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Coisas do arco da velha

por Naçao Valente, em 07.12.15

Esta é uma história de sexo e morte. Uma história trágica, mas ao mesmo tempo com laivos de humor. Possivelmente de humor negro. Vou contá-la como aconteceu, ou melhor, como a conheci. Omito lugares e identidades. Aqui, para quem a ler não passará de uma ficção, essa grande máscara da realidade.

A vizinha de L estranhou, naquela manhã, como tantas outras, a sua ausência, na pastelaria onde tomava o pequeno almoço, desde que ficara viúva. Preocupada bateu à sua porta. De dentro daquela casa apenas saía silêncio. A vizinha, que preferiu ficar incógnita, chamou as autoridades. Avaliada a situação no contexto das rotinas de L, decidiram arrombar a porta.

A casa estava impecavelmente arrumada. Tudo no seu lugar. Nada que denunciasse assalto. A polícia foi percorrendo as várias divisões com minúcia policial. Por fim, entraram no quarto. L estava deitada na cama, inconsciente. Uma perícia mais aprofundada permitiu concluir que L estava morta. P, o perito de investigação, com a sua experiência de muitos anos de tarimba, reparou que junto do corpo inerte se encontrava uma foto do marido e um artefacto de estimulação sexual. Na ,tudo apontava para uma sessão de masturbação que teria terminado numa sincope, tendo em conta a idade da senhora. Mas um polícia com faro policial, tem de procurar a verdade para além do manto diáfano da fantasia. Foi por causa dessa capacidade barra competência, que o investigador reparou num pequeno pormenor: o pescoço da vítima, tinha ténues marcas de mãos humanas. A morte, concluiu P, deveria ter sido provocada por asfixia. Fácil? Claro. O mais complicado começava agora: descobrir o agressor e o seu móbill.

P, para além de um profissional sem mácula, tinha ainda aquela estrelinha, que protege os audazes. Por acaso, em tudo há um acaso, notou que na peça de vestuário que tapava as partes púbicas havia uma pequena mancha. Observada a olho nu, pareceu-lhe que se tratava de um resto de esperma. Podia estar ali a chave do mistério. Mandou, de imediato, recolher uma amostra para ser analisada no laboratório. A seguir, era dos cânones, bastaria confrontar o resultado com o adn do seu produtor.

Enquanto não chegava a análise, P continuou as suas investigações. Procurou saber quem frequentava a casa de L, com que pessoas do sexo masculino se relacionava. Pela lógica mais banal, o suspeito, tinha de ser alguém com acesso ao apartamento. Tudo indicava que o acto fora praticada sem nenhuma violência colateral. A vizinha próxima, mas incógnita, informou P que via L ser visitada por C, uma pessoa que vivia na mesma rua. Procedeu-se como é dos livros à captação do seu adn. P acertou, como sempre, na mouche. O esperma, não havia dúvida, pertencia a C.

Interrogado pela polícia C não teve como negar.Ditou o seguinte depoimento:

Depois que L ficara viúva mantive com ela uma relação de amizade, na qual estava incluída uma relação sexual. Durante a prática do acto usavam a técnica da asfixia, como forma de intensificar o prazer da senhora. Era essa a única intensão. Mas naquele dia, não sabe se por exagero, se por outras razões, a coisa correu mal. A relação com L, era desconhecida da sua mulher e dos seus filhos, e procurou esconder o que tinha acontecido. Para despistar qualquer responsabilidade, colocara a foto e o vibrador.

L, morta por asfixia, em pleno acto sexual, tinha 91 anos. C, o companheiro do acto tem 43 anos. Coisas do arco a velha. 

 

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