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Regresso ao passado?

por Naçao Valente, em 21.04.16

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Nos anos 50 os saudosos Parodiantes de Lisboa, criaram as expressões flausinas e báubaus para designar os jovens que se evidenciavam pelo estilo de vestuário e pelo comportamento irreverente para a época . As meninas eram representadas de uma forma estilizada, magricelas, tacão alto, vestidos coloridos. Os meninos usavam calças à boca de sino, jaquetas, sapatos de sola alta.
Eu, que sempre fui mais moço que menino, nunca me senti dentro desse mundo e nem tive o prazer de fliltrar com uma  verdadeira flausina. Os tempos passaram, o mundo mudou, os Parodiantes e o seu humor crítico deram lugar a outros protagonistas, a expressão flausinas e báusbaus deu lugar a designações mais adequadas a novas realidades. Hoje poucos conhecem o conceito.

                                                                           ***
Faço a minha merenda original, constituída por um galão ou meia de leite,  para não ser acusado de sexista pelas meninas do Bloco, que não ouso  descriminar em nenhum sentido, Acompanho a merenda ou o lanche, com pão com manteiga. Sento-me numa mesa, estrategicamente situada, e observo o panorama. Desfila, invariavelmente, gente comum: gajos e gajas, ciganos e ciganas,que demoram a assumir-se como gadjos, militares de ambos os sexos, que são e não são  paisanos (ou paisanas). O trivial. Não descrimino, em questões de género, mas confesso que na distribuição de olhares gasto mais "íris" com o feminino.  Enfim, ninguém é perfeito.


Vejo entrar duas garotas, que sem sair do presente, me fazem recuar ao passado. A minha alma está parva, perdoem-me o plebeísmo, mas nunca deixei de ser plebeu. É que as damas não são mais nem menos que duas flausinas. Que se passa contigo José? Piraste? Estás a ter visões? Viajaste no tempo? Regressaste ao passado? Foi a primeira ideia que me bateu. Belisquei-me e senti-me real. Tirando aquelas duas tudo estava no seu lugar. Conclusão: era o passado que regressava ao presente.


Uma era loura, estilizada, e deslizava dentro de uma saia travadinha. A outra, ruiva, um pouco mais nutrida agitava o vestido rodado com movimentos ondulantes. Sentaram-se numa mesa ao meu lado. Tão próxima que lhe sentia o odor dos anos 50 e 60. Inebriei-me! Não me importava de "comprar" as duas antes que regressassem ao seu mundo, desde que não se fizessem muito caras.Nos tempos que correm não convém evidenciar sinais de abundância. Andam para aí uns juízes(ou juízas) justiceiros(ou justiceiras) com os quais todo o cuidado é pouco.


. Colocava uma debaixo de um braço e outra debaixo de outro. Ia sentir-me seguro e amparado, pois os anos não perdoam, começo a precisar de bengala. Mesmo nos tempos que correm talvez gerasse falatório. Uns diriam “olha o velhinho que sorte que tem com duas filhas tão lindas”. Outros, escola redes sociais, aventariam “ olha o cabrão do velhadas abifado a duas febras que não consegue roer”. Sou plebeu na linguagem “estou-me borrifando, faço ouvidos de mercador, e sigo o meu destino: ser báubau uma vez na vida, mesmo que seja báubau bígamo.


Passeie o olhar pelas suas curvas, enfrentei os seus faróis com determinação e encandeei-me. Quando retomei a visão já as flausinas tinham desaparecido. Regressei ao meu presente rotineiro. Ao rame rame de um dia de primavera envergonhada. Café com leite, gente de todos os géneros, sem descriminação, cidadãos e cidadãs, mas flausinas “népia”. Hei-de regressar noutro dia Quero beliscar as flausinas para ver se são reais. Ou eu não seja um cidadão reconvertido em báubau. Tardiamente, mas mais vale tarde que nunca.

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