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A Bela Adormecida

por Naçao Valente, em 05.07.16

Confesso que tenho um vício incurável. Sou caidinho pela cidade Invicta. De tal modo, que sempre que posso e as forças o permitem, dou corda às tamanquinhas e lá vou dar de beber à dor da saudade. Depois de me instalar com armas e bagagens, vagabundeio, ao acaso, pela parte histórica. Entre os Clérigos e as Fontainhas, entre a Ribeira e a Trindade, deleito-me com a simpatia das gentes, os cheiros, as cores que dão à cidade a sua personalidade. Muitas vezes, dou por mim a subir à cosmopolita Santa Catarina cheia de desvairados idiomas. Aí entro no Majestic, para tomar um café, mas nem sempre, pois custa-me os olhos da cara, salvo seja, e eu não ganho em dólares. De quando em vez,  passo pela FNAC que não se integra na tipicidade da cidade, mas cumpre o seu papel de prestador de serviço cultural. Bem inserido no espírito da cidade está a livraria Lello, mas deixei de lá entrar desde que entrou no roteiro turístico, o que me obriga a aderir à fila de visitantes.

Na minha recente visita, e retomando o fio à meada, fui dar uma espreitadela na FNAC, nos livros que ali habitam e nas pessoas que neles vivem, ou que como eu, ali estão de passagem. Depois de uma olhada nas estantes, não pude deixar de reparar numa dama semideitada numa espécie de chaise longue, e numa pose que me pareceu adormecida. Conjugando o seu estado com a sua beleza logo me pareceu que podia estar perante a Bela Adormecida. A sua face, serena. até me fez lembrar a Aidinha da história de um tal Estripador da Régua que li em tempos idos. Comparações à parte, o certo é que, me senti com vontade de acordar a Bela moça, mas faltou-me a coragem. E se alguém duvidar  da plausibilidade da história, porque a princesa já foi acordada em devido tempo, lembro que está constantemente a dormir e a ser acordada no livro onde habita. daí que, pode sempre haver mais um remake.

O problema é que não encaixo no enredo, pois não nasci com a condição de príncipe, quer no espírito quer na forma. Sou talvez mais tipo sapo, também vitima de algum feitiço, e talvez precisasse de uma princesa que me transformasse num elegante personagem de novela. Logo achei a hipótese impossível, pois esta situação pertence a outra história. Reformulando, quem sabe se cruzando as duas, se achasse um consenso que beneficiasse ambas as partes, ou seja, eu acordava a Bela e uma vez acordada, a charmosa descobria o príncipe que há em mim. E assim viveríamos felizes. Nem precisava ser para sempre, porque se podia tornar aborrecido. Bastava ser nas vezes em que eu visitasse a cidade que escolheu o nome da nação, e que por isso. é padrinho e madrinha de todos nós. Assim se cumpria o conto de fadas.

Como não há Bela sem senão, não houve conto de fadas. Lamento. Enquanto alimentava a indecisão, tocou-me no ombro uma fada o lar, de que me tinha esquecido no meu devaneio e me interrompeu do sonho acordado. "Ala que se faz tarde". Contrariado deixei a Bela no seu sono e à espera do seu salvador. Quando voltar a Santa Catarina quem sabe se ainda ninguém a acordou, pois guardado está o bocado para quem o há-de comer. Para já, e para compensar, vou comer uma francesinha.

 

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