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Porque não se cala ?

por Naçao Valente, em 27.04.12

Fala, fala , fala. Mas nada tem para dizer. E o que diz é nada. Anda perdido num labirinto de palavras, ocas sem sentido, Prisioneiro da sua inutilidade. Deprimente.

Foi vítima de equívocos. Só queria fazer a rodagem do carro e fizeram-no primeiro-ministro. Tem origens rurais e destruiu a agricultura. Cresceu num país de pescadores e hipotecou a pesca. Pregou a honestidade mas favoreceu a corrupção. Recebeu milhões de fundos comunitários e endividou o país. Imperdoável!

Beneficiou do acaso. A desunião da esquerda levou-o à Presidência. Fez campanha silenciosa durante um mandato para conseguir outro. A cegueira da esquerda deu-lho de mão beijada. Podia ser grandioso mas preferiu ser mesquinho. Podia ser patriota mas foi partidário. Lamentável.

Diz e desdiz. Enreda-se em contradições com a maior cara de pau. Coerência zero. Arrasta-se penosamente. Fala e nada diz. Porque não se cala? Patético!

 

MG

 

 

 

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Abril na prisão

por Naçao Valente, em 24.04.12

Por uma treta

Abril foi pra gaveta.

Agora? Não.

Agora está sequestrado,

agora está na prisão.

E que crime fez Abril?

Mil!

Deu esperança

a toda a sociedade

e de forma universal

quis um mundo mais igual!

A todos quis dar:

bem-estar

saúde

educação

liberdade

pão,

quis a vida melhorar!

E quem tramou Abril

de uma forma tão vil?

Indiferença, apatia, comodismo

mentira, demagogia, oportunismo,

exploração, especulação,

selvagem capitalismo.

E quem quer tirar Abril?

das grades dessa prisão?

E quem quer combater

com a força da razão?

E quem quer que Portugal

volte a ser uma nação?

Então?

 

MG

 

 

 

 

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Nascem flores nas espingardas

por Naçao Valente, em 22.04.12

 

 

 

-Acorda Zé, começou a guerra…

 

As palavras modeladas pelo timbre arrastado do Alentejo, ricochetearam como balas perdidas no silêncio da manhã adormecida.

 

Acorda Zé, estão a dizer na rádio para as pessoas ficarem em casa e  estão a pedir aos médicos para se dirigirem aos hospitais…

 

Não havia dúvida, aquela voz única era a do João Cabeça Rato, português de Cuba, que comigo e outros hóspedes ocupava a casa de hospedagem de D. Regina. Levantei-me ainda embrulhado numa manta de sono. Dirigi-me à cozinha onde o João roía uma carcaça, com  o ar rude  de um camponês na cidade. Eram 7H30M do dia 25 de Abril de 1974. Num rádio de transístores uma voz firme anunciava:

 

-Aqui posto de comando das Forças Armadas…Conforme tem sido difundido, as Forças Armadas desencadearam na madrugada de hoje uma série de acções com vista à libertação do País do regime que há longo tempo o domina.
Nos seus comunicados as Forças Armadas têm apelado para a não intervenção das forças policiais com o objectivo de se evitar derramamento de sangue. Embora este desejo se mantenha firme, não se hesitará em responder, decidida e implacavelmente, a qualquer oposição que venha a manifestar-se.
Consciente de que interpreta os verdadeiros sentimentos da Nação, o Movimento das Forças Armadas prosseguirá na sua acção libertadora e pede à população que se mantenha calma e que se recolha às suas residências. Viva Portugal”(1)

 

Enquanto bebia à pressa uma chávena de café de cevada e continuava a ouvir os receios do João e os comentários de ocasião de outros companheiros, comecei a aperceber-me que a ditadura fascista tinha os dias contados.

 

-Eu sou bem comportado e respeito as ordens que estão a dar pela rádio. Fico aqui com os més pés quentinhos, até ver o quisto dáá, dizia o Cabeça  Rato

 

-Pois eu vou cumprir as minhas tarefas profissionais, disse eu sem conseguir disfarçar uma tremura na voz. Estava à espera disto há muito tempo. E se for preciso quero ajudar.

