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Naquela leda e feliz madrugada

por Naçao Valente, em 25.04.17

 

Aquela estranha e leda madrugada
Cheia de esperança e de felicidade,
Vive e revive na nossa saudade
para ser sempre celebrada.

Levanta-se o país adormecido
Clama! Liberte-se a liberdade,
Pela força da razão, e da vontade,
Depois de anos e anos reprimida.

Nas ruas, corre caudaloso rio,
Em ondas de gente desvairada,
Mostrando o ancestral brio,

Da nação, há muito, enclausurada.
Batel, barco , nau, navio…
Naquela leda e feliz madrugada.

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Pluralismo já

por Naçao Valente, em 25.10.15

Em 1975 a comunicação social estava refém de um processo político revolucionário esquerdista, que pretendia instaurar uma ditadura de sinal contrário à que tinha sido derrubada. O direito à expressão livre estava ameaçado. A viragem para a pleno pluralismo de opinião, começou com um episódio que surpreendeu os espectadores que viam, em directo, o capitão Clemente, na sua prédica de educação da classe operária. A emissão, perante o espanto do revolucionário de camuflado de guerra, foi repentinamente suspensa e substituída por um filme de Danny Kay.  Este evento, marca, a nível comunicacional, um passo fundamental rumo à democracia parlamentar.

Quarenta anos depois voltamos a ver os canais noticiosos, novamente reféns do totalitarismo informativo. Os partidos que hegemonizam o aparelho do estado estenderam a sua rede tentacular à comunicação televisiva. Jornalistas, comentadores, analistas remam todos para o mesmo lado. São sobretudo apóstolos da verdade única, mais sofisticados, sem barba e sem camuflado, e que representam o governo de direita. Emitem opiniões sobre as suas virtudes e diabolizam outra alternativa que resulte da oposição de esquerda. Procuram, como Clemente em 75, condicionar consciências, na defesa de um processo revolucionário, que visa perpetuar a direita no poder. Ilegitimam os partidos da extrema esquerda e toleram o PS como muleta da coligação até à conquista do poder absoluta. Fazem-no com total impunidade. Fazem-no sem qualquer contraditório. Esse grande valor de Abril, esse grande valor universal, a liberdade de expressão livre e igualitária está afastada dos canais televisivos. Chegou a altura de nos levantarmos como em 1975, em defesa da liberdade. É tempo de exigirmos através de todos os meios, respeito pelo pluralismo.

MG

 

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Viver o PREC. Onde estava a direita no 25 Abril?

por Naçao Valente, em 16.10.15

Tive a honra e o privilégio de viver ao vivo e a cores o período denominado PREC. Vivi momentos de grande exaltação e de esperança num mundo novo. Para além das expectativas criadas, a vivência do PREC foi, só por si, um momento inolvidável e irrepetível. Para mais era jovem e essa experiência marcou e condicionou toda a minha vida. A discussão nas ruas e em sessões de esclarecimento, as manifestações espontâneas, a partilha de vontades comuns e desinteressadas, constituem um acervo que perdurará na memória daqueles que o viveram. A luta na rua, como na grande manifestação na Alameda, onde o PS de Mário Soares enfrentou a deriva esquerdista que pretendia impor uma ditadura de sinal contrário, é um dos momentos cruciais da instauração de uma democracia em Portugal. 

E onde estava a direita no 25 de Abril? Estava escondida, amedrontada, envergonhada, debaixo do chapéu do Partido Socialista. É preciso ser claro: a direita e esta direita arrogante, insensível e amoral que agora nos governa, não teria chegado ao poder sem a acção civil e militar dos socialistas, para que fôssemos governados, democraticamente, com todos os defeitos que este sistema contém. Só por isso o PS merece mais respeito desta santa aliança, que com ramificações em toda a comunicação social, nos quer lavar o cérebro. Pode lavá-lo a incautos, a iletrados políticos e especialmente a esses filhos da democracia que não conheceram o país obscuro que Abril derrubou, mas não o lavará a todos aqueles que sonharam com um pais desenvolvido e livre.

