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A vitória eleitoral dos comentadores

por Naçao Valente, em 30.09.13

Na minha terra é mais velho quem tem mais anos, é mais rico quem tem mais dinheiro, ganha um jogo de futebol quem marca mais golos. Mas na "comunicolândia" parece não ser assim. Foi essa a mensagem que passou nas televisões no pós eleições autárquicas. Os resultados apurados foram grosso modo os seguintes: PS: 1 milhão e oitocentos mil votos e 150 Câmaras ganhas; O PSD/CDS: 800 mil votos e 106 presidências de Câmaras. A CDU/PCP: meio milhão de votos e 34 Câmaras para gerir.O PS ganhou mais 27 autarquias, perdeu 8 e tem mais quarenta e quatro que o PSD e mais  106 que o PCP que recuperou meia dúzia de Cãmaras que tinha perdido para o PS.  Na interpretação de analistas e comentadores ou vice-versa a classificação ficou assim estabelecida: vencedor PCP, ganhador mas pouco PS; perdedor mas por erro de casting, PSD. Desculpem qualquer coisinha mas não entendo o sentido que isto faz. Mas deve ser problema meu por incapacidade de entendimento.

 

MG

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Votar

por Naçao Valente, em 28.09.13

sulinfurmação.pt

 

Não há democracia sem a participação dos cidadãos. Esta parcipação não se esgota no voto. Contudo, o voto é a forma mais eficaz que o cidadão eleitor tem de influenciar o exercício da política. Aqueles que dizem que não votam porque os políticos são todos iguais prestam um mau serviço à democracia. Direi até que acabam por a negar. Assim votar não é apenas um direito mas um importante dever cívico. É preciso exercê-lo em consciência. Todas as eleições são fundamentais e por isso é necessário ir votar nestas autárquicas.

 

MG

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Ser Português

por Naçao Valente, em 27.09.13

Entrevistador :achas que a troika nos vai castigar

Camilo Lourenço: ...se eu fizesse parte da troika era o que fazia...

Entrevistador:  era o que fazias? E a nossa Soberania?

Camilo Lourenço: Quem não tem dinheiro não tem Soberania.

 

Entrevista a Camilo Lourenço no programa da manhã na RTP Informação, a propósito das normas chumbadas sobre o Código do Trabalho. 

Citado de memória

 

Senhor jornalista/economista Camilo Lourenço

 

Sou português. Defendi na condição de militar o meu país durante três anos, quando não me identificava com o regime. Vi com grande alegria nascer a democracia. Sempre servi esta nação secular enquanto cidadão. Sou patriota. Entristece-me ver a minha pátria condicionada por usurários. Revoltam-me as teorias que defendem o caminho da expiação para um povo trabalhador. Indigna-me a insensibilidade perante o sofrimento humano.

 

Tenho-o visto apresentar-se como um cruzado contra o despesismo dos portugueses. Tenho-o até visto como uma espécie de deus castigador do desvario pecaminoso dos trabalhadores deste país?. E que desvario foi esse? Apenas a ambição de terem uma vida digna. Uma casa para viver, alimentação para a sua família, educação para os filhos, saúde para todos. Tudo luxos excessivos. Crime a merecer castigo severo: empobrecimento, miséria, fome.

Parafraseando os evangelhos podia dizer-lhe: "perdoai-o Senhor, ele não sabe o que diz". Mas quanto mais ouço o seu discurso mais me convenço que faz parte de uma espécie de "gente" que inveja o bem estar do seu semelhante. Destila ódio contra as conquistas sociais da humanidade. Estou convencido que preferiria um mundo de escravos.

 

As declarações aqui reproduzidas não deixam dúvida que não sabe o que é ser português. Não sente a alma lusa. Não valoriza a nossa história. Não entende que esta nação se fez contra poderosos inimigos externos. Não sente que a Soberania se conquistou com sangue, suor e lágrimas. Não atinge que não foi o dinheiro que venceu em Aljubarrota. Não reconhece que não foram os mercados que fizeram a Restauração em 1640. Não sabe que não foram os usurários que partiram em frágeis embarcações e venceram adamastores. Eu digo-lhe quem foi: foram os camponeses, os artesãos, a arraia miúda deste país dirigidos por elites patrióticas e inteligentes. Mas não sabe nem nunca saberá porque  reduz a vida de um povo ao deve e haver. Porque ignora a cultura como o motor de desenvolvimento da humanidade. Porque questiona o Estado de Direito. Porque se coloca do lado errado. Porque sendo português será português? Ou será uma espécie de mercenário ao serviço dos interesses estrangeiros que nos oprimem?

