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Pontos nos is

por Naçao Valente, em 07.11.15

Vamos pôr os pontos nos is. Em Portugal os comunistas serão cerca de meio milhão de cidadãos votantes. Numa população de dez milhões de Portugueses são uma minoria. Nesse sentido, podemos concluir que a grande maioria é anticomunista, se considerarmos que não se revê no tipo de sociedade subjacente ao projecto marxista que o PCP defende.

Daí que, no significado restrito de anticomunismo, me identifique com Clara Ferreira Alves. Também estive na Alameda na defesa da implementação de regime democrático e das amplas liberdades. É certo que a extrema-esquerda civil e militar ensaiava, na época, um caminho que levaria ao triunfo de uma ditadura, de contornos ideológicos contrários aquela que havia sido derrubada. E não há ditaduras boas e más. São todas más.

Quarenta anos passados, o mundo mudou. E muito. Clara Ferreira Alves não percebeu ou não quis perceber essa mudança. Os regimes comunistas, com excepção da ditadura arcaica da Coreia do Norte, foram varridos da face da terra. Os partidos comunistas tradicionais foram perdendo importância política, e muitos deles desapareceram ou diluíram-se noutros movimentos. O PCP é dos poucos, senão o único resistente, no âmbito do panorama europeu. Diversas razões o justificam, mas não é essa, agora, a discussão. O comunismo aplicado por Lenine e Estaline é hoje apenas uma memória histórica.

Daí que, partir de uma realidade inexistente, para justificar uma posição pessoal contra uma possível aliança à esquerda, é  politicamente anacrónico e intelectualmente desonesto. É não apenas de uma manifestação de anticomunismo, mas uma assunção de primarismo anticomunista. Recorrer a uma narrativa passadista, ponteada por aspectos programáticos, quiçá desenquadrados de um mundo globalizado, é atirar areia para os olhos,do pagode. (perdão pelo plebeísmo) 

A realidade tem um comportamento dinâmico. O que ontem era criticável pode ser hoje virtuoso. Ficar agarrado a dinâmicas que deixaram de existir é não querer sair de uma divisão do mundo que ruiu com o muro de Berlim. Por mais retórica que se aplique, por mais raciocínios tortuosos que se apresentem, o certo é que, passados quarentas anos, o PCP não é um perigo para a democracia, e muito menos para o capitalismo, já adoptado pelos regimes comunistas mitigados que ainda governam. Muito mais caricato na sua argumentação é, qual profeta bíblico, atribuir à coligação de esquerda, o eventual fim do regime democrático. Mais que o comunismo moribundo,o que deve preocupar Clara Ferreira Alves é o renascimento do fenómeno da xenofobia na Europa. É por aí que a democracia pode correr perigo.

MG

 

 

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