santos que foi canção ícone da revolução dos cravos é exemplificativo do exagero ingénuo dos poetas. Por duas ordens de razões: a primeira é que o povo nunca foi unido; a segunda é que sempre foi e continuará a ser vencido. O povo aqui visto como a classe produtora, aquela que produz a riqueza, mas que dela não é a maior beneficiária e sempre esteve dividido.


No caso da revolução de Abril, essa divisão foi evidente logo durante o PREC. De um lado estavam os partidários da instalação de outra ditadura, de rosto esquerdista, e do outro os defensores de um regime democrático parlamentar. Dessa luta que atravessou o verão quente de 1975, saiu vencedora  a solução democrática encabeçada pelo PS e Mário Soares, atrás da qual se escondia toda a direita envergonhada e assustada.


Logo os partidos da via comunista se renderam à democracia e se adaptaram aos novos tempos. O certo é que essa divisão inicial se manteve grosso modo com cambiantes. E o que se constata é que não é uma divisão entre ricos e pobres, entre exploradores e explorados. É uma divisão dentro da classe popular. E são os partidos que se reivindicam, com propriedade de representantes do povo, que o dividem. Para além disso, os partidos da direita, maquilhados de defensores do interesse popular,  conseguem arregimentar, contra-natura parte desse eleitorada.


Assim chegamos à situação actual. Passo a passo a direita dos interesses, com o apoio daqueles que explora, foi aumentando o seu poder. Hoje a arrogância da exploração já não se contenta em retirar direitos que foi forçada a ceder. Divide cada vez mais, atiçando divisões entre gerações ou entre público e privado. Hoje os detentores do poder ousam desrespeitar a própria democracia e as suas instituições. Anos depois de Abril o povo que nunca esteve unido, está cada vez mais dividido. E o mais preocupante é que ainda não percebeu que é um peão de brega nas mãos dos poderosos.


MG

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Descalço

por Naçao Valente, em 27.03.14

Durante a minha infância a pobreza era assumida como um destino.  Mais pobre que os pobres, da aldeia onde nasci, era o Descalço, caldeireiro itinerante. Em tempos de apologia da pobreza e de concretização de um processo de empobrecimento como um objectivo necessário e até como um castigo para os portugueses, aqui presto justa homenagem ao Descalço, esteja onde estiver. Nesta sociedade condenada, pelos seus principais dirigentes, à pobreza sem fim, os "Descalços" vão começar a multiplicar-se, perante a apatia geral. Este povo transporta  consigo, os genes da subserviência, numa postura de descalços de dignidade.

 

 

Descalço nasceu pra vida

descalço continuou

sapatos nem de defunto

nunca nos seu pés usou.

Num saco de linho sujo

trazia a sua existência

um prato, um copo de vinho,

e a sua competência.

A sua casa era o mundo

dormia em lençóis de nuvens

tapado com raios de sol

vestido de vagabundo

num andar de girassol.

 

No adro da velha igreja

exercia a profissão

remendava uma panela

velha na sua função,

numa chapa de metal

desenhava um belo peixe

para a sua refeição;

envolto em manta de vinho

deitava o sono no chão

fosse inverno ou fosse verão. 

Partia como viera

até um dia voltar

o nome que mãe lhe dera

não sabia soletrar

nem na forma de sonhar.

 

Descalço nasceu na vida

sapatos nunca rompeu

saiu sem despedida

e nunca mais apareceu

foi numa rota perdida

ou

descalço foi para o céu

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Terra de cegos

por Naçao Valente, em 23.01.14

Eis a verdade nua e crua. Cinquenta por cento da riqueza está nas mãos de um por cento da população. Os outros noventa e nove por cento dividem a outra metade da riqueza. Sendo certo que essa distribuição também está muito longe de ser equitativa. Possivelmente continuará a aplicar-se a mesma formula, ou seja uma pequena minoria açambarcará mais metade dos cinquenta por cento. Deste modo às mãos da maioria chegam apenas migalhas para poder sobreviver e garantir a criação da riqueza que a maioria absorve.

