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Campeão do quase

por Naçao Valente, em 19.08.16

Os jogos olímpicos estão ao rubro. E eu estou uma pilha de nervos. Todos os dias os "media" nos fazem crer que vamos ganhar uma medalha.Depois lá vem a puta da realidade. Por causa de desconcentração, de umas folhas que estão no sítio errado, de um azar mesmo azarado, somos ultrapassados mesmo quase no limite. E lá vem o 4º, o 5º ou o 6º, os primeiros dos últimos, nas melhores hipóteses. Pronto, não foi medalha mas foi quase. É a nossa sina.

As coisas acontecem como têm que acontecer. Os outros ganham porque são melhores. Ponto. Somos um pequeno país, onde o desporto amador ou dito amador, é um parente pobre do tio rico que é o futebol. Não se conhece um plano de desporto nacional integrado. As escolas vão fazendo um arremedo de desporto escolar, com a carolice de alguns professores. Esse trabalho, insuficiente, normalmente não tem seguimento. Os clubes locais não têm condições nem meios para fazer um trabalho de base. Os grandes clubes investem tudo no futebol. Os adeptos borrifam-se para tudo o que não seja pontapé no esférico.E depois querem medalhas? Tomem!

Os nossos atletas fazem o melhor que podem e sabem. E com os apoios de que dispõem fazem muito. Para fazer um atleta de grande gabarito é preciso aumentar a captação e depois trabalho duro e orientado por formadores competentes. É necessário mentalizar os nossos jovens, desviando-lhes o foco exclusivo para o futebol. Fazer ver que muitos podem ter apetências, que nunca terão para o desporto rei. A Secretaria do Desporto em coordenação com escolas e colectividades, devia elaborar um plano de formação desportiva e dar-lhes apoio efectivo.

Enquanto o nosso desporto extra-futebol continuar a viver de fogachos, de voluntarismos pessoais, nunca passará da cepa torta. E se hoje já podemos usar o "quase" em relação a algumas modalidades, é porque nessas áreas, se está fazer algum trabalho de fundo, com muitos sacrifícios. Uma coisa é certa:  não somos inferiores aos outros. Provam-no os resultados no futebol, onde se investe e se trabalha a sério. E isso serve-me de consolação. Mas não chega. Não quero ser campeão do quase.

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Trancas à porta

por Naçao Valente, em 14.08.16

Para além dos jogos olímpicos o grande assunto do início deste Agosto quente é a praga dos incêndios. As chamas a consumir bens rivalizaram com os jogos, enquanto espectáculo televisivo. É pena que neste meio de comunicação não se consiga distinguir notícia de reality show.

Os incêndios florestais são um acontecimento praticamente inevitável, na sua totalidade, quando as condições atmosféricas assim o permitem. Daí que verão após verão regressam com mais ou menos agressividade de acordo com as circunstâncias físicas e humanas. Está provado que para além da negligência, os fogos são iniciados por mão criminosa.

E com as chamas regressa todos os anos a nova velha discussão. O que está a falhar: a prevenção ou o combate ao incêndio? E ouvem-se recorrentemente sempre os mesmos argumentos: que é da falta de ordenamento florestal, que é da falta de vigilância e de prevenção, que é da falta de meios. Talvez seja um pouco de tudo. Estudos e mais estudos. Passa a estação de risco e cai um silêncio de chumbo sobre o assunto, até que a tragédia regresse.

Trancas à porta depois da casa arrombada é a máxima que se aplica ao problema. É necessário inverter o procedimento.É preciso pôr as trancas antes do assalto. O diagnóstico está feito. É hora de passar à terapêutica. Passado à época propícia aos fogos não se pode voltar a dormir a sono solto. Tomar medidas para reordenar a floresta é fundamental. Criar estruturas para prevenir é prioritário. Não se pode evitar completamente o fenómeno, mas pode-se minimizar e muito.

Mais discussões estéreis, mais passa culpas, procurando tirar dividendos políticos, é condenável. Acção e unidade nacional na resolução desta calamidade é um acto patriótico.