 

A camioneta ronceira atravessava a ponte Salazar, aproximava-se da outra margem. Do alto do Cristo-Rei espreitavam canos de canhões, enquanto uma coluna militar  vinda do sul, se aproximava das portagens . Um militar saiu de um jipe e afastou umas barreiras, perante o olhar pasmado dos portageiros.

 

Em Almada as conversas giravam à volta dos acontecimentos que eram relatados nas rádios. Uma senhora de nacionalidade espanhola dizia-me um pouco incrédula: "habemos democrácia". Não consegui manter-me afastado dos acontecimentos. Queria vivê-los por dentro e regressei à capital. Depois de uma refeição frugal tomei conhecimento da evolução da situação militar:

 

“ Na sequência das acções desencadeadas na madrugada de hoje, com o objectivo de derrubar o regime que há longo tempo oprime o País, as Forças Armadas informam que de Norte a Sul dominam a situação e que em breve chegará a hora da libertação.
Recomenda-se de novo à população que se mantenha calma e nas suas residências para evitar incidentes desagradáveis cuja responsabilidade caberá integralmente às poucas forças que se opõem ao Movimento.”(1)

 

Deambulei pela cidade quase deserta à procura da revolução e dei por mim a descer a rua da Misericórdia e a aproximar-me do largo Camões. Soldados estacionados atrás de trempes de metralhadoras estavam colocadas nos passeios e em esquinas de ruas que circundavam  o largo do Carmo. Pessoas circulavam por aquelas artérias livremente sem qualquer impedimento e entabulavam conversa com os soldados, algo descontraídos e confiantes. Cheguei ao largo do Carmo ocupado por uma multidão exultante. Pendurados nas árvores, empoleirados nas cabines telefónicas, cidadãos procuravam o melhor lugar e quase submergiam as posições dos militares. Um homem de fato e gravata, cabelos brancos, mas lesto como um gato, saltou para cima da guarita do quartel e com um megafone falava à multidão. (2)

 

Tanques subiam a rua do Carmo e colocavam-se estrategicamente. O capitão Salgueiro Maia deu ordem para disparar. Uma saraivada de balas esburacou as paredes do quartel e partiu algumas vidraças. Um bando de pássaros esvoaçou assustado. O povo exultou e aplaudiu.

Ao fim da tarde, um carro preto com o general Spínola atravessou coberto de aplausos a multidão contida por um cordão de militares. Pouco depois saiu do Carmo um tanque, seguido pelo carro do general, desceu a inclinada rua com o que sobrava do regime.

 

A multidão correu atrás das viaturas que se afastaram rapidamente. Nas ruas da Baixa grupos de populares comemoravam a queda do fascismo oferecendo comida aos seus heróis. Vinda de nenhures uma mulher aproximou-se com um ramo de cravos que começou a entregar aos militares. Em vez de balas nasceram flores nos  canos das espingardas. A alegria escorria pelas ruas da cidade. Nos campos de Portugal as flores ganham mais cor.

Regressei a casa onde o João Rato continuava à espera que a guerra terminasse. Para mim apenas tinha começado.

 

MG

1-Centro de Documentação 25 de Abril

2-Alusão a Francisco Sousa Tavares

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E o presente?

por Naçao Valente, em 18.04.12

sempre o Futuro, Sempre! e o Presente

 

 

Sempre o futuro, sempre! e o presente
Nunca! Que seja esta hora em que se existe
De incerteza e de dor sempre a mais triste,
E só farte o desejo um bem ausente!

Ai! que importa o futuro, se inclemente
Essa hora, em que a esperança nos consiste,
Chega... é presente... e só á dor assiste?...
Assim, qual é a esperança que não mente?


Desventura ou delirio?... O que procuro,
Se me foge, é miragem enganosa,
Se me espera, peor, espectro impuro..

Assim a vida passa vagarosa:
O presente, a aspirar sempre ao futuro:
O futuro, uma sombra mentirosa. 

Antero de Quental, in 'Sonetos'

 

A minha homenagem ao idealista, ao cidadão interventivo, ao grande mestre da poesia.

