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Evangelhos

por Naçao Valente, em 26.03.16

A história do cristianismo que hoje celebra a ressurreição de Jesus, simbolo da vitória da vida sobre a morte, mensagem de esperança numa redenção da humanidade, no caminho de aperfeiçoamento espiritual, que ultrapasse os limitados horizontes do conhecimento humano, não foi linear. No longo processo de construção de uma igreja organizada hierarquicamente, houve dissidências entre seguidores da vivência cristã. A leitura dos evangelhos gnósticos, considerados heréticos pela ortodoxia, permitem ter uma vísão mais humanizada de Jesus Cristo. Em tempo de reflexão pascal, aqui deixo alguns excertos do livro,

Os Evangelhos Gnósticos de Elaine Pagels

 

 

Entre grupos gnósticos tais como os valentinos, as mulheres eram consideradas iguais aos homens; algumas eram reverenciadas como profetas; outras funcionavam como professores, evangelistas errantes, curandeiros, padres, talvez mesmo bispos.
(...)
Contrariamente às fontes ortodoxas, as quais interpretam a morte de Cristo como um sacrifício redimindo a Humanidade da culpa e do pecado, este evangelho gnóstico considera a crucifixão como a ocasião para a descoberta do ser divino interior.
(...)
Eles (os gnósticos) estavam convictos de que ou a igreja visível - a rede efectiva de comunidades católicas - estivera enganada desde o princípio ou que ela se transviara. A verdadeira igreja, por contraste, era invisível: apenas os seus membros percepcionavam quem lhe pertencia ou não. Através da sua ideia de uma igreja invisível, a intenção dos dissidentes era oporem-se às pretensões dos que diziam representar a igreja universal.
(...)
Enquanto em épocas anteriores homens e mulheres cristãos se sentavam em conjunto para praticar o culto, em meados do século segundo - precisamente na altura do conflito com os cristãos gnósticos - as comunidades ortodoxas começaram a adoptar o costume das sinagogas, segregando as mulheres dos homens.

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