 

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Romeu e Julieta happy end, epílogo

por Naçao Valente, em 11.08.16

Romeu contrata uma profissional do sexo para o iniciar sexualmente. O inspector Shakespeare aproveita para lhe montar uma armadilha. Vai enviar-lhe a agente Julieta no papel de prostituta.

 

Epílogo

 

Shakespeare resume o plano que Julieta tem de executar: às vinte e três horas apresenta-se como a prostituta contratada. Diz a senha combinada. Vou colocar-lhe uma discreta pulseira com um transmissor para nos contactar. Estamos no lado de fora. Reproduzimos a chave do apartamento e entramos de imediato quando nos chamar.

Quem é ? perguntou Romeu . À noite todos os gatos são pardos, respondeu Julieta. Romeu abriu a porta: segue-me. A agente estagiária seguiu-o por uma sala obscurecida. No quarto perguntou: porque estão as luzes apagadas? Contratei-te para me dares umas lições de sexo. Sou um pessoa conhecida e prestigiada e não quero ser reconhecido. Acontece que me apaixonei por uma bela dama que ainda não o sabe. Consultei uma cartomante e um astrólogo que me garantiram que serei correspondido, mas que tenho de mostrar proficiência. Deixa-te de tretas Romeu, eu também faço o meu trabalho com profissionalismo e gosto de ver o que faço. Acende a luz, sei ser discreta. Quem te disse o meu nome? Ninguém me disse. Basta-me ouvir o te discurso. Ok…Vou acender a luz.

Romeu viu então uma figura alta, com a silhueta disfarçada por um casaco comprido. A suposta prostituta virou-lhe as costa e foi-se libertando lentamente da peça de vestuário exterior. Por debaixo vestia uma t-shirt ousada e uns calções curtos. Virou-se sem pressa. Romeu embatucou. Julieta de olhos semicerrados desinibiu-se no seu papel: perdeste o pio? Eu não acredito-balbuciou-és a mulher que me tira o sono …e prostituta. Julieta observou o corpo de Romeu seminu e deu uma sonora gargalhada: mas és o tipo que me costuma comer com o olhar. Sou. Afinal já reparaste em mim? Reparei. E digo-te mais, eu não acredito em cartomantes mas que acertam, acertam. Como assim? Em cada dia que passava junto à loja para o meu trabalho me interrogava: será hoje que este pasmado se declara? Caramba, foi preciso o inspector Shakespeare suspeitar que és um assassino para desencalhares da fase do galanço. Raio! O amor se tem mesmo que acontecer salta todas as barreiras e ironia das ironias, regra geral, os namoros acabam na cama, este é onde começa. Sou Julieta Queiroz da polícia Judiciária em serviço de investigação e que investigação...

Romeu e Julieta cruzaram olhares ternurentos e entrelaçaram as mãos. A intensidade do gesto despoletou o alarme. Quieto ,disse o agente Damião de arma apontada ao peito nu de Romeu. Shakespeare aproximou-se: bom trabalho doutora. Apanhamos o bandido? Bandido? que bandido?, respondeu Julieta. Este é apenas o meu bandido. Mas o alarme, tocou . Foi falso alarme inspector. Isto é uma longa história. Está tudo sobre controle. Pode sair descansado. Deixe-me acabar o meu trabalho.

Happy end

 

Advertência: no cumprimento dos princípios da moral judaico-cristã esta história acaba aqui. Obrigado

 