 

Senhor jornalista Camilo Lourenço quem se coloca, quase arrogantemente, ao lado dos carrascos da nação mais antiga da Europa, quem se está borrifando para a Soberania nacional  merece ter a nacionalidade portuguesa? Há  coisas que não entendo: como é que tem uma coluna de comentador residente no canal de televisão público, sem qualquer contraditório onde continua a proferir dislates contra Portugal e contra os portugueses?

 

MG 

 

  

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Histórias do quotidiano

por Naçao Valente, em 27.09.13

odisseia.com

 

Romeu contrata uma profissional do sexo para o iniciar sexualmente. O inspector Shakespeare aproveita para lhe montar uma armadilha. Vai enviar-lhe a agente Julieta no papel de prostituta.

 

Epílogo

 

Shakespeare resume o plano que Julieta tem de executar: às vinte e três horas apresenta-se como a prostituta contratada. Diz a senha combinada. Vou colocar-lhe uma discreta pulseira com um transmissor para nos contactar. Estamos no lado de fora. Reproduzimos a chave do apartamento e entramos de imediato quando nos chamar.

Quem é ? perguntou Romeu . À noite todos os gatos são pardos, respondeu Julieta. Romeu abriu a porta: segue-me. A agente estagiária seguiu-o por uma sala obscurecida. No quarto perguntou: porque estão as luzes apagadas? Contratei-te para me dares umas lições de sexo. Sou um pessoa conhecida e prestigiada e não quero ser reconhecido. Acontece que me apaixonei por uma bela dama que ainda não o sabe. Consultei uma cartomante e um astrólogo que me garantiram que serei correspondido, mas que tenho de mostrar proficiência. Deixa-te de tretas Romeu, eu também faço o meu trabalho com profissionalismo e gosto de ver o que faço. Acende a luz, sei ser discreta. Quem te disse o meu nome?  Ninguém me disse. Basta-me ouvir o te discurso. Ok…Vou acender a luz.

Romeu viu então uma figura alta, com a silhueta disfarçada por um casaco comprido. A suposta prostituta virou-lhe as costa e foi-se libertando lentamente da peça de vestuário exterior. Por debaixo vestia uma t-shirt  ousada e uns calções curtos. Virou-se  sem pressa. Romeu embatucou. Julieta de olhos semicerrados desinibiu-se no seu papel: perdeste o pio? Eu não acredito-balbuciou-és a mulher que me tira o sono …e prostituta. Julieta observou o corpo de Romeu seminu e deu uma sonora gargalhada: mas és o tipo que me costuma comer com o olhar. Sou. Afinal já reparaste em mim?  Reparei. E digo-te mais, eu não acredito em cartomantes mas que acertam, acertam. Como assim?  Em cada dia que passava junto à loja para o meu trabalho me interrogava: será hoje que este pasmado se declara? Caramba, foi preciso o inspector Shakespeare suspeitar que és um assassino para desencalhares da fase do galanço. Raio! O amor se tem mesmo que acontecer salta todas as barreiras e ironia das ironias, regra geral, os namoros acabam na cama, este é onde começa. Sou Julieta Queiroz da polícia Judiciária em serviço de investigação e que investigação...

Romeu e Julieta cruzaram olhares ternurentos e entrelaçaram as mãos. A intensidade do gesto despoletou o alarme. Quieto ,disse o agente Damião de arma apontada ao peito nu de Romeu. Shakespeare aproximou-se: bom trabalho doutora. Apanhamos o bandido? Bandido? que bandido?, respondeu Julieta. Este é apenas o meu bandido. Mas o alarme, tocou . Foi falso alarme inspector. Isto é uma longa história. Está tudo sobre controle. Pode sair descansado. Deixe-me acabar o meu trabalho.

Happy end

 

Advertência: no cumprimento dos princípios da moral  judaico-cristã esta história acaba aqui. Obrigado

 

Pós epílogo

O agente Damião arrastou suavemente o inspector para a rua. Pela primeira vez viu-o perder a compostura e desafivelar a máscara de policial. Lágrimas corriam-lhe pela face. Não se sente bem  chefe?  Aconteceu uma desgraça Damião. Vou fazer-lhe uma confidência. Na juventude tive uma relação com uma moça de boas famílias. Preconceitos de classe não nos deixaram ser felizes. Desse amor nasceu uma criança. A moça casou com um rico comerciante e sumiu com o filho. Hoje voltei a vê-lo. Reconheci-o por um sinal inconfundível no ombro. É o Romeu. Porra inspector, como o compreendo. Isto até parece uma novela mexicana. Não parece é, Damião, porque o mais trágico é que Julieta também é minha filha! Passou-se dos carretos doutor Shakespeare? Antes me tivesse passado. Para matar o meu desgosto de amor envolvi-me com uma corista do Parque Mayer. Essa relação foi passageira e dela só sobrou Julieta. Nunca assumi a paternidade mas sempre a acompanhei, incógnito. Fiquei feliz quando veio para a polícia. Da mãe herdou a beleza e tem os meus genes de investigadora. Sou mesmo um biltre. Criei as personagens e perdi-lhes o controle. Acalme-se inspector, é a vida. A vida meu amigo Damião é uma ficção escrita pelo destino. Umas vezes escreve tragédias, outras escreve comédias. Não sei qual preferir.

Deixe para lá inspector. O que tem que ser é. São jovens, estão felizes, o que quer fazer?  Os tempos mudaram Shakespeare. Os criadores já não controlam as personagens que criam. Olhe, vamos até à casa da Mariquinhas, comer um galo capão de cabidela para matar a dor e beber um alvarinho para afogar as mágoas. A seguir logo se vê...

 

MG

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Economia paralela

por Naçao Valente, em 25.09.13

A economia paralela representa 26,4 do PIB. Movimenta cerca de 40 mil milhões de euros. A percentagem referida no estudo da Universidade do Porto corresponde, quase, a um terço do produto. Um terço da riqueza que não paga um cêntimo ao fisco. E o que é a economia paralela? De uma forma simplista associa-se a pequenos empregadores, biscateiros, venda ambulante. Mas pasme-se! Não são estes a maioria desse sector da economia. E curiosamente são até os mais controlados. Os que movimentam mais dinheiro e o sonegam ao erário público são os grandes empresários. Conseguem através de esquemas obscuros esconder as suas mais valias. Recorrem a empresas fictícias, usam paraísos fiscais, em suma recorrem a todas as aldrabices "legais" para  enganar o Estado. E hipocrisia das hipocrisias ainda fazem piedosos discursos de patriotismo.

 

A sonegação de recursos públicos produzidos com o trabalho dos portugueses escapa às análises dos profetas da austeridade. Para os "medinas carreiras" deste país os únicos responsáveis pelo défice da despesa pública são os mesmos de sempre: funcionários públicos, pensionistas e desempregados. É nos rendimentos desses privilegiados que é preciso cortar. Do alto da sua sapiência não há outra alternativa. Há como fica provado com o peso da economia paralela. Há rendas excessivas e esbanjamento de recursos. Para os apóstolos da austeridade, os pobres que paguem a crise. Os cidadãos portugueses mereciam mais respeito.

 

MG

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Histórias do quotidiano

por Naçao Valente, em 24.09.13

odisseia.com

 

 

Romeu e Julieta-happy end  V

 

No episódio anterior Romeu foi denunciado à polícia por um mirone que o acusou de cometer um crime. Foi visitado pelo inspector Shakespeare no seu apartamento mas não foram encontrados vestígios.  

 

 

 

Romeu reconheceu que o plano A tinha falhado. Na manga esperava o plano B. Tinha chegado a hora de o executar. Eram 21 horas quando entrou  bar Flórida pela primeira vez. Nunca tinha estado num local de venda de sexo. Na semi-obscuridades da sala reparou nas silhuetas sentadas em volta de mesas de pé de galo. Na pista de dança rodopiavam pares de dançarinos. Dirigiu-se ao balcão e sentou-se num banco de pé alto. Pediu um Wisqui e solicitou a presença do gerente. Bebeu um gole. Sentiu uma mão suave no ombro. Olhou de soslaio. “vamos dançar jeitoso?” Abanou a cabeça procurando sacudir aquela voz atrevida.

“Em que posso servi-lo” disse o individuo que se apresentou como gerente. “Queria contratar uma das suas meninas?” Olhe à sua volta e escolha”. Não está a perceber”, continuou Romeu; “vou directo ao assunto”:  por razões que não vêem ao caso necessito de umas lições de sexo. Preciso uma profissional experiente e discreta, pois por razões que não interessa desenvolver não quero ser reconhecido. Não discuto o preço.” Se puder ser, desejo começar hoje”. “Já percebi” , afirmou o gerente,” vou enviar-lhe uma menina de toda a confiança. Pode ser às vinte e três”?.

O inspector Shakespeare disfarçado no sobretudo tweed esperou que Romeu saísse. Saiu da obscuridade e aproximou-se do balcão. Passou o crachá pelos olhos espantados do gerente do bar. “Polícia Judiciária”. “Posso ser útil?”, disse o gerente. “Quero que me diga o que pretendia o sujeito com quem esteve a falar. Estamos a segui-lo como suspeito de eventuais crimes”, informou o inspector. Ok disse o gerente . “Veio contratar uma menina. Combinámos enviá-la ao seu apartamento às vinte e três.” Não vai enviar menina nenhuma. Eu trato do assunto”.Shakespeare dirigiu para o carro e disse ao agente Damião:” ligue-me de imediato à agente estagiária Julieta Queiroz.”

 

Julieta Queiroz entrara para a PJ por vocação e convicção. Filha de uma corista de revista, e gerada durante uma relação ocasional da mãe nunca soube quem era o pai. Activa, determinada e inteligente cursou Direito para seguir a carreira policial. Aliava a estes predicados uma beleza rara e incomum que herdara da mãe. Distinguia-se pelo seu porte no meio das multidões. Era habitual receber piropos de homens atrevidos que não a intimidavam, pois costumava responder sempre à letra e embatucar os provocadores: “sou boa como o milho? Pois sou mas não é para o teu bico, galo capão”.

Depois do jantar adquirira o hábito de tomar um banho relaxante. Estava a sair da banheira quando o telefone tocou:

-Estou.

-Doutora Julieta fala Shakespeare

-A esta hora inspector?

-Temos uma urgência …prepare-se. Apanhamo-la dentro de meia hora.

“Vou directo ao assunto” disse Shakespeare quando Julieta entrou na viatura. “Podemos estar na pista do enguia. Acabou de contratar uma prostituta. Precisamos da sua colaboração para a substituir”. "Alto aí doutor Shakespeare. Sou agente de polícia. Não fui contratada como prostituta nem como actriz”, replicou Julieta. “Desculpe doutora,  não a chamei para argumentar , mas para agir. É este o plano.”

 

continua

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Sobrevivi

por Naçao Valente, em 23.09.13

O meo operador de televisão que não identifico, para evitar suspeita de publicidade, resolveu pôr-me à prova. Durante dois dias cortou-me o acesso aos conteúdos que religiosamente pago e bem. Possível falha técnica provocada por erro humano. Durante este período fiquei afastado desse mundo virtual: nem réstia de telefone, nem sombra de net, nem pingo de televisão. Dois longos dias. Sobrevivi. E sabem que mais? Sobrevivi muito bem, muito melhor que o que podia imaginar.

 

Pode parecer estranho mas deste apagão saí mas enriquecido. Consegui libertar tempo para actividades muitas vezes relegadas para o limbo das oportunidades perdidas. Voltei até um pouco a um passado que vivi e que estava encarcerado numa cela da memória perdida. Naquele tempo a net era uma ficção à espera de ser anunciada, a televisão um canalzinho envergonhado e sem cor. Naquele tempo pontuavam os dias da rádio. Foi aí que estive. Sem ressaca. Descansei dos telecomentadores da desgraça. Esqueci o mau espectáculo de medíocres actores políticos.(não confundir com a política e a sua nobreza)

 

O meo operador libertou-me a disponibilidade. Dei folga ao sofá. Ganhei tempo para olhar à volta e ver  o que estando presente estava ausente. Lembrei-me que há vida para além da blogosfera. Respirei ar puro. Apreciei o voar de um pássaro assustado. Sei que paguei ao meo operador que não nomeio. Nem um chavo me vai devolver. Esqueço. Ganhei uma certeza. Afinal pode-se viver sem uma janela para o mundo. Da minha janela para a rua também posso ver o mundo. Um mundo mais pequenino, mas mais real, mais humano.

 

MG

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Histórias do quotidiano

por Naçao Valente, em 21.09.13

Odisseias.ccom

 

 

Romeu e Julieta-happy end    IV

 

No episódio anterior Romeu com o objectivo de se preparar para conquistar a sua amada, resolveu começar a fazer a sua iniciação sexual com uma boneca insuflável. A experiência não correu bem... 

