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Pôr-se a jeito

por Naçao Valente, em 23.09.16

O deputado Oliveira do PCP  usou num texto publicado no Avante uma expressão muito interessante, a propósito da polémica sobre o anunciado imposto sobre património: "uns juntam com o bico, outros espalham com as patas". Esta simples caracteriza a política de capoeira quando uma galinha na ânsia de dar nas vistas espalha o milho que devia estar resguardado. Logo outros galináceos aproveitam para bicar. Foi, de certo modo, com as meninas do bloco, ao divulgarem uma medida, ainda em apreciação, para se pavonearem como donas da ideia. E deram espaço à direita revanchista para atacar a geringonça que neste caso se geringonçou. Que aprendam a lição. Nunca nos devemos pôr a jeito.

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O ovo no cu da galinha

por Naçao Valente, em 22.09.16

Um eventual novo imposto sobre o património está a gerar uma histeria comunicacional. Faz lembrar a expressão "contar com o ovo no cu da da galinha". O facto é que ainda não foi apresentado nenhum novo imposto. Há rumores, insinuações, "bocas" daqui e de acolá,  que essa alteração na carga fiscal fará parte do orçamento do Estado para 2017. Em concreto é  um ovo imaginado e na melhor das hipóteses em gestação.

Os comentadores andam frenéticos em artigos de jornal,e em debates televisivos. As forças partidárias desdobram-se em declarações, inventam cenários. Uns e outros, a uma só voz de condenação, prevêem o fim do mercado habitacional, a ruína da construção civil, o desemprego galopante, a fuga do investimento. Choram lágrimas de crocodilo pelos pobres investidores. E pasme-se, avisam para o perigo da sovietização.

Mas no fundo, qual é a substância do que se discute? Nenhuma. Ou melhor, as características de um ovo que não existe, o seu tamanho, a cor da sua gema, os nutrientes que possui, a forma como é cozinhado. Será escalfado, cozido, frito ou quiçá em omeleta.

Mesmo que a galinha venha a parir o ovo tão maltratado antes de nascer, que até parece mais ovo de serpente que de ave de capoeira, só então será sensato discutir a sua natureza. Se é branco, preto ou às pintas. Até lá não seria melhor meterem a viola no saco , ou então darem ao pagode uma música menos pimba?

PS, Acabei de ver um vídeo onde "ex-primeiro" nos seus tempos de "primeiro" fazia a apologia do dito imposto. Agora considera-o uma criação de Belzebu, a sovietização, o PREC. Mudam-se os tempos mudam-se as convicções. A coerência deve ser verde e veio um burro e comeu-a.

 

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Não me identifico ideologicamente com Mariana Mortágua. A história mostra que a constituição de uma sociedade sem classes e sem qualquer exploração, não está no ADN da humanidade nesta fase do seu desenvolvimento. Portanto, acreditar no imediato em projectos de total igualdade social não passa de uma utopia. Mas as utopias geram a esperança que alimenta a luta pela construção de um mundo mais justo. São legitimas e quem as defende merece todo o nosso respeito.

Falta de respeito pelas ideias dos outros  não é uma atitude democrática. Antes pelo contrário, a atitude de intolerância está mais próxima do totalitarismo, do que aqueles que disso são acusados, em função do seu posicionamento político. Com efeito, as palavras de Mariana Mortágua num encontro partidário em Coimbra, estão a ser utilizadas por escribas avençados, de uma forma intencionalmente distorcida. Que crime cometeu a jovem deputada? Limitou-se a expressar opinião sobre a forma de tributação, cuja mão tem sido sempre mais pesada sobre os rendimentos mais baixos. Logo caiu o Carmo e a Trindade, pela segunda vez, na voz e na pena daqueles que como Helena Matos ou Paulo Ferreira, e o papa da demagogia Camilo Lourenço, entre outros, consideraram tais declarações como prenunciadoras da sovietização de Portugal.