Pós epílogo

O agente Damião arrastou suavemente o inspector para a rua. Pela primeira vez viu-o perder a compostura e desafivelar a máscara de policial. Lágrimas corriam-lhe pela face. Não se sente bem chefe? Aconteceu uma desgraça Damião. Vou fazer-lhe uma confidência. Na juventude tive uma relação com uma moça de boas famílias. Preconceitos de classe não nos deixaram ser felizes. Desse amor nasceu uma criança. A moça casou com um rico comerciante e sumiu com o filho. Hoje voltei a vê-lo. Reconheci-o por um sinal inconfundível no ombro. É o Romeu. Porra inspector, como o compreendo. Isto até parece uma novela mexicana. Não parece é, Damião, porque o mais trágico é que Julieta também é minha filha! Passou-se dos carretos doutor Shakespeare? Antes me tivesse passado. Para matar o meu desgosto de amor envolvi-me com uma corista do Parque Mayer. Essa relação foi passageira e dela só sobrou Julieta. Nunca assumi a paternidade mas sempre a acompanhei, incógnito. Fiquei feliz quando veio para a polícia. Da mãe herdou a beleza e tem os meus genes de investigadora. Sou mesmo um biltre. Criei as personagens e perdi-lhes o controle. Acalme-se inspector, é a vida. A vida meu amigo Damião é uma ficção escrita pelo destino. Umas vezes escreve tragédias, outras escreve comédias. Não sei qual preferir.

Deixe para lá inspector. O que tem que ser é. São jovens, estão felizes, o que quer fazer? Os tempos mudaram Shakespeare. Os criadores já não controlam as personagens que criam. Olhe, vamos até à casa da Mariquinhas, comer um galo capão de cabidela para matar a dor e beber um alvarinho para afogar as mágoas. A seguir logo se vê...

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Romeu e Julieta happy end 5

por Naçao Valente, em 09.08.16

 


Romeu e Julieta-happy end V

 

No episódio anterior Romeu foi denunciado à polícia por um mirone que o acusou de cometer um crime. Foi visitado pelo inspector Shakespeare no seu apartamento mas não foram encontrados vestígios.

 

 

 

Romeu reconheceu que o plano A tinha falhado. Na manga esperava o plano B. Tinha chegado a hora de o executar. Eram 21 horas quando entrou bar Flórida pela primeira vez. Nunca tinha estado num local de venda de sexo. Na semi-obscuridades da sala reparou nas silhuetas sentadas em volta de mesas de pé de galo. Na pista de dança rodopiavam pares de dançarinos. Dirigiu-se ao balcão e sentou-se num banco de pé alto. Pediu um Wisqui e solicitou a presença do gerente. Bebeu um gole. Sentiu uma mão suave no ombro. Olhou de soslaio. “vamos dançar jeitoso?” Abanou a cabeça procurando sacudir aquela voz atrevida.

“Em que posso servi-lo” disse o individuo que se apresentou como gerente. “Queria contratar uma das suas meninas?” Olhe à sua volta e escolha”. Não está a perceber”, continuou Romeu; “vou directo ao assunto”: por razões que não vêem ao caso necessito de umas lições de sexo. Preciso uma profissional experiente e discreta, pois por razões que não interessa desenvolver não quero ser reconhecido. Não discuto o preço.” Se puder ser, desejo começar hoje”. “Já percebi” , afirmou o gerente,” vou enviar-lhe uma menina de toda a confiança. Pode ser às vinte e três”?.

O inspector Shakespeare disfarçado no sobretudo tweed esperou que Romeu saísse. Saiu da obscuridade e aproximou-se do balcão. Passou o crachá pelos olhos espantados do gerente do bar. “Polícia Judiciária”. “Posso ser útil?”, disse o gerente. “Quero que me diga o que pretendia o sujeito com quem esteve a falar. Estamos a segui-lo como suspeito de eventuais crimes”, informou o inspector. Ok disse o gerente . “Veio contratar uma menina. Combinámos enviá-la ao seu apartamento às vinte e três.” Não vai enviar menina nenhuma. Eu trato do assunto”.Shakespeare dirigiu para o carro e disse ao agente Damião:” ligue-me de imediato à agente estagiária Julieta Queiroz.”

 

Julieta Queiroz entrara para a PJ por vocação e convicção. Filha de uma corista de revista, e gerada durante uma relação ocasional da mãe nunca soube quem era o pai. Activa, determinada e inteligente cursou Direito para seguir a carreira policial. Aliava a estes predicados uma beleza rara e incomum que herdara da mãe. Distinguia-se pelo seu porte no meio das multidões. Era habitual receber piropos de homens atrevidos que não a intimidavam, pois costumava responder sempre à letra e embatucar os provocadores: “sou boa como o milho? Pois sou mas não é para o teu bico, galo capão”.