 

O inspector Marco Shakespeare  estava a dormitar no seu banho diário com sais relaxantes , prática que herdara da costela inglesa da mãe,quando  o telefone tocou

-Estou…

-Desculpe inspector, fala do piquete nocturno…surgiu uma situação urgente. Um indivíduo identificado ligou-nos e diz que está a assistir  do seu apartamento ao assassinato de uma mulher nua. Podemos estar perante o “enguia” o procurado raptor de prostitutas…

- Foda-se agente Damião…tira-me da minha sessão zen por causa de um telefonema…acha que o “enguia “ se punha a jeito de ser apanhado…

-Inspector sigo as suas instruções: nunca se menospreza uma pista por mais irrelevante que pareça.

-Ok. Prepare uma equipa para actuar de imediato.

Quando acabou de devolver a peça de latex à sua embalagem, a campainha do T0 de Romeu tocou freneticamente. Enfiou a pequena embalagem no fundo do roupeiro e foi abrir a porta. Um latagão de um metro e noventa apontou-lhe uma arma: “Levanta os braços e mantem-te quieto. Pode entrar inspector, o suspeito está controlado”  Romeu emudeceu. Uma fraca figura embrulhada num  sobretudo de tweed verde e com um crachá na mão esquerda disse: “onde está o corpo da mulher assassinada?”. “Mulher, qual mulher”, conseguiu balbuciar Romeu em pânico:”deve haver algum engano” . Qual engano, qual carapuça, recebemos uma denúncia de um vizinho…Agente  Damião  faça uma busca ao apartamento", disse o inspector , acenando  o crachá.

O agente Damião, de alcunha o Buldozer revirou tudo. “Não encontrei nenhum corpo, nem qualquer vestígio de crime, inspector”. “Era o que eu pensava. Deve ser fantasia de algum lunático paranóico”, afirmou Shakespeare procurando eclipsar-se dentro do sobretudo  , apertando violentamente o crachá. “As nossas desculpas  senhor? …Romeu, conseguiu balbuciar o suspeito, recuperando a voz”.

Ao sair do apartamento o inspector  dirigiu o foco de uns olhos verdes pequeninos para o Buldozer e sentenciou: “nunca se esqueça Damião uma pista, mesmo absurda é sempre   uma pista. Um indício é sempre um indício. O homem está todos esgadanhado.  Vamos mantê-lo debaixo de olho.

 

Continua

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Embuste colossal

por Naçao Valente, em 20.09.13

Os comentadores apoiantes da política de austeridade são autênticos grilos falantes. Estrategicamente colocados em palcos de grande audiência dão voz à política governamental. Destaco, entre outros, três apóstolos da expiação: Medina Carreira, Camilo Lourenço, José Gomes Ferreira. A sua narrativa,  básica e linear, consiste em martelar sempre o mesmo axioma: o Estado recebe setenta e gasta oitenta, logo gasta mais dez; assim tem de cortar na sua despesa. Dito de forma mais clara, é preciso reduzir funcionários, descer salários, diminuir pensões.

 

De dois anos desta política resultaram falências, crescimento negativo, desemprego, miséria e sempre mais dívida. A receita falhou mas continuam a dizer que é preciso mais. A receita está a matar o doente mas aumenta-se a dose. Cegos e surdos a outras perspectivas continuam a vender sem qualquer escrúpulo o seu embuste colossal. Austeridade em cima de austeridade só agravará a crise e atrasará a recuperação.

 

Para sair deste ciclo vicioso é necessário crescimento económico. O défice do Estado só se equilibrará com o aumento de receitas. Diminuir o rendimento dos cidadãos é um contra-senso numa economia de consumo. É a inversão da lógica do sistema capitalista. Se não houver consumo, não pode haver produção, nem emprego ,nem lucros, nem salários, nem receitas para o Estado, nem Estado. É o bê-á-bá da economia, uma verdade à La Palisse. Não há economia próspera com o empobrecimento dos cidadãos. Os papas da austeridade apenas vêem a árvore. Esquecem que esta faz parte de uma floresta, isto é concentram-se na parte e esquecem-se do todo. É uma visão de míopes  e/ou mal intencionados.

 

MG

 

 

 

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Papas e bolos

por Naçao Valente, em 19.09.13

cmjorn

 

A campanha de Menezes no Porto assenta em dois pilares: na música pimba e na churrascada. De bairro em bairro popular vai-se montando o arraial. Com o assador de febras de porco sacia-se a fome aos populares. Com a música de Quim Barreiros aliena-se o espírito. É uma campanha suja com cheiro a suíno, disfarçada com música brejeira. Pão e circo. Discussão de ideias, apresentação de projectos, seriedade: zero. Assim se ganha uma autarquia no reino dos tolos. Com papas e bolos.

 

MG

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