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Memória Histórica-Janela Indiscreta

por Naçao Valente, em 29.04.10

 

 Sir Alfred Joseph Hitchcock(Londres 13 de Agosto de 1899— Los Angeles 29 de Abril de 1980) foi um cineasta, considerado o mestre dos filmes de suspense, sendo um dos mais conhecidos e populares realizadores de todos os tempos.

Como cinéfilo e apreciador de cinema de qualidade, recomendo todos os filmes que realizou. Contudo, de entre  a sua vasta filmografia destaco um filme que considero, com toda a subjectividade que está implícita, um dos filmes da minha vida. Trata-se de Janela Indiscreta.Aqui reproduzo uma das melhores cenas.

MG

 

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Memória Histórica-Salvador da Pátria?

por Naçao Valente, em 28.04.10

Nasceu em 28 de Abril de 1889 numa modesta casa de Vimieiro. Filho de uma família pobre, estava-lhe destinada uma  carreira eclesiástica. Frequentou o Seminário para estudar Direito. Em 1918 é professor de ciência económica. O golpe militar de 28 de Maio de 1926 catapulta-o para o governo como ministro das Finanças. Em 1932 é nomeado Presidente do Conselho de ministros, cargo que manterá até 1968.

Pôs ordem nas contas públicas e governou a nação com mão de ferro durante quatro décadas. Com a Propaganda adormeceu as massas, com a censura e a Pide controlou a oposição O seu acesso ao poder e o seu êxito político está, também, ligado ao falhanço do projecto republicano. A divisão do partido republicano em várias correntes políticas que se digladiaram em lutas constantes pelo poder, conduziu a República para um beco sem saída. Salazar colheu os frutos dessa incompetência.

Com o advento da democracia em 1974, tornou-se quase tabu invocar o seu nome. Mau grado o juízo que fizermos do regime que instituíu, não se pode, nem se deve apagar a história. Para o mal e para o bem foi um governante de Portugal. Na minha opinião para  além da repressão que exerceu sobre o povo, foi responsável pelo atraso económico e social de Portugal. Sem uma visão estratégica de modernidade, procurou manter  até ao limite o país pobre e rural saído do século XIX.

Lembro-o aqui como uma lição sobre a qual os nossos políticos deveriam reflectir. Embora o regime democrático seja hoje um dado adquirido, não estamos imunes a salvadores da pátria, desde que para isso se proporcionem as condições.

MG

 

 

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Memória de gente anónima - camponês-emigrante

por Naçao Valente, em 26.04.10

 

Fez carreira como agricultor, nos entretantos foi contrabandista e nos finalmentes emigrante-operário, mas sempre camponês. Numa vida de trabalho cumpriu  a sua função de produtor anónimo com humildade, como muitos outros da sua geração. Nasceu em 26 de Abril de 1919. Fez mais pela nação do que esta fez por ele. Em tempos de consumismo desenfreado, em que todos vivemos um pouco acima das possibilidades do país lembro, com saudade, mas com orgulho o cidadão Felisberto, meu amigo e meu pai.

MG

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Nação Valente e Democrática

por Naçao Valente, em 25.04.10

 

Nasci, cresci e vivi em tempos de pensamento único. Nesses anos de fascismo não havia liberdade de expressão, liberdade de manifestação, liberdade de qualquer discordância com o poder vigente. Foi com muita alegria que assisti ao movimento militar que derrubou o regime ditatorial, em 25 de Abril de 1974. Tive o privilégio de poder assistir em directo, no Largo do Carmo, à sua queda. Tive o privilégio e disso me orgulho, de contribuir para o triunfo do sistema democrático, durante os anos de setenta e quatro e setenta e cinco. Ajudei a  combater a deriva aventureirista e antidemocrática, nas fileiras do Partido Socialista. que teve um papel fulcral  na  defesa das liberdades ameaçadas.  Porque a memória é curta, é bom lembrar nestes nos tempos cínicos de "vale tudo"  que hoje vivemos. Por opção pessoal e profissional afastei-me da política activa, limitando-me a ser, nesta vertente, um cidadão atento e participativo.