 

A distribuição da riqueza mundial está no cerne das enormes desigualdades sociais existentes. Daí que seja completamente demagógico o discurso de que as populações vivem acima das suas possibilidades. È falso. Antes pelo contrário a maioria dos cidadãos vivem abaixo do limiar da dignidade. Na verdade não deixam de ser escravos a quem foi criada a ilusão da liberdade. Mas só existe verdadeira liberdade quando a divisão da riqueza criada for mais equilibrada. De facto, os únicos que vivem escandalosamente acima das suas possibilidades são a minoria que usufrui dos recursos que a maioria produz.

 

O que é grave, triste e lamentável é que sejam os explorados  acreditar que a sua espoliação é normal e justa e continuem a aceitar a narrativa que os considera os responsáveis pela crise "inventada" para lhes diminuir direitos sociais. Enquanto persistir a cegueira geral basta ter um olho para ser rei.

 

MG 

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A razão de ser da cultura

por Naçao Valente, em 09.01.14

"É preciso elevar o povo à altura da cultura e não rebaixar a cultura ao nível do povo"

                                                                         

                                                                                    Simone de Beauvoir

 

Nasceu num dia 9 de Janeiro e viveu grande parte da sua vida no século XX. Século de extremos: duas mortíferas guerras, milhares de jovens que não envelheceram, regimes de feroz brutalidade, guerra fria, queda de fascismos, democratização, desenvolvimento, nivelamento social, Maio de 68. Viveu no tempo em que foram derrotados os projectos de nacionalismos xenófobos. Assistiu à derrota dos obscurantismos e de esperança na vitória da cultura. Rebaixar a cultura ao nível do povo inculto é acabar de vez com a cultura. Elevar o povo à altura da cultura é combater a ignorância que permite que a exploração seja aceite como uma coisa natural e que continue a perpetuar-se a apropriação da riqueza por uma minoria.

 

Simone de Beauvior teve a felicidade de ver o mundo começar a mudar no sentido de uma sociedade mais igualitária. Hoje constataria que essa pretensa mudança foi como um fogo fátuo. E com a sua inteligência perceberia que foi apenas um passo atrás nos privilégios seculares, um recuo táctico, para preparar novo avanço. E verificaria a razão do seu pensamento: nenhum mudança será duradoura e estável enquanto não colocarmos a cultura como a primeira prioridade. O resto vem por acréscimo.

 

MG

 

 

 

 

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Ser ou não ser parvo

por Naçao Valente, em 10.02.11

A prosperidade europeia e do seu prolongamento (EUA) fez-se à custa da exploração da riqueza de outros continentes. Só assim foi possível usufruir da maior parte do rendimento do planeta e distribuí-lo por todas as camadas sociais. Por detrás dessa prosperidade está muito trabalho semi-escravo na Ásia e na África.

 

A Ásia está a libertar-se desse jugo e a exigir a sua fatia do bolo. A África fa-lo-à um dia. As fatias são agora mais pequenas. As populações europeias já começam a senti-lo. Das duas uma: ou se consegue aumentar o tamanho do bolo ou temos de nos habituar a fatias mais pequenas. E temos, também, de pensar numa redistribuição da riqueza de forma mais equitativa. Significa parar a roda livre do liberalismo sem regras. Significa tirar da mãos dos especuladores o controlo  da economia. Significa recentrar o poder na área política, forte e reguladora.

 

Vem isto a propósito de uma canção agora muito citada, como revolucionária. Parece-me ser uma canção bem conseguida que levanta problemas que afectam os jovens na actualidade. Indo um pouco contra a corrente, estamos perante uma componente de uma realidade que é muito mais complexa que a descrita. Nem se pode exigir muito mais a uma canção. Ao menos faz reflectir sobre o presente que atrás descrevo e só por isso já é positiva.

 

MG

 

 

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