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Penitências

por Naçao Valente, em 28.10.11

 

Senhor, eu não sei se mereço. É certo que cometi alguns pecados: gastei muitas vezes mais do que aquilo que produzi, consumi o que tinha e o que não tinha para ajudar a economia, viajei em carros de encher o olho para mostrar que sou fidalgote, gozei férias em paraísos em vias de acabar e por isso mesmo e mea culpa e do sistema de crédito, endividei-me, endividei-me, endividei-me. É certo que algumas vezes me deslumbrei, perdi a noção da decência e embarquei na volúpia da riqueza a qualquer preço, ganância, corrupção...

 

Mas Senhor, tirando pequenas falhas fui sempre fiel aos bons mandamentos: não roubei (bem uma ou outra vez sem exemplo), não cobicei a mulher do próximo (a não ser quando ela aparece na forma de tentação), não matei (exceptuando uns infiéis que não queriam seguir o bom caminho). Mas Senhor, tirando estes e outros pequenos pecadilhos sempre fui fiel ao longo de uma vida secular. E, diga-se de passagem, que também já tive as minhas penitências como Aljubarrota, Alcácer-Quibir, a Restauração, as Invasões Francesas, a Primeira Guerra, a Colonial. E, admito, cometi alguns desvarios como Fernando I, Sebastião, Afonso VI, João V, João VI, Miguel, Sidónio, Salazar...mas sempre regressei como filho pródigo ao seio do rebanho.

 

Senhor, estou como sempre disposto a mais mea culpa e a arrepiar caminho na justa penitência. Mas Senhor, sentir-me arrastado por Passos perdidos e arrastados de sombras fantasmagóricas em direcção ao inferno é demais. Sinceramente não sei se mereço esta penitência dos cavaleiros do apocalipse  deslocados no espaço e no tempo. Senhor fá-los regressar ao limbo de onde nunca deviam ter saído e prometo voltar ao caminho da salvação, se ainda houver tempo. Senhor, libertai-me deste Calvário.

 

Sou Portugal 2011

 

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de chinelo vai ao shopping

por Naçao Valente, em 27.10.11

 

Hoje, ao visitar Coimbra e talvez inspirado pela poesia camoneana, escrevi este poema em honra das modernas tricanas.

 

De chinelo vai ao shopping

 

 MOTE

 

De chinelo vai ao Shopping,

tricana de pele escura;

Vai  charmosa e bem segura.

 

VOLTAS

 

Na rosto traz alegria,

na boca tem um sorriso,

que  faz perder o siso,

 a qualquer hora do dia;

salpicados de ternura,

os olhos têm desejos,

os lábios sugerem beijos;

vai charmosa e bem segura

 

Na tshirt carecida,

os seios assomam gulosos,

do amor mais desejosos,

que das agruras da vida;

a anca cheia, fogosa

presa na saia apertada,

ondula ao longo da estrada;

bem segura e bem charmosa.

 

MG

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Mais além

por Naçao Valente, em 25.10.11

 O que têm em comum Strauss II e Picasso? Para além de terem nascido no dia 25 de Outubro-1825 e 1876, têm em comum a genialidade que distingue os eleitos do cidadão comum. Têm em comum o facto de terem nascido com a capacidade de aceder aos mais elevados valores do espírito, expressos na arte de captar o que vive para lá dos limites do conhecimento comum. Por isso se projectam e vivem para além da mortalidade que caracteriza a humanidade, continuando presentes na nossa fugaz contemporaneidade e no devir que escapa às limitações da nossa mente. Na harmonia dos sons ou

 na conjugação das cores-tanto faz- dão sentido e grandeza aos quotidianos, ainda mais em tempos de baixo astral e mediocridade como os que estamos a viver. Congratule-se por continuaram connosco, esqueça a apagada e vil tristeza e acredite na sua mensagem: a felicidade não se encontra enredadada nas linhas de um cifrão.  

