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sapos, ciganos e outros fulanos

por Naçao Valente, em 15.03.16

Estava na cafetaria de um supermercado próximo de si, a degustar o económico menu 2, fruto da generosidade do dito supermercado, quando uma revoada de ciganos me tirou do meu doce remanso. Vestidos de negro pareciam um bando de aves, assim tipo corvos, à procura de alimento. Na mesma linha de linguagem conotativa ali pousaram ocupando mesas e mais mesas. Ainda estes estavam mal pousados, entra outra revoada. E eu a ver, sem nada puder fazer. Pudera, não sou sapo. Fosse eu esse animalzinho e os ciganos passavam de fininho, tolhidos de medo, e não punham lá os butes. Assim garanto que nem me viram.

Concluo que a gerência do aludido estabelecimento não se sente incomodada com a etnia rom, senão teria decorado o lugar com adereços à base de sapos. É por demais evidente que sapos e ciganos não se coalham. Diz-se que os ciganos têm pavor dos ditos batráquios. São mau agouro. Funcionam como os espantalhos para a passarada. Mas estes ciganos debicam, civilizadamente, os menus económicos, pagam o justo preço, e depois vão à sua vida. Juro que vi com olhos de ver.Ali os sapos não têm futuro.

Futuro tem a bela senhorita, que na mesa do lado, vai molhando,desajeitadamente, o pão no café com leite, indiferente a quem a rodeia, incluindo ciganos e outros fulanos, como a minha pessoa. Menos indiferente está a dama da mesa da frente, já "entradota", que entre uma colherada de sopa e uma espreitadela no telemóvel, me lança olhares fugidios.Só espero que não me esteja a confundir com os ciganos. Já a anciã da mesa do canto me brinda com um sorriso, enquanto se queixa que não consegue abrir a caixa da sopa. Ainda ponderei agir mas refreei-me. Devolvo o sorriso, para não parecer cara de pau, e aconselho-a a pedir ajuda a uma funcionária. Ainda se fosse a senhorita que me pedisse para lhe molhar a sopa, vá que não vá. Numa acção de bom samaritano, está bom de ver.

E pronto. Fui saindo, discretamente, do meio da tribo cigana, mas ainda me deparei com um cidadão, mais para lá que para cá, com um jornal aberto em cima de uma mesa. Nada que mereça registo. O que despertou a minha atenção foi estar mergulhado com a cara em cima do tablóide, de nome impronunciável.. Das duas uma: ou é miope ou snifa    o cheiro da tinta. O Afinal nem uma nem outra. Dormia, serenamente, no conforto das noticias impressas. Talvez fosse um príncipe à espera de voltar a sapo. Ainda bem que não voltou, senão bye bye "ciganada" e assunto para crónica zero. Fraco assunto, mas assunto.  Coloquei o tabuleiro, educadamente, onde devia ser colocado. Saí. Dei-me a escrever este texto que não acrescenta nada ao nada que se passou. Amanhã será outro dia com ou sem ciganos, sapos e fulanos, num supermercado perto de si.

MG

 

 

  

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