Depois do jantar adquirira o hábito de tomar um banho relaxante. Estava a sair da banheira quando o telefone tocou:

-Estou.

-Doutora Julieta fala Shakespeare

-A esta hora inspector?

-Temos uma urgência …prepare-se. Apanhamo-la dentro de meia hora.

“Vou directo ao assunto” disse Shakespeare quando Julieta entrou na viatura. “Podemos estar na pista do enguia. Acabou de contratar uma prostituta. Precisamos da sua colaboração para a substituir”. "Alto aí doutor Shakespeare. Sou agente de polícia. Não fui contratada como prostituta nem como actriz”, replicou Julieta. “Desculpe doutora, não a chamei para argumentar , mas para agir. É este o plano.”

 

continua

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Romeu e Julieta Happy end 4

por Naçao Valente, em 07.08.16

 

 

No episódio anterior Romeu com o objectivo de se preparar para conquistar a sua amada, resolveu começar a fazer a sua iniciação sexual com uma boneca insuflável. A experiência não correu bem...

 

O inspector Marco Shakespeare estava a dormitar no seu banho diário com sais relaxantes , prática que herdara da costela inglesa da mãe,quando o telefone tocou

-Estou…

-Desculpe inspector, fala do piquete nocturno…surgiu uma situação urgente. Um indivíduo identificado ligou-nos e diz que está a assistir do seu apartamento ao assassinato de uma mulher nua. Podemos estar perante o “enguia” o procurado raptor de prostitutas…

- Foda-se agente Damião…tira-me da minha sessão zen por causa de um telefonema…acha que o “enguia “ se punha a jeito de ser apanhado…

-Inspector sigo as suas instruções: nunca se menospreza uma pista por mais irrelevante que pareça.

-Ok. Prepare uma equipa para actuar de imediato.

Quando acabou de devolver a peça de latex à sua embalagem, a campainha do T0 de Romeu tocou freneticamente. Enfiou a pequena embalagem no fundo do roupeiro e foi abrir a porta. Um latagão de um metro e noventa apontou-lhe uma arma: “Levanta os braços e mantem-te quieto. Pode entrar inspector, o suspeito está controlado” Romeu emudeceu. Uma fraca figura embrulhada num sobretudo de tweed verde e com um crachá na mão esquerda disse: “onde está o corpo da mulher assassinada?”. “Mulher, qual mulher”, conseguiu balbuciar Romeu em pânico:”deve haver algum engano” . Qual engano, qual carapuça, recebemos uma denúncia de um vizinho…Agente Damião faça uma busca ao apartamento", disse o inspector , acenando o crachá.

O agente Damião, de alcunha o Buldozer revirou tudo. “Não encontrei nenhum corpo, nem qualquer vestígio de crime, inspector”. “Era o que eu pensava. Deve ser fantasia de algum lunático paranóico”, afirmou Shakespeare procurando eclipsar-se dentro do sobretudo , apertando violentamente o crachá. “As nossas desculpas senhor? …Romeu, conseguiu balbuciar o suspeito, recuperando a voz”.

Ao sair do apartamento o inspector dirigiu o foco de uns olhos verdes pequeninos para o Buldozer e sentenciou: “nunca se esqueça Damião uma pista, mesmo absurda é sempre uma pista. Um indício é sempre um indício. O homem está todos esgadanhado. Vamos mantê-lo debaixo de olho.

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Romeu e Julieta, happy end-3

por Naçao Valente, em 03.08.16

Romeu procura encontrar uma companheira. Depois de referenciada sente dificuldades na abordagem. Resolve  consultar cartomantes e astrólogos. Estes dão-lhe a receita para conquistar a sua amada: tem de ser afirmativo e proficiente sobretudo no sexo. Decide começar a sua aprendizagem com uma boneca insuflável... 