O ataque a Mariana Mortágua e a tentativa de considerar o PS um partido adepto dos regimes soviéticos, só porque alguns eventuais simpatizantes, aplaudiram a deputada do do BE, raia o absurdo e demonstra  uma total falta de vergonha. Aqueles que durante o mandato do governo anterior não publicaram uma vírgula a criticar a aplicação da austeridade e das suas consequências, vêem agora nos tímidos progressos sociais o fim do mundo. Aqueles que consideram que os principais detentores da riqueza, são beneméritos que criam postos de trabalho para os miseráveis poderem comer, e se julgam únicos detentores da verdade, escondem que são estes miseráveis que produzem a riqueza de que os primeiros beneficiam. E escondem que se estes não cultivarem a terra ou não construirem as casas também não têm comida, nem lugar para habitar.

O insulto como argumento contra a deputada, procurando atingir a sua família, a distorção da realidade para manter o "status quo" da exploração a qualquer preço, mostra o seu desespero. Os abutres estão famintos do sangue e do suor dos que sempre exploraram. Os abutres voam cada vez mais baixo e já não procuram disfarçar a sua condição de aves predadoras.

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O livro proibido de Saraiva

por Naçao Valente, em 16.09.16

José António Saraiva é um arquitecto que nunca arquitectou nada. Nem uma casota para cão. Ainda bem para o cão. Não sei como, nem me interessa, armou-se em jornalista e assim ganha vida. Depois de sair do Expresso, fundou o Sol. Um fiasco. Falido vai sobrevivendo com dinheiro angolano, e fazendo o seu papel de tablóide semanal. Enfim,a vida custa a todos e cada qual ganha-a como pode.

Não se conhece ao arquitecto enquanto escritor qualquer obra relevante. No entanto, vai agora lançar um livro "Eu e os políticos" que segundo consta aborda a vida de alguns políticos na intimidade. O autor assume o papel de voyeur espreita pela fechadura e conta o que se passa no remanso da alcova. São várias as vitimas da devassa, umas vivas outras mortas. Diz quem teve acesso a esse big brother em versão letra de imprensa, que estamos perante uma abordagem degradante da vida alheia. Protagonismo e dinheiro, para si e para a sua editora, (Gradiva) são a razão ser da "porno chachada". Mas revela sobretudo a incapacidade do autor em firmar-se como um escritor sério.

António José Saraiva, pai deste "escrevedor" foi um grande estudioso da literatura. Deixou obra de relevo publicada,e hoje referência para o estudo da nossa literatura. Tem um percurso pautado pela competência, pelo rigor, pela inovação, pelo bom senso. Tem lugar garantido na história. Merece a minha gratidão e o meu respeito. Quem sai aos seus não degenera. Pelos vistos este filho da mãe (e do pai) degenerou.

   

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Já não há homens assim

por Naçao Valente, em 13.09.16

A relação entre um cidadão que tem dinheiro nas contas dos amigos  e um certo juiz de instrução não é apenas uma relação jurídica. No comportamento e nas declarações  o juiz mostra um certo ódio visceral ao dito sujeito. Mandou prendê-lo à primeira oportunidade, manteve-o preso enquanto a lei o permitiu, considera-o culpado antes de ser acusado e de ser julgado.

Numa abordagem meramente especulativa, encontro a explicação para este ódio, nas razões que passo a descriminar: de acordo com os critérios de beleza ocidentais (subjectivos) o sujeito é bonito e elegante e o juiz é feio e gordo; o primeiro tem dinheiro para comprar uns ténis de marca, o juiz precisa de fazer horas extraordinárias para os pagar;  o outro ,passa férias em sítios paradisiacos e até as passou, recentemente um ano numa bonita cidade portuguesa à conta do Orçamento do Estado; o juiz não goza férias, nem na praia de Pedrouços. Trabalha, trabalha, trabalha. A bem da Nação. Já não há homens assim. Que seja abençoado. É a  melhor consolação.

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Popularidade e populismo

por Naçao Valente, em 03.09.16

O novo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa é, ao contrário do seu antecessor, um presidente popular. Muito afectivo, procura estar junto das populações numa espécie de presidência aberta permanente. Com o seu à vontade natural, desempenha este papel como peixe na água. Ao mesmo tempo revