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25 de Abril precisa-se

por Naçao Valente, em 31.07.10

 

 

 

"À ponta da baioneta, governo transforma escolas em repartições" Título do JF

 

"Os professores da Escola Secundária Damião de Goes, de Alenquer vão interpor uma providência cautelar contra o Ministério da Educação para impedirem a constituição do mega agrupamento de escolas que integrará esta escola secundária e o Agrupamento de Escolas Pêro de Alenquer." Notícia publicada no jornal Público 

 

 

O golpe de estado é uma prática de países terceiro mundistas, onde o poder está na ponta das baionetas. Sempre pensei que essa prática golpista tivesse sido abolida em Portugal com o 25 de Abril que ajudei a implantar.

 É com espanto, com tristeza e com revolta que vejo depois de três décadas de democracia, o Ministério da Educação impor às escolas contra todas as leis da República, a constituição de agrupamentos absurdos e irracionais. É com indignação que vejo um governo que ajudei a eleger actuar à margem do Estado de Direito.

Em nome de objectivos meramente economicistas voltamos ao tempo da bota cardada. Este país precisa de um novo 25 de Abril e de uma democracia autêntica.

MG 

 

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre

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Bilhete postal: lenços de namorados

por Naçao Valente, em 30.07.10

            

Hoje o namoro já não tem o encanto de outrora. Pulsa ao ritmo alucinante das novas tecnologias. Assume muitas vezes um carácter quase informático. Nasce e morre à velocidade das ondas electromagnéticas. E mesmo quando se desenvolve no contacto "directo" das novas redes sociais, é muitos vezes efémero e fugaz, como o bater de asas de uma borboleta. Reflecte a sociedade de consumo, do imediatismo, do compra e deita fora. Do descartável. 

Viajando pelo Minho encontrei os tradicionais lenços de namorados.

 Hoje não são mais que um souvenirs  para turistas acidentais ou saudosistas dos velhos tempos. Vejo recordado nestes lenços, na sua riqueza pictórica de mensagens ingénuas, uma forma mais autêntica, mais singela, mais ternurenta e até mais genuína do namoro em Portugal. E numa perspectiva mais prosaica não deixam de ser um documento relevante sobre os usos e costumes das nossas gentes.

 

Pode encontrar informação mais detalhada sobre esta  interessante tradição aqui.

 

MG

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fogo fátuo

por Naçao Valente, em 29.07.10

Imagem kafekultura.blogspot.com

O país vai ardendo, nos sentidos literal e figurado do termo. É a crise económica e financeira, é o endividamento, é o desemprego. São os fogos que vão aqui e ali dizimando riqueza florestal. Contudo o que que é que nos entra portas adentro pela comunicação social? É a recorrente novela Freeport com lugar cativo nas páginas dos jornais ou residência permanente nos telejornais. E afinal quem deita achas para este fogo fátuo? Pasme-se: é o próprio poder judicial que diz que se arquivou, ao mesmo tempo que afirma que se calhar não se devia ter encerrado, porque não se pôde  interrogar o primeiro-ministro por falta de tempo.  E assim vai o nosso poder judicial. E assim vão os nossos media. Sobre os problemas reais e concretos do país apetece citar o poema de Manuel Alegre: "pergunto ao vento que passa/ notícias do meu país/ e o vento cala a desgraça, o vento nada me diz."

MG

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Postal ilustrado:o efeito cheque bebé

por Naçao Valente, em 26.07.10

 Imagem NET blogdebrinquedo.com.br/.../ 

Este fim de semana estive na zona do Porto. Revisito locais já vistos mas descubro sempre algo de novo. Como bom português, não dispenso uma visita aos imprescindíveis centros comerciais. Costumo sentar-me numa das praças artificiais destes mega locais de consumo, para apreciar o bulício das gentes que como formigas obreiras deambulam por estes espaços. Este ano, houve um acontecimento que me despertou particularmente a atenção: notei uma acentuada proliferação de carrinhos de bebés, empurrados por babados e orgulhosos pais. Circulavam em fila contínua e como numa estrada congestionada, cruzavam-se em diversas direcções. Algo espantado, interroguei-me sobre as razões de tão elevada produtividade. Depois de muito matutar, penso ter encontrado uma resposta: esta acentuada actividade, num país de tão brandos costumes, só pode dever-se ao efeito cheque bebé. Resta agora saber se o cheque tem cobertura, mas isso já não interessa. O que interessa é que a nação, com ou sem cheque, tem garantida a perenidade. A nação está salva.

MG 

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Bilhete Postal

por Naçao Valente, em 24.07.10

 

Naçon tripeira

 

O Porto é Portugal duplamente. É Portugal porque faz parte do território nacional. É Portugal porque está na origem do nome deste país. Vir ao Porto é sempre um consolo. É um consolo ver o seu típico casario alcandorado ao longo das margens do Douro. É um consolo contactar com as suas gentes simpáticas e acolhedoras e apreciar o seu original linguajar.

E consigo imaginar por de trás das fachadas das casas de habitação alegrias e tristezas, desafogo e dificuldades como em todo o lado, mas sinto no povo da "naçon" portuense uma unidade e um apego à nação portuguesa difícil de igualar. Do Porto faço um convite: venham até cá. Garanto que não se arrependerão, carago.