 

Posso afirmar, sem falsa modéstia,  que fiz alguma coisa, pelo 25 de Abril,  mas tenho de reconhecer que  o 25 de Abril fez muito mais por mim.Deu-me a liberdade a  que sempre aspirei. Abriu-me horizontes e portas que me deram acesso a uma formação universitária e a uma carreira profissional no ensino e nesta profissão sinto ter contribuido para a formação de milhares de jovens e adultos.

 Estarei sempre grato à revolução dos cravos e identifico-me com todos os seus valores de liberdade, igualdade, tolerância. Penso que estes valores fazem parte da matriz genética da nação portuguesa. Estão presentes no espírito do Fundador ao criar um pais contra a hegemonia castelhana. Estão presentes na revolução popular de 1383 que levantaram, a nação contra o golpismo de Castela. Estão presentes na abertura de novos horizontes na aventura marítima. Estão presentes em 1640, nas lutas liberais do século XIX ou no 5 de Outubro de 1910. O resto são noites escuras e obscuras, nuvens negras, mas passageiras . Mas é preciso continuar vigilante porque os partidários da vertigem ditatorial andam por aí e o mais preocupante, às vezes disfarçados de defensores de amplas liberdades  para as quais nunca contribuíram. Acredito que não passarão porquea vocação desta nação é ser valente e democrática.

MG

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José Adriano, além de ser meu avô, era um artesão de eleição. Aquilo que os seus olhos viam as suas mãos construíam. Nasceu quando o século XIX já andava de bengala e morreu, quando o século XX já viajava no espaço. Assistiu, ainda moço, à implantação da República, foi mobilizado, jovem inconsciente, para combater nas trincheiras da Primeira Guerra Mundial. Desertou do exército, viveu clandestino até a guerra terminar. Voltou à vida militar, ao serviço da República, como GNR, para expiar a sua fuga das fileiras.

Casou, teve filhos e cumprida a missão ao serviço da lei e da grei republicana voltou a ser o paisano que sempre teve dentro de si. Regressou à pacatez da sua aldeia. Aí gozou a sua liberdade, pelos trilhos ásperos dos montes e pelos vales verdejantes das ribeiras.

 Republicano e laico, espírito independente e crítico, sempre obedeceu à sua consciência. Apesar das parcas habilitações literárias, era um leitor viciado em leitura. Lia todos os livros que lhe chegavam às mãos, ávido de saber sobre qualquer assunto. No dia mundial do livro e da morte de dois grandes mestres  da literatura e dos  dois espíritos livres que foram Cervantes e Shakespeare , aqui lembro o  homem rebelde e generoso que foi o cidadão anónimo José Adriano.

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Memória Histórica-Achamento do Brasil

por Naçao Valente, em 22.04.10

  

 

Ficheiro:Brazil.Brasilia.01.jpg      Meio século de progresso

 

No dia de 22 de Abril de 1500, uma frota portuguesa, comandada por Pedro Álvares Cabral , avistou uma terra até então considerada desconhecida. Foi baptizada com o nome de Vera Cruz,  hoje Porto Seguro na província da Baía. A frota seguiu a viagem até à India mas dois navios regressaram a Portugal com a carta onde Pero Vaz de Caminha relatava o achamento da nova terra.

Para além da polémica histórica que está ligada ao seu descobrimento , isto é se teria sido uma descoberta acidental ou já programada,  tendo em conta as negociações ligadas ao Tratado de Tordesilhas, o que é preciso acentuar é  que daqui resultou, uma nação multiracial e multicultural caldeadea na mistura de diversas etnias e culturas. Hoje é um dos países que resultaram das vistas largas do Portugal do século XVI.

Quase meio século depois, a 21 de Abril de 1960 inaugurou-se Brasília, a capital do país tropical, imaginada por Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek. Hoje a sua arquitectura continua a ser um exemplo de modernidade que levou a Unesco a classificá-la como Património da Humanidade.

