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Não me identifico ideologicamente com Mariana Mortágua. A história mostra que a constituição de uma sociedade sem classes e sem qualquer exploração, não está no ADN da humanidade nesta fase do seu desenvolvimento. Portanto, acreditar no imediato em projectos de total igualdade social não passa de uma utopia. Mas as utopias geram a esperança que alimenta a luta pela construção de um mundo mais justo. São legitimas e quem as defende merece todo o nosso respeito.

Falta de respeito pelas ideias dos outros  não é uma atitude democrática. Antes pelo contrário, a atitude de intolerância está mais próxima do totalitarismo, do que aqueles que disso são acusados, em função do seu posicionamento político. Com efeito, as palavras de Mariana Mortágua num encontro partidário em Coimbra, estão a ser utilizadas por escribas avençados, de uma forma intencionalmente distorcida. Que crime cometeu a jovem deputada? Limitou-se a expressar opinião sobre a forma de tributação, cuja mão tem sido sempre mais pesada sobre os rendimentos mais baixos. Logo caiu o Carmo e a Trindade, pela segunda vez, na voz e na pena daqueles que como Helena Matos ou Paulo Ferreira, e o papa da demagogia Camilo Lourenço, entre outros, consideraram tais declarações como prenunciadoras da sovietização de Portugal.

O ataque a Mariana Mortágua e a tentativa de considerar o PS um partido adepto dos regimes soviéticos, só porque alguns eventuais simpatizantes, aplaudiram a deputada do do BE, raia o absurdo e demonstra  uma total falta de vergonha. Aqueles que durante o mandato do governo anterior não publicaram uma vírgula a criticar a aplicação da austeridade e das suas consequências, vêem agora nos tímidos progressos sociais o fim do mundo. Aqueles que consideram que os principais detentores da riqueza, são beneméritos que criam postos de trabalho para os miseráveis poderem comer, e se julgam únicos detentores da verdade, escondem que são estes miseráveis que produzem a riqueza de que os primeiros beneficiam. E escondem que se estes não cultivarem a terra ou não construirem as casas também não têm comida, nem lugar para habitar.

O insulto como argumento contra a deputada, procurando atingir a sua família, a distorção da realidade para manter o "status quo" da exploração a qualquer preço, mostra o seu desespero. Os abutres estão famintos do sangue e do suor dos que sempre exploraram. Os abutres voam cada vez mais baixo e já não procuram disfarçar a sua condição de aves predadoras.

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