O mini PREC que agora se vive faz-me sentir de novo desperto da pasmaceira em que se tornou a vida política com a normalização do sistema democrático. Tudo se resume a umas eleições de quatro em quatro anos, onde grupos cada vez mais restritos, disputam a caça ao voto, com promessas e mentiras, muitas mentiras. Depois, no entretanto, cometem todos os dislates que ficam sempre sem castigo. Esta democracia, refém de políticos sem cultura, sem história e sem princípios é um simulacro de democracia. Gente sem formação humanista, tecnocratas sem alma, mesmo quando usam crucifixo, blasfemos sem pecado original, filhos de Belzebu disfarçados de pessoas, ocuparam lugares chave da sociedade. Estão instalados em todas as televisões, sem excepção, donde procuram, em homilias concertadas, converter os últimos infiéis. Assiste-se a uma despudorada campanha de captura das consciências. Vivemos um anti 25 de Abril.

A rebeldia de António Costa contra este status, começa a inquietar os próceres dasubmissão. Assim se explica que já tenha posto em campo todos os seus apóstolos da missionação e todos os profetas do apocalipse, alcandorados em púlpitos estratégicos. E até os fariseus colocados dentro do PS estão a ser convocados, com um tal Francisco Assis da parte negra da força, um Judas sem mandato divino. Se Costa conseguir unir a esquerda desavinda e vencer os captores da democracia, que se pudessem a poriam na gaveta, reabrirá o espírito do 25 de Abril. Não sabemos como terminará o processo, mas só o facto de ter ousado derrubar o muro que o PREC abriu, merece a minha gratidão. De facto, desde os tempos revolucionários, que não me sentia tão vivo. Aconteça o que acontecer, valeu a pena, sentir de novo um cheirinho de PREC.

MG

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25 de Abril: entre a soneca e a sonolência

por Naçao Valente, em 27.04.15

Passou mais um dia 25 de Abril. Alguém chamou à sessão solene na AR, a sessão soneca. Estas comemorações no hemiciclo merece bem o epíteto. Discursos de circunstância, sonolentos, vazios de conteúdo. Um frete que todos os presentes esperam que acabe depressa. Mas as manifestações comemorativas tocam pelo mesmo diapasão. Transformaram-se num ritual, onde os ritos se repetem, mecanicamente, de ano para ano. E apenas um grupo de fiéis se empolga com a cerimónia, igual a tantas outras a que os mesmos sempre comparecem quando convocados pelo seu clero. É a opção entre a soneca e a sonolência.

O 25 de Abril foi na sua essência um movimento libertador. Derrubou um regime que estava moribundo e se arrastava numa agonia à espera de misericórdia. Devolveu à nação o direito de escolher os caminhos do seu destino colectivo. Consolidou o processo democrático com os seus defeitos e virtudes. Agora, os portugueses, podem decidir a vários níveis quais são os seus governantes. É certo que nem sempre decidem bem. É certo que os oportunismos se aproveitam da ingenuidade dos eleitores. Mas na contabilidade do deve e do haver, o saldo a favor dos valores de Abril, é muito positivo.

Sem falsa modéstia, também me considero um cidadão de Abril. Tive a grande honra de ter visto cair o regime no largo do Carmo. E como outros, ter dado com a minha presença, uma pequena contribuição, para o êxito desse evento. Contudo, o 25 de Abril não foi apenas um momento, mas um processo atribulado até ao 25 de Novembro. E continua a ser um processo contínuo de actualização numa realidade dinâmica. E isso é o mais importante. As comemorações, com mais ou menos cravos, são o que são, cerimónias do foro do simbólico. E assim sendo, cada vez mais sonolentas.

MG  

 

  

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Às sete em ponto da manhã

por Naçao Valente, em 25.04.15

 

 Ver Anexoimagem net

Às sete em ponto da manhã

Precisamente

Da noite sem fim emergiu o dia

“Inicial e limpo”

De luz, de sonho, de alegria,

E depois do adeus à iniquidade

O povo é quem mais ordena

Dentro de ti ó cidade?

Às sete em ponto da manhã

Pergunto ao vento que passa

Notícias do meu país

E vento não se cala

Em sons clamando diz:

“Aqui posto de comando das

Forças Armadas"

Liberte-se a liberdade

"Grândola vila morena

Terra da fraternidade".