 

 
 
Les demoiselles, Pablo Picasso

 

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Mais um nobel português?

por Naçao Valente, em 23.10.11

Nicolau Santos, Se resultar dêem o Nobel a Gaspar [hoje no Expresso]:

 

Como é óbvio, só quem ensaia soluções asséticas e perfeitas em laboratório é que pode imaginar que esta história terá um final feliz. O mantra do ministro das Finanças (para conhecer o pensamento de Vítor Gaspar ler o excelente artigo que Pedro Lains publicou no “Jornal de Negócios” de 19 de outubro) é tornar-nos a pequena China da Europa, assente em salários baixíssimos, sem subsídio de férias nem de Natal, relações laborais precarizadas, horários de trabalho flexíveis e menos férias e feriados.

 

Dir-se-á: mas havia alternativa? Havia desde que se quisesse e lutasse por ela. O programa de ajustamento da Irlanda vai até 2015. Não se percebe porque o nosso não pode ser também estendido no tempo. O défice para 2011 já foi corrigido em alta pela troika. Porque é que não se luta para que também o de 2012 seja aumentado? Porque é que se quer impor esta insuportável dor social aos portugueses? E na questão do financiamento à economia, porque não se bate o Governo porque haja uma nova tranche (cerca de €20 mil a €30 mil milhões) para que o Governo pague às empresas públicas de transportes e estas aos bancos, que terão assim liquidez para financiar as pequenas e médias empresas?

Mas não. O que Gaspar quer é tornar a economia portuguesa competitiva através de uma violentíssima desvalorização por via salarial, pela maior recessão desde há 37 anos e por quebras do investimento e do consumo que não se verificam desde os anos 80. Se isto der resultado, deem-lhe o Nobel.’

 


 

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Dívida

por Naçao Valente, em 20.10.11

 

 

A taxa de crescimento da dívida mostra que esta se vem acumulando há décadas. Convêm, também, esclarecer que este aumento constante só foi possível com o beneplácito dos financiadores e incentivada por todos aqueles que nos queriam vender os seus produtos e que disso foram tirando proveito. De certo que houve políticas económicas erradas, que não souberam desenvolver o sistema produtivo. Concerteza que esta situação não pode manter-se indefinidamente. É evidente que tem que se alterar o modelo. Agora exigir que paguemos uma dívida de décadas em poucos anos é despropositada e irrealista. É o caminho directo para o incumprimento e para a insolvência. Neste contexto o governo da nação ou é capaz de defender o interesse nacional junto da Troika ou como parece estar a acontecer, não passa de mandante da Troika em Portugal. E isto faz toda a diferença. E isto explica o que se está a passar. 

 

MG

 

 

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Santa aliança

por Naçao Valente, em 19.10.11

mulheres.clix.pt

 

 

A maioria política que nos governa fez-se eleger com base numa mentira. Era preciso derrotar o PEC IV que, pasme-se, iria trazer sacrifícios aos portugueses. O PEC IV apresentado pelo governo anterior com o beneplácito da Comissão europeia e do BCE, previa garantir o financiamento da economia portuguesa sem recurso à via grega made in troika. A sede de poder a qualquer preço da direita, com o apoio do PCP e do BE inviabilizaram o PEC a atiraram Portugal para os braços do FMI. Sem rumo, sem estratégia e sem personalidade esta maioria, com apoio de duvidosos comentadores de TV, vai de corte em corte até ao corte final. Baixa despudoradamente salários, retira inconstitucionalmente direitos com a mesma falta de vergonha com que inventa desvios colossais.

 

Aos mais distraídos convém lembrar que nada do que está a acontecer estava previsto no PEC IV e que muito do que se está a passar não está sequer no acordo com a Troika. Aos mais distraídos convêm dizer, que os que na esquerda agora choram lágrimas de crocodilo-PCP/BE-têm as mesmas culpas no cartório na situação criada. Ou vendo bem, até têm mais, porque não se percebe que papel desempenharam nesta tragédia grega da entrega do poder à direita mais anti-social que governou Portugal desde 1974.

 

E se Portugal soçobrar nesta onda de descontrole e incompetência, à responsabilidade da direita gananciosa se associe a esquerda irresponsável. Nunca é demais lembrá-lo.