 

 

Assim a vida passa vagarosa

Sempre à espera da vida que virá

prisioneira  da justiça que será:

uma realidade esplendorosa!

 

O presente a aspirar sempre ao futuro

refém de um passado sem saída,

vencido pelo fado e pela vida:

Só no sonho se sonha um mundo puro.

 

O futuro uma sombra mentirosa

na visão esclarecida de Quental

vertida em densa poesia e dura prosa.

 

E se a verdade é  o presente desigual

e o  passado uma via dolorosa

só no sonho se sonha o ideal!

 

MG

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

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Elogio da pobreza

por Naçao Valente, em 17.04.12

Temos que empobrecer...

            Passos Coelho

 

A memória humana é curta e às vezes tem Alzheimer. Por isso convém lembrar que Há mais ou menos um ano andava José Sócrates a tentar aprovar o PEC IV. Convém também lembrar que o PSD, o CDS e os seus seguidores da extrema esquerda o inviabilizaram .Convém ainda lembrar que o então lider do PSD Passos Coelho justificou a sua posição alegando que não se podiam exigir mais sacrifícios aos portugueses. Convém finalmente lembrar que no PEC IV não estava previsto o corte dos subsídios de Férias e Natal, nem a alteração das regras da reforma, entre outras malfeitorias. Convém lembrar que a vitória da direita se construiu a partir de um embuste.

 

A política do governo saído da falta de ética política, para além do seguidismo cego em relação ao eixo franco alemão resume-se à expressão evangélica "é mais fácil um camelo passar pelo buraco de um agulha do que um rico entrar no reino dos céus" aplicada à governação. No pensamento do primeiro-ministro sintetiza-se na frase "temos que empobrecer". Trata-se do elogio da pobreza, do empobrecimento como meta.

 

Em abstracto,todos temos de ser iguais na pobreza, mas em concreto há alguns mais iguais que outros. Primeiro porque à partida não existe igualdade: não é mesma coisa ganhar mil ou dez mil euros. Segundo uns (a maioria assalariada) têm forçadamente que empobrecer, enquanto outros (ricos e boys do partido) podem não entrar no reino dos céus, mas vivem o paraiso terreno.

 

Quase no fim do primeiro ano do governo, sendo o objectivo da governação o empobrecimento e tendo em consideração o cumprimento da sua missão, o que justifica a sua contimuidade? E como deve agir o cidadão Presidente da República, também ele vitima e pobre reformado?

 

MG

 

 

 

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Abaixo o bem-estar

por Naçao Valente, em 12.04.12

 

Acabem com a pouca vergonha dos Sindicatos. Acabem com as manifestações, as greves, os protestos, por favor deixem de pecar.Agradeçam este solzinho. Agradeçam a Linha Branca. Agradeçam a sopa e a peçazita de fruta ao jantar. Abaixo o Bem-estar.

 

Lobo Antunes, Crónica (Visão)

 

 

 

O consumo é o alicerce da economia moderna. O consumismo, por sua vez estimula e suporta a produção e o crescimento. O sistema produtivo garante o emprego que sustenta o consumo. Em termos simplistas este é o ciclo do sistema capitalista. A diminuição do consumo funciona como um tsunami que faz ruir a estrutura económica em que assenta o sistema.

 

A apologia do consumo, associada ao sistema de crédito, permitiu um crescimento económico sustentado e garantiu o desenvolvimento da sociedade do bem-estar. As assimetrias sociais foram-se esbatendo. A globalização foi progressivamente generalizando o crescimento e alargando os benefícios do bem-estar às regiões menos desenvolvidas do mundo.

 

Uma crise de contornos meramente especulativos abalou os alicerces do sistema. Como reagiu a classe dirigente? Em vez de cortar cerce a raiz do problema, permitiu que ele crescesse como erva daninha. Começou por fazer o diagnóstico errado. Atribuiu as culpas ao consumo de uma forma geral e aos gastos excessivos das nações de uma forma particular. A receita confundiu-se com uma sentença sem direito a defesa: os povos têm que baixar os seus rendimentos e os países são obrigados a pagar em curto espaço de tempo as dívidas de dezenas de anos. Esta política em vez de corrigir a crise , alimentou-a e desenvolveu-a a favor dos usurários.