Eram sete em ponto da manhã

Cai o Carmo e a Trindade

E o povo é quem mais ordena

Dentro de ti ó cidade.

MG

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Abril, Zeca e Teresa Torga

por Naçao Valente, em 24.04.15
 
 

sem nome.png  teresa.jpg

capela.png

Zeca Afonso

No centro da Avenida
No cruzamento da rua
 Às quatro em ponto perdida
Dançava uma mulher nua
A gente que via a cena
Correu para junto dela
No intuito de vesti-la
Mas surge António Capela
Que aproveitando a barbuda
Só pensa em fotografá-la
Mulher na democracia
 Não é biombo de sala
Dizem que se chama Teresa
Seu nome é Teresa Torga

Muda o pick-up em Benfica
Atura a malta da borga
Aluga quartos de casa
Mas já foi primeira estrela
Agora é modelo à força
Que a diga António Capela
T'resa Torga T'resa Torga
Vencida numa fornalha
Não há bandeira sem luta
Não há luta sem batalha

 

O 25 de Abril de 74 começou por ser uma mensagem, em tons quase épicos, nas ondas da rádio. Depois foi ganhando corpo nas ruas e na euforia das gentes. Faz amanhã quarenta e um anos. Nesse dia a liberdade passou por aqui, gostou e ficou.

Teresa Torga começou por ser mais uma canção na voz de Zeca Afonso. "Mulher na democracia não é biombo de sala". Liberdade de manifestação, liberdade de expressão, "mas chega António Capela que aproveitando a barbuda só pensa em fotografá-la". Para além do simbolismo que a figura representa no episódio real que deu origem ao poema, "não há bandeira sem luta não há luta sem batalha", quem foi Teresa Torga?

Teresa Torga não é apenas um nome. Existiu e tem uma história. Artista do musical antes da revolução de Abril  "ela tinha sido fadista, actriz de teatro de revista e vivido durante algum tempo no Brasil. Reportava também a sua condição de paciente de um conhecido hospício".(citação do texto, gentilmente. enviado por Alan Romero em Abril de 2011) 

Teresa Torga deixou de ser apenas musa de canção e paradigma dos direitos da mulher, graças à divulgação do blog "Rua dos Dias que Voam" que recuperou uma entrevista sua dada à revista Plateia, e ao empenho do jornalista e investigador Alan Romero que lhe recuperou o rosto e a voz . Ganhou corpo e vida. Viverá .

Da lei da morte se libertou sobretudo devido à liberdade que Abril abraçou. Da liberdade de expressão que permitiu que fosse notícia de jornal (Diário de Lisboa) e personagem ficcionada por José Afonso "No centro a da Avenida  No cruzamento da rua As quatro em ponto perdida  Dançava uma mulher nua". Em mais uma efeméride do dia que pôs fim à ditadura, aqui quero recordar, de novo, Teresa Torga para que a sua memória viva no poema que a ressuscitou e no imaginário de todos aqueles que se tem interessado pela sua experiência de vida.

MG 

 

 

 

 

 

  

 

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O povo unido nunca mais será vencido

por Naçao Valente, em 12.06.14
Depois da fome, da guerra

Da prisão e da tortura

Vi abrir-se a minha terra

Como um cravo de ternura


E agora o povo unido nunca mais será vencido



Este poema de Ary dos Santos que foi canção ícone da revolução dos cravos é exemplificativo do exagero ingénuo dos poetas. Por duas ordens de razões: a primeira é que o povo nunca foi unido; a segunda é que sempre foi e continuará a ser vencido. O povo aqui visto como a classe produtora, aquela que produz a riqueza, mas que dela não é a maior beneficiária e sempre esteve dividido.


No caso da revolução de Abril, essa divisão foi evidente logo durante o PREC. De um lado estavam os partidários da instalação de outra ditadura, de rosto esquerdista, e do outro os defensores de um regime democrático parlamentar. Dessa luta que atravessou o verão quente de 1975, saiu vencedora  a solução democrática encabeçada pelo PS e Mário Soares, atrás da qual se escondia toda a direita envergonhada e assustada.