 

 

O T0 da periferia possuía uma sala com kitchenete. Uma porta janela sem cortinados dava acesso a uma pequena varanda. Romeu  subiu em passo apressado os dois lances de escadas que o levavam  ao seu apartamento. Atravessou a sala em direcção ao quarto, ansioso por experimentar o equipamento. O vendedor da loja informara-o que à boneca só faltava falar, o que para o efeito podia ser uma vantagem. No resto quase imitava uma tipa de carne e osso. Na sua concepção estivera a beleza de Cleópatra. Mas esclareceu-o que não há bela sem senão..Avisou-o que a ranhura se sofresse excesso de calor poderia bloquear. Dito de outra forma não podia ter uma utilização longa.

 

Depois de insuflar a sua Cleópatra, Romeu achou-a  um pouco anafada para seu gosto. A primeira tentativa de utilização correu mal. Colocou-se em cima da boneca mas esta deslizou fazendo-o dar um trambolhão da cama do que resultou ficar com algumas mazelas superficiais. A sua Cleópatra parecia ser do tipo arisco, pensou Romeu  ainda meio atordoado. Parou para avaliar a situação. Quando começou a ler as instruções percebeu que a engordara. Depois de lhe reduzir a celulite voltou à carga. Conseguiu finalmente ajustar-se  na perfeição. O treino estava a resultar. Sentia que começava a dominar a situação. Senhor de si esqueceu-se do tempo e esqueceu a advertência do vendedor. Quando quis parar estava preso à sua personal trainer. Quanto mais estrebuchava mais aumentava a sua prisão. Num segundo de lucidez descobriu que precisava de esvaziá-la. Mas como, se não tinha acesso à válvula de enchimento?

 

Romeu percebeu que precisava de um instrumento cortante. Não tinha nenhum à mão. Começou a deslocar-se para a kitchenet  com a boneca acoplada. Ao atravessar a sala tropeçou nos pelos da alcatifa e estatelou-se. Com esforço conseguiu arrastar-se até à kitchenet e agarrar uma faca de cozinha. Golpeou-a com  raiva até começar a emagrecê-la. Libertou-se. Só então reparou que não tinha descido os estores da sala. Tarde de mais. No apartamento gémeo situado em frente do seu um olheiro observava-o assustado

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Romeu e Julieta happy end-2

por Naçao Valente, em 01.08.16

II-continuação

 

No episódio anterior Romeu vive o dilema de lhe faltar uma cara metade. Desesperado resolve consultar uma cartomante que lhe traça um destino radioso e lhe dá alguns conselhos. Não fica totalmente esclarecido e resolve consultar um astrólogo.

 

Salte-lhe para cima 

 

Uma menina, mesmo menina, de longas e bem torneadas pernas, descobertas por uma espécie de saia que mal lhe cobria as generosas nádegas abriu-lhe a porta e recebeu-o com um sorriso carnudo de orelha a orelha. A coisa prometia pensou Romeu. "Sou Irene, muito prazer" enquanto estendia, num cumprimento, uma mão suave como seda que o deixou cheio de calafrios. "Espere um minutinho, o meu marido atende-o já." Irene empurrou uma porta, "mor está aqui o senhor Romeu". "Entre, disse o astrólogo". Entrou e viu na sua frente um cavalheiro de meia idade, gorducho, magro de cabelo, com reflexos de neve. "Está bem calçado o magano" foi a primeira ideia que lhe ocupou a mente. Feitas as apresentações, Hórus consultou um mapa astral de onde ia retirando cenários muito genéricos, mas todos promissores. No fim desta breve arenguisse, o discurso descambou para a actividade sexual, o que não estava desenquadrado . No fim Romeu reteve apenas a ideia que parecia faltar: "para conquistar e segurar uma mulher é preciso satisfazê-la sexualmente. Nunca use a técnica do coelho. Prolongue a acção durante bastante tempo...digamos que uma hora é o mínimo...para a deixar bem saciada." Pagou, despediu-se, reviu na saída a escultural menina mulher do cota Horus. Começou a achar sentido ao conselho do astrólogo " para conquistar e satisfazer uma mulher..." 