 

Os países de economias mais frágeis e mais periféricas são as mais atingidas. Em Portugal os políticos que nos governam, mais papistas que o Papa, assumiram o mesmo erro de análise e enveredaram por uma política de terra queimada. A solução que estão a aplicar reduz-se a cortar, reduzir, empobrecer. O bem-estar  das populações foi um pecado capital ou do capital. Agora é preciso corrigir essa "desbunda". Cortar , reduzir, empobrecer. Estamos a regredir ao tempo dos "pobrezinhos mas honrados" ou "pobretes mas alegretes". Quanto mais fome mais esperança no Além. Afinal o Paraíso não é aqui. Sinal dos tempos : "abaixo o Bem-Estar".

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Cordeiro pascal

por Naçao Valente, em 10.04.12

A Páscoa  é sinónimo de libertação. Os judeus celebram a fuga do Egipto e da escravidão. Simbolicamente sacrificam o cordeiro. Os cristãos comemoram a morte e a ressurreição de Jesus que assumiu as culpas de toda a humanidade e sacrificou-se, metaforicamente, como um cordeiro pascal.

 

Ao contrário de Jesus que se sacrificou para salvar o mundo os nossos governantes sacrificam-nos para salvar os mercados. Merecemos. Cometemos o pecado da gula, embarcamos na barca da luxúria, ousamos querer viver bem, acreditamos no fim da pobreza e na morte da exploração.Pretendemos ter boa educação, ter direito à saúde universal e gratuita. Pecamos contra os omnipotentes mercados. Temos de ser castigados. Temos de cumprir mil penitências. Os sacerdotes dos deuses da usura (governantes) e os seus acólitos (comentadores castrados) fariseus dos novos tempos, vergastam-nos a cada dia que passa com maior violência. Espremem-nos a seiva da vida. E nós pecadores confessos batemos com a mão no peito, mea culpa mea culpa. Somos os cordeiros pascais deste mundo de exploração sem regras.

 

Nesta Páscoa, aqui e agora, os sumo sacerdotes da política carregaram-nos ainda mais de angústia, expurgaram-nos da esperança, substituem libertação por escravidão. A sua falta de seriedade, mais clara em cada dia que passa, chegou ao ponto de inverter o significado da longa tradição pascal. O símbolo desta Páscoa não é um cordeiro sacrificado para libertar, mas um coelho libertado para explorar.

 

 

 

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Vem viajar

por Naçao Valente, em 07.04.12

Vou-te levar às Docas

Pra abanar o capacete

E ver os barcos do tejo

À noite as águas beijar

E que morra aqui

Se lá não te levar

 

Vou-te levar num barco

Sem remos e sem radar

Perdido no oceano

Tendo como tecto as estrelas

E como leito o mar

Morra se não te levar

 

Vou levar-te à lua

Nas asas do avatar

Pra que sonhes com o amor

Viciada de luar

E morra aqui

Se lá não te levar

 

Vou-te levar ao céu

Com um anjo a anunciar

A loucura do amor

Que tu me quiseste dar

E morra aqui

Se lá não te levar

 

Porque gosto de ti

Comigo quero-te levar

Às galáxias sem fim

Às profundezas do mar

Que o sonho não tem limite

Limite não tem amar

 

Mas se não quiseres ir comigo vai com este.(s) Não te vais arrepender!

 

 

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Do not disturb

por Naçao Valente, em 06.04.12

A norma é a bitola em que todos nos encaixamos para viver em sociedade. Mas sendo iguais, todos temos diferenças. E é nessas diferenças que aqui ou acolá nos afastamos da norma. Uma das minhas idiossincrasias é "lagartar" na cama  até altas horas. A outra é continuar a "lagartar" no banho com a água a escaldar até pelar o lombo e ficar quase derretido.