Logo os partidos da via comunista se renderam à democracia e se adaptaram aos novos tempos. O certo é que essa divisão inicial se manteve grosso modo com cambiantes. E o que se constata é que não é uma divisão entre ricos e pobres, entre exploradores e explorados. É uma divisão dentro da classe popular. E são os partidos que se reivindicam, com propriedade de representantes do povo, que o dividem. Para além disso, os partidos da direita, maquilhados de defensores do interesse popular,  conseguem arregimentar, contra-natura parte desse eleitorada.


Assim chegamos à situação actual. Passo a passo a direita dos interesses, com o apoio daqueles que explora, foi aumentando o seu poder. Hoje a arrogância da exploração já não se contenta em retirar direitos que foi forçada a ceder. Divide cada vez mais, atiçando divisões entre gerações ou entre público e privado. Hoje os detentores do poder ousam desrespeitar a própria democracia e as suas instituições. Anos depois de Abril o povo que nunca esteve unido, está cada vez mais dividido. E o mais preocupante é que ainda não percebeu que é um peão de brega nas mãos dos poderosos.


MG

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Democracia-a ternura dos quarenta

por Naçao Valente, em 25.04.14

 

imagem retirada da net

 

 

Fazes hoje quarenta anos. Nascestes no dia 25 de Abril de 1974. Tive o raro privilégio de te ver nascer naquela tarde primaveril de Abril. No largo do Carmo assisti ao teu parto sem dor. Parabéns democracia. Quarenta anos é cerca de metade da vida de um cidadão. Mas para um regime político é ainda o início da infância e da enorme ternura que merece. Tivestes pais generosos, que sem egoísmo, te entregaram a pais adoptivos para te ajudarem a crescer. Nem sempre o fizeram da melhor maneira. Cometeram erros de que não és culpada.

 

Baptizaram-te com o nome de Liberdade Igualdade Desenvolvimento. Foste fazendo jus ao teu nome. A liberdade instalou-se com firmeza e em certos aspectos com algum exagero. Confundiu-se com libertinagem. A igualdade fez-se direito, mas não facto. Mas, reconheço, deram-se passos importantes na aproximação de diferenças. O desenvolvimento foi avançando, mas marcou passo. Podia e devia ter ido mais longe. Escorregou em maus investimentos, em opções erradas, em corrupções descaradas. Ainda és jovem e precisas de beber inspiração, no ponto de partida, para fazeres jus ao teu nome.

 

Quarenta anos depois foste entregue a pais padrastos. Tiraram-te o sonho que devias cumprir. Ainda te chamas liberdade, mas condicionada. O segundo apelido foi mudado para desigualdade necessária. O terceiro, aprisionado e substituído por Austeridade. A democracia que devias e ser já não és encontra-se enredada em estranhos conceitos de liberalismo. A democracia que afinal somos todos nós, reduziu-se à deposição de um voto que não respeitas. Desvalorizas-te, todos os dias, com a apatia, a descrença, a ausência de participação. Mas apesar disso dedico-te uma enorme ternura. Afinal tive a honra de te ver nascer e agora acredito que renascerás. Não pode ser de outra maneira sem me negar a mim próprio que também sou democracia.

 

MG

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Capitães do meu país

por Naçao Valente, em 24.04.14

Capitães do meu país

Soldados da minha terra

Viram o povo infeliz

E com paz fizeram guerra.

 

No alvor da madrugada

Acordaram a cidade

E sem nunca pedir nada

Ofereceram liberdade.

 

No força que idealizaram

Esperança de mil cores

Quando as armas dispararam

Delas saíram flores.

 

E no seio da revolução

Nasceu uma democracia

 E com ela a convicção

Que é real a utopia.

 

E quem nunca viu Abril

Nem sabe a revolução

Urdiu artimanhas mil

Subjugou a nação.

 

É tempo de ir para a guerra

E levantar a cerviz

Ó gentes da minha terra

Capitães do meu país.

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Cravos e cravas

por Naçao Valente, em 06.04.14

imagem Net

 

Em  anos de servidão, opressão

agruras mil,

revoltou-se uma nação.

Era Abril

Nas armas nasceram cravos,

 esperanças mil,

cravos vermelhos ousaram

a liberdade,

Descamisados sonharam

a igualdade.

Já não têm cor os cravos,

desilusão!

Agora é tempo de cravas,

sem coração.

Porque se deixa oprimir

Uma nação?

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