 

Romeu considerou que terminara a fase de consulta. Estava na hora de passar à acção. Mas sentia que antes de entrar no jogo a sério tinha de fazer alguma preparação. Tarefa que não se apresentava nada fácil. Por acaso lembrou-se de conversas com colegas nas horas mortas. Ouvira falar na Gruta do Amor, um estabelecimento clandestino onde se adquiriam artefactos sexuais. Nessas conversas tomara conhecimento da existência de bonecas insufláveis. Quando entrou na Gruta do Amor Romeu parecia um espião russo dos anos vinte. Ao espesso bigode acrescentara uma barba postiça, uns óculos de lentes grossas e um boné de pescador .Um tipo que parecia chupado das carochas olhou-o de soslaio e perguntou-lhe se podia ser útil. "Venho a pedido de um amigo que vive isolado saber se tem material insuflável." disse procurando disfarçar o tom de voz. Não pretendia pôr em causa a sua reputação de cidadão honesto e respeitador dos bons costumes. "Quer dizer imitação de gajas, feita de latex? Tenho aí material de primeira que até vibra e nunca se cansa.Tem preferência por cor? Tenho-as de todos os continentes e para todos os gostos."Tenho ainda as personalizadas que imitam tipas famosas. Aqui está o catálogo." Levo esta, disse Romeu, o meu amigo é admirador da Antiguidade, faça-me um embrulho discreto."

 

continua...

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Romeu e Julieta Happy End

por Naçao Valente, em 31.07.16

 


I A ocasião faz o ladrão
Romeu da Maia dirigia com eficiência a loja de eletrodomésticos, propriedade da família. Fruto proibido de uma relação contrariada da mãe, Eduarda da Maia, na juventude, nunca conhecera o pai biológico. O seu verdadeiro pai, que o educou e lhe abriu as portas da vida foi o marido da sua mãe, um empresário ligado ao grande comércio. Depois de ter regressado da guerra colonial onde se destacou como oficial miliciano, Romeu foi viver sozinho para um apartamento da periferia. No seu dia-a-dia despreocupado sentia contudo a falta de uma companhia feminina.
Em tempos, andara enrolado com uma colaboradora que o trocara por um comissário de bordo, cinquentão, que trabalhava numa empresa de aviação americana. Numa outra relação fora traído por uma escriturária da sua Companhia de Seguros que fora apanhada a sentar-se no colo do chefe de serviço. A promoção profissional ganhou-lhe aos pontos. Ainda chegou a ser abordado por uma quarentona divorciada, que o amassou num baile de fim de ano no velho Monumental, mas quando foi chamado a entrar ao serviço, acobardou-se, e deu de frosque.
Após várias desilusões amorosas, um dia igual a tantos outros mas tão diferente, embasbacou-se quando viu passar na frente da sua loja uma moça de fazer parar o trânsito. Foi paixão à primeira vista. Estava em pulgas para lhe chegar à fala, mas não arranjava maneira nem coragem. As más experiências pesavam como chumbo e manietavam-lhe a acção. Por mero acaso quando passava os olhos por uma página de um vespertino viu-se a ler anúncios de bruxas, videntes, astrólogos e outros vendedores de felicidade. "Se a sua vida anda enrolada, o professor Hórus dá-lhe a solução" ou " as cartas da menina Lobélia solucionam todos os problemas de amor" entre muitos outros. Romeu encheu-se de coragem e tomou a decisão: “vou consultar a cartomante."

Continua

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A vida é feita de pequenos nadas

por Naçao Valente, em 29.07.16

A escritora Agustina Bessa Luís usou num dos seus romances que a história é uma ficção controlada. Completamente de acordo. Não é por acaso que a história está constantemente a ser reescrita. Mudam-se os tempos, sucedem-se as correntes historiográficas, alteram-se as ideologias dominantes e mudam as interpretações. Ora se dá mais importância aos heróis, ora se privilegia o papel do colectivo, ora se acentua a vertente política, ora se promove estrutura económica, ora se ignoram acontecimentos. Poder-se-á alegar que antes das interpretações estão os factos e que estes são incontestáveis. Não é verdade. Não há factos puros nem ingénuos. Os factos são criados por homens, reflectem subjectividade e parcialidade na melhor das hipóteses, pois muitas vezes são manipulados e falsificados. E quanto mais recuamos no tempo mais a efabulação se torna real. Toda a construção da história antes da escrita está alicerçada em indícios materiais sobre os quais se podem construir diversas fantasias. O que aconteceu realmente, ninguém sabe. Supõe-se. Até a explicação científica sobre a formação do universo levanta muitas interrogações. Se houve uma explosão inicial como se formou esse principio? Haverá um principio de principio? E por este caminho não chegaremos, em linguagem humana, a um beco sem saída? E se não podemos chegar ao princípio, como podemos imaginar um fim? Perguntas para as quais a limitada mente humana não tem respostas.