 

Quando isto acontece paredes adentro vá que não vá. Quando este vício se prolonga num quarto de hotel a coisa pode complicar-se. Foi o que aconteceu recentemente quando deixei correr a "lagartice" sem colocar na porta aquela tarjeta de cartão onde se lê "do not disturb". Usufruía deliciado do longo duche quando entra inesperadamente no quarto uma empregada da limpeza que não tinha sido convidada. Vi-a aproximar-se através do vidro fosco. Ao entrar na casa de banho apercebeu-se da minha presença, estacou surpreendida e exclamou num português com pronúncia russa " desculpa sinhor...eu toquei e ninguém respondeu". Deu meia volta e saiu discretamente.

 

Enquanto recuperava do susto de não ter mostrado as minhas adiposidades da idade e da má vida graças à opacidade do vidro, ouvi o som de uma sirene e logo  fui invadido por estranha sensação. Borrei a pintura, pensei, tanto quanto é possível pensar sob estado de pânico.Dei comigo a imaginar-me acusado de assédio e a ver entrar  os rapazes da GNR, determinados a enfiar-me, algemado, numa carrinha celular. Pior. Imaginei-me a morrer de vergonha perante os olhares curiosos de ocasionais passantes. Muito pior. Vi-me observado pelo longo olho de câmaras de televisão e a ser julgado, publicamente, como um perigoso "assediosista", um obsessivo mulherengo.

 

Mas o som da sirene foi-se afastando do meu horizonte. O barulho da água a cair voltou a tornar-se dominante. Saí do duche, vesti-me e saí do quarto. Junto à porta estava a empregada de quartos. Com um sorriso amarelo de funcionária modesta e séria voltou a desculpar-se. Faço-me passar por inglês (há sempre muitos) e dá estatuto: "No problem", digo enquanto me afasto rapidamente aliviado. Afinal não entendo tanta preocupação. Afinal nem isto  é a América, nem eu sou chefe do FMI e muito menos candidato presidencial. Afinal não estou numa suite de milhares de dólares.

Quando muito continuam intactas as minhas pretensões a presidente da Junta de freguesia. A final aqui tudo funciona em escala mais reduzida. Até os lapsos são lapsozinhos. Os Gaspares são gasparzinhos. Os subsídios de férias e Natal são subsidiozinhos, porque que pelo que consta, passinho a passinho,  não voltam a ser repostos. Mas sobre isto não me quero pronunciar para não ficar entediado. Prefiro viver a minha fantasia do falso assédio.

MG

  .

 

 

 

 

 

 

 

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(...)

por Naçao Valente, em 02.04.12

Não me apetece falar da chuva ou do sol. Do vento das eólicas ou do vento da indiferença. Da extensa costa marítima ou do seu ínfimo aproveitamento. Do discurso da inevitabilidade ou resignação evitável. Do empobrecimento de muitos ou do enriquecimento de cada vez menos. Da arrogância do PSD ou da inexistência do PS. Da reposição do exame da quarta classe ou do fim das novas oportunidades. Dos loucos dos manicómios ou do manicómio de loucos a brincar aos governos. Não me apetece indagar se são loucas as criaturas que falam sozinhos ou com fios enfiados nos ouvidos.

 

Não me apetece escrever sobre alegrias ou angústias, sobre encontros e desencontros, amores e desamores, terras e gentes, leituras e escritores, livrarias e livros, poesia e poetas. Não me apetece saber porque tecla tão furiosamente no computador uma jovem no átrio de um hotel ocasional de tal modo que nem dá pela minha presença, teclando sem me apetecer. Não me apetece interrogar-me porque me abandona a jovem ao meu solitário "teclanço"  enquanto me olha (finalmente) de soslaio. Não me apetece  descobrir porque empurra freneticamente à minha volta , a criancinha loura, um helicóptero de brincar que risca a minha paciência.

 

Não me apetece pensar porque começou esta treta de mundo. Não me apetece questionar os visionários que decretam o seu fim num ciclo de eterno reorno. Não me apetece reflectir sobre a invenção da escrita, da história, da filosofia, da matemática...não me apetece raciocinar sobre a utilidade do raciocínio...não me apetece...

 

Não me apetece saber porque escrevo. Simplesmente não me apetece!!!

 

((parêntesis))

 (MG)

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