 

MG

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Trova do vento que passa

por Naçao Valente, em 23.07.10

 

A propósito da luta de algumas escolas  para travar o disparatado e ilegal processo dos Mega Agrupamentos e que numa luta desigual de David contra Golias, enfrentam o insensível Ministério da Educação,  lembrei-me do poema de Manuel Alegre, musicado e cantado por Adriano correia de Oliveira, que aqui posto em sua honra.

MG

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Coimbra II

por Naçao Valente, em 21.07.10

 

Coimbra é uma lição
De sonho e tradição
O lente é uma canção
E a lua a faculdade

O livro é uma mulher
Só passa quem souber
E aprende-se a dizer
Saudade

 

Coimbra está distante fisicamente, mas sempre presente como impressão que me enebria os sentidos e purifica o espírito. Na minha última visita a esta inspiradora cidade, reavivaram-se memórias sobre o tempo mítico de quinhentos, que inspirava Luís Vaz de Camões. Dos seus poemas nutro especial carinho por "descalça vai para a fonte" que aqui reproduzo.

 

Luís de Camões (1524? - 1580)

 

Descalça vai para a fonte


MOTE

Descalça vai pera a fonte
Lianor pela verdura;
vai fermosa, e não segura.

 

VOLTAS

Leva na cabeça o pote,
o testo nas mãos de prata,
cinta de fina escarlata,
sainho de chamalote;
traz a vasquinha de cote,
mais branca que a neve pura;
vai fermosa, e não segura.

 

Descobre a touca a garganta,
cabelos de ouro o trançado,
fita de cor de encarnado,
tão linda que o mundo espanta;
chove nela graça tanta
que dá graça à fermosura;
vai fermosa, e não segura

 

 

Calvagando a inspiração camoneana, aqui me atrevo a uma remake século XXI, sem qualquer veleidade poética, a propósito de uma negrita que invadiu o meu horizonte visual:

 

De chinelo vai ao shopping

 

De chinelo vai ao Shopping,

morena de pele escura;

Vai  charmosa e bem segura.

 

Na rosto traz alegria,

na boca tem um sorriso,

que  faz perder o siso,

 a qualquer hora do dia;

salpicados de ternura,

os olhos têm desejos,

os lábios sugerem beijos;

vai charmosa e bem segura

 

Na tshirt carecida,

os seios assomam gulosos,

do amor mais desejosos,

que das agruras da vida;

a anca cheia, fogosa

presa na saia apertada,

ondula ao longo da estrada;

bem segura e bem charmosa.

 

MG

 

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Dupont e Dupont

por Naçao Valente, em 20.07.10

 

 

MG 

 

 

Ri-se de quê?

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Coimbra eterna

por Naçao Valente, em 19.07.10

 

Adoro visitar Coimbra. Adoro sentar-me na esplanada do Fórum. Extasio-me com as águas ancestrais e serenas do Mondego, onde repousam amores e desamores de milhares de gerações. Embebedo-me no verde dos seus frondosos arvoredos. Perco-me no casario ondulante das suas encostas que me lembram cidades miniaturas construídas com peças lego. Observo e contemplo. Relaxo o corpo e aquieto a mente. Fujo por momentos ao um quotidiano repleto de cinismo, de mentira, de traição. E não fora uns cavalos fumegantes à solta e em correria sem sentido, como formigas em carreiros de asfalto, julgaria estar no mítico paraíso. Mas mesmo assim Coimbra é uma cidade única na beleza, na personalidade, na esperança.

 

Enquanto vagueava em espírito pela sua existência eterna e admirava as suas tricanas de agora e de sempre, deslizando formosas e inseguras, lembrei-me de Luís Vaz e da sua descalça Leonor.  Sem ter engenho e arte para poetar, atrevi-me a meter foice em seara alheia e apresentar a minha versão pretensamente poética e meramente formal do seu genial poema.

MG

 

 

C'alçada vai pro ME

Isabel pelo asfalto.

Veste Pirre Cardin

E calça sapato alto.

 

Na cabeça o penteado,

Na mão a leve tremura,

No rosto aquela candura,

De ter esquecido o passado.

E no sorriso inocente

Mente , mente, mente,mente,

Vai sem nenhum sobressalto

E calça sapato alto.

 

No ventre leva a esperança,

Prenhe de renovação

Pra nascer no meio do verão,

Mas ser Trocada/o na Mata

Por um sujeito de lata.

Mostra indiferença ao assalto

E vai de sapato alto.

 

MG  poético

 

 

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Marreteiros

por Naçao Valente, em 17.07.10

 

Uma Escola Secundária com um universo de oitocentos a mil alunos, mais de cem professores, mais de cem administrativos é um mundo complexo que precisa de ser gerido com muita parcimónia e inteligência. Pôr a funcionar uma Escola Secundária exige experiência e planificação a curto e  médio prazo. Agrupar escolas de um dia para o outro, numa operação feita em cima do joelho é mais que um autêntico disparate, um crime contra a educação. E o mais grave é que é um crime que vai ficar sem castigo.

 

Há génios a quem são entregues pastas ministeriais que não tendo nada de útil para fazer, começam a destruir o que está bem feito. Mostram que têm brilhantes ideias, vulgo "idiotas", e tem sempre alguém disposto a servir-lhe de capacho. Fazem tudo à marretada. De monstruosidade em monstruosidade vão acabar por não deixar pedra sobre pedra. Quem vier a seguir que faça a liquidação e  feche a porta.

 

MG

 

PS E não há ninguém que dê umas marretadas no Ministério da Educação? Por uma boa causa.

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