Do passado o que fica de objectivo é o conhecimento acumulado que usamos, nem sempre bem, no presente. Nesse sentido o passado dilui-se de forma quase imperceptível no nosso dia a dia, aquele que realmente vivemos.

Mesmo esse tempo a que chamamos futuro, não passa de um holograma do presente. Não passa de utra ficção que criamos na nossa mente de acordo com vivências, desejos, suposições. E invocar uma construção ficcional do passado para explicar o futuro, se não for intencional só pode ser ingenuidade. O retrocesso social do inicio do século XXI, por exemplo, era imprevisível na segunda metade do século XX. Pensava-se precisamente em sentido contrário. O que sabemos e sentimos de concreto é o que vivemos, segundo a segundo, porque a vida é presente, feito de pequenos nadas. A emoção do nascimento de um filho, a alegria da vitória do nosso clube, a tristeza de uma ausência. Um sucesso momentâneo, um fracasso repentino, uma discussão absurda. O canto de um pássaro na madrugada, o sabor doce de um fruto, o cheiro e a beleza de uma flor. A audição de uma música, a leitura de um poema, a fruição de de uma paisagem... E apesar do acaso que acompanha a vida, quero acreditar sem cientificidade e por simples intuição que a vida, como o cosmos têm um sentido. Nem sei qual, nem ninguém saberá. O que sei é que é bom viver, o que sei e acentuo é que a vida é feita de pequenos nadas. 

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A técnica das meias verdades

por Naçao Valente, em 27.07.16

Portugal é um pequeno país com uma economia periférica e muito condicionada pelo contexto da economia global. O nosso país está inserido na União Europeia onde o crescimento tem sido muito anémico. É muito difícil para qualquer país crescer nestas circunstâncias. E todos sabemos que o crescimento económico é fundamental para se criar emprego e em consequência melhorar de forma sustentada o nível de vida da população. Este é o retrato algo simplista da situação económico social.

Profetas da desgraça como Medina Carreira usando o seu púlpito mediático bate sempre na mesma tecla: sem crescimento da economia não podemos viver nos moldes em que temos vivido. Nesta formulação pode ler-se que temos que empobrecer, ou seja é preciso cortar nas regalias sociais. Esta análise formalmente basista omite  e desconsidera factores que justificam uma realidade muito mais complexa.

Sendo certo que o país não cresce nunca ouvi ao aludido comentador uma única ideia que diga como se inverte a situação. Diz que é preciso captar investimento externo, mas não apresenta uma teoria coerente para o fazer, além de vagos "bitaites". Critica por criticar tendo sempre o mesmo objectivo que é o de castigar os que menos recebem na distribuição das mais-valias geradas pelo sistema produtivo.

Nunca vi nestas predicas alusão ao envolvimento da conjuntura europeia e mundial, do deslocamento dos investidores para zonas de mão-de-obra barata, do desinvestimento na inovação na última legislatura, da predominância da especulação em relação à produção aplicada pelo neo-liberalismo, da distribuição mais equitativa dos rendimentos, das restrições da própria UE em função da austeridade, e em oposição a uma política de desenvolvimento concertado de todas as economias do euro e dos Tratados que limitam as soberanias. Apenas o vejo martelar sempre na estafada tese de que os culpados são os assalariados e quiçá do governo que lhe dá algumas benesses. Portugal terá condições para crescer quando na UE se aliviar o espartilho austeritário que condiciona a liberdade dos seus membros e puderem concentrar esforços na modernização tecnológica.

MG

 

 

 

 

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