 

MG 

 

 

 

 

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Economia de totós

por Naçao Valente, em 19.10.11

A austeridade é uma política ideológica mascarada de política económica. Ela assenta no mito, inteiramente falso, de que a despesa pública é um desperdício e uma perda de riqueza sem retorno e que não conduz a qualquer recuperação económica. Todavia, o Mundo é muito mais complicado e os factos, indesmentíveis, são os seguintes: os países social e economicamente mais equilibrados e que mais rapidamente saíram das respectivas crises foram aqueles onde houve um forte estímulo económico público, dado que nas presentes circunstâncias mais ninguém o fará e são aqueles onde há maior despesa em políticas sociais e maior equidade na repartição da riqueza. Neste sentido, o primeiro-ministro deveria inverter a sua estratégia (se é que tem alguma) e colocar firmemente em cima da mesa a renegociação com o triunvirato, tendo em vista quer a recalendarização, quer a supressão das medidas fortemente recessivas. Acresce, ainda, que deveria negociar medidas de apoio ao relançamento e crescimento económico, bem como ao emprego, sobretudo agora em que se discute não só o perdão da totalidade ou parte da dívida grega, mas também de novos apoios tendo em vista o relançamento da economia helénica.’

 

• Domingos Ferreira (professor e investigador – Universidade do Texas, EUA/Universidade Nova de Lisboa), Economia para totós [hoje no Público]:

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no SMS

por Naçao Valente, em 17.10.11

suchablog.com

 

(Devaneios de uma mente ciberperturbada pelo orçamento)

 

Moche

À Ana e ao João,

ao Romeu e à Julieta,

que st é uma  grande treta,

no esseemeesse

 

Moche

À Patuleia e à menina feia,

à incompetêcia e à verborreia,

q vão tds prá cadeia

no esseemeesse

 

Moche

à sacanisse e à vigarice,

à mentira e à safadisse,

E pta que os parisse

No eseeemeesse

 

Mosse

 a esta m..pi,

a mim e a si,

a Alibaba e a Ben Ali,

pra fora daqui

no esseemeesse

 

Mosse

à realidade e à austeridade,

à troika e à brutalidade,

porra pra verdade

no esseemeesse

 

 

Mosse

À caldeirada e à sardinha assada,

À alheira e à rabanada,

Ist só vai à estalada

no esseemeesse

 

Mosse

ao cherne e à truta,

à  cavala e à chaputa,

Q grds filhos da mãe

no esseemeesse

 

Mosse

à mosse e ao s. Sidharta,

à Ângela e à D. Marta,

vão tds pró raio q os parta

NO SMYES

 

MG

 

 

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Porra pá

por Naçao Valente, em 16.10.11

memoriasrecordacoes.blogspot.com

Gungunhana  senta-te

Aonde ?

No chão.

Está sujo.

Senta-te !

O negro imperador dos vátuas, calou o seu português cosmopolita, dobrou-se, em pose cinéfila, sobre o enorme corpanzil e ajoelhou aos pés do capitão Paiva Couceiro/Jorge Brum do Canto, sob ameaça da sua afiada espada. Os soldados, limpinhos e austeros na sua farda engomada, olhavam embevecidos para as mamas ao léu das negras mais belas do casting. Nesta cena do filme Chaimite concentra-se o climax da acção. Os guerreiros figurantes do régulo, batem nos escudos em sinal de submissão ao poderoso rei dos portugueses.

 Os espectadores sentados em frente do ecran improvisado na parede da igreja, acompanham-nos batendo palmas. A fita dá as últimas voltas nas bobines do projector do SNI, as imagens de sombra e luz apagam-se, depois da palavra fim. O equipamento de projecção regressa à camioneta da propaganda, como era conhecida, para partir para outra aldeia na sua missão de levar a cultura do regime do Estado Novo ao velho país rural.

 

Gungunhana senta-te

Aonde?

No chão.

Está sujo.

Senta-te!

O pequeno David /Barra  Gungunhana de cara negra de carvão, começa com o máximo realismo o ritual de imitação, mas o Penina /Barra Paiva Couceiro ignora o guião e descarrega-lhe a espada/ pedaço de pau no lombo esquelético.

-Despacha-te preto nojento, disse o Penina arvorado em capitão, sem farda.

Gungunhana Barra David caiu redondo na terra enlameada pela última chuvada, escondendo a cabeça entre as mãos, em boa hora, pois já o Paiva Couceiro Barra Penina lhe assentava outra traulitada mesmo no toutiço.

A tropa de maltrapilhos de palmo e meio, meio rotos, meio descalços olhava incrédula. Dos olhos do David Barra Gungunhana jorravam rios de lágrimas que lhe transformavam o rosto assustado e preto de carvão da forja do seu pai ferrador, numa paisagem de filme de horror.

-Deixa-me, dizia o pequeno David numa voz entrecortada de soluços, enquanto o Penina continuava a malhar sem piedade. Os seus lancinantes gritos ecoavam até nos corações mais empedernidos. E não fosse eu, (figurante/soldado daquela encenação e agora narrador presente), tão franzino e o alarve do Penina tão avantajado ter-lhe-ia dado um valente pontapé numas partes bem sensíveis. Contrariado, engoli a minha raiva, mas não consegui evitar que o coração quase me saísse do peito e uma lágrima furtiva e teimosa fizesse o seu papel libertador de escape de emoções.

Ouviu-se então o Tomás, um calmeirão e subcomandante que queria ser oficial da marinha (e foi) que olhando ameaçador para o Penina disse: -pára idiota, deixa o desinfeliz …porra pá, isto não é uma guerra a sério! E enquanto o Penina se afastava, como cão rafeiro com o rabo entre as pernas, agarrou no David, levantando-o do chão e dizendo-lhe, numa voz em transição enevoada por fragmentos de ternura: -desculpa…e mudando de tom: porra pá (começava sempre assim e acho que ainda começa) …olha, ao menos aprendeste que se não é fácil ser preto, mesmo em terra de pretos, ser preto e Gungunhana é uma porra em terra de brancos.

Gungunhana Barra David nasceu e morreu ali naquela tarde de brincadeira, mas o David Barra Gungunhana ficou bem vivo e guardado numa gavetinha da minha memória. Hoje é o dia em que o liberto e ressuscito em letra de forma, até porque estou convicto que pelo menos no mundo / ficção o Penina não lhe pode fazer mal.

MG

 

Recorde:

 

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Indignações

por Naçao Valente, em 16.10.11

 

Toda a indignação me parece justa e necessária. Mas dírigir a indignação apenas contra os políticos parece-me ser um acto falhado É que, do meu ponto de vista e  sem pôr em causa as suas responsabilidades, a raiz do problema passa também por aí, mas não está aí. O principal erro dos politicos foi deixarem-se ultrapassar pelos acontecimentos, ou seja deixaram que o domínio da economia passasse para os centros financeiros, hoje ditos ditos mercados. Isto mostra que nos últimos anos a qualidade dos politicos baixou. Mas são os que temos ponto final. Daí que a indignação não possa ignorar esta situação e deva dirigir a sua acção para o alvo correcto, a especulação, como já está a acontecer nos EUA.
Por outro lado, não podemos esquecer que até final do século XX cerca de 2/3 da riqueza mundial era absorvida pelos ocidentais com apenas 1/3 da população. Acontece que os países asiáticos começaram a reinvindicar o acesso a essa riqueza e a divisão do bolo é mais alargada. E esse é um  dos problemas que as fracas e incompetentes direcções políticas não souberam prever, nem estão a conseguir resolver.
Como sair deste labirinto? Sem ser dono de nenhuma verdade, penso que só uma acção de vontades de âmbito mundial, contra a minoria de especuladores que mexem os cordelinhos, pode dar a volta à situação. E estão à vista os primeiros indícios. Esperemos que continuem com inteligência e determinação.

MG

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