MG

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Homem cosmológico

por Naçao Valente, em 20.04.10

 

No dia 20 de abril de 1972 terá pousado em solo lunar a missão Apolo16. Marca o início do fim de  um período de exploração da lua iniciado em 1961, com o primeiro homem a pisar solo lunar em 1969 . Estas viagens tripuladas à Lua foram abandonadas em Dezembro de 1972 ( missão Apolo 17), por desinteresse da opinião pública e por limitação de meios financeiros. O projecto de exploração espacial faz parte do sonho do homem de ir sempre mais além, mas não pode desinserir-se, na épocas, da rivalidade entre  os EUA e a URSS.

Neil Amstrong disse a propósito que a chegada do homem à lua" representou um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para a humanidade." Quarenta anos depois e apesar do avanço do conhecimento astronómico conseguido, fica a sensação que ainda estamos na pré-história da exploração do cosmos e que a mentalidade  actual do homem, com todas as suas limitações, ainda está a anos luz daquilo que será o     " homem cosmológico".  

MG

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Inquisições?

por Naçao Valente, em 19.04.10

 

"Em 23 de maio de 1536,  foi instituída a Inquisição em Portugal. Sua primeira sede foi Évora, onde se achava a corte. Tal como nos demais reinos ibéricos, tornou-se um tribunal ao serviço da Coroa"

Processo de Galileu

No âmbito de um trabalho universitário analisei no final da década de setenta, processos da inquisição de Évora.  De acordo com esse estudo e tanto quanto me permite a fidedignidade da memória, os alvos eram de certo modo seleccionados e uma das penas mais comuns passava pelo confisco dos seus bens. Durante os interrogatórios e se a memória não me atraiçoa, mesmo que as provas não existissem nem fossem concludentes, os inquisidores acabavam por tirar as conclusões previamente pretendidas.

 

Hoje ao assistir á primeira inquirição na Comissão de Inquérito Parlamentar, ou paralamentar, sobre o estafado caso PT/TVI, pareceu-me ter recuado no tempo, salvaguardadas a devidas distâncias temporais e tecnológicas e democráticas. Vi os inquiridores democráticos actuarem ao melhor estilo inquisitório, ou seja, obrigar o interrogado a dizer aquilo que eles gostariam que ele dissesse.

  Sem uma prova, sem um facto comprovável, apenas baseados em suposições e interpretações esticaram a corda até ao limite do razoável , possivelmente mais interessados no seu espectáculo mediático, do que na procura da verdade. O ex-ministro Mário Lino que até tem piada, construiu uma versão, certa ou errada não interessa, e nela se manteve coerentemente até ao fim do interrogatório. Mas que foi divertido de ver isso foi e à falta de outras diversões,ainda bem que os deputados da nação nos entretêm e justificam o seu merecido salário.

MG

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Memórias de gente anónima - obviamente, professor

por Naçao Valente, em 17.04.10

  

O Senhor Simplício foi professor. Tinha uma pequena escola numa aldeia da serra do sotavento algarvio. Nos exames nacionais no Liceu de Faro, os seus alunos tinham a fama e o proveito de serem os melhor preparados.

Foi seminarista, mas outros valores, desviaram-no da carreira, religiosa. Consta que durante a juventude, andava pelos bailes e feiras, cantando as suas desventuras amorosas acompanhado do seu bandolim, de que era exímio executante…

Por causa dela,

Mas só por causa dela,

Meu coração bateu tanto

Que partiu uma costela...

Nunca casou e quando o conheci já sexagenário, vivia na casa de uma recatada senhora, onde também usava uma sala para dar as aulas. Não percebi se era apenas hóspede ou algo mais, mas isso, também não interessa.

Um dia a meio da aula da manhã, mandou-nos sair para irmos ver, na estrada que atravessava a povoação, a caravana do General Humberto Delgado, em campanha contra o regime salazarista. Foi assim que pude ver a silhueta do general sem medo, que nos acenou detrás da janela de um carro que passou sem parar, rumo a sítios mais povoados. Dessa experiência guardo ainda viva memória.

O senhor Simplício ensinou-me a gostar de aprender, sem nunca cobrar um cêntimo à minha família, devido às nossas dificuldades. Morreu como nasceu, simples cidadão anónimo, mas deixou, de forma, discreta, uma marca bem vincada naquilo que é mais duradouro.. a formação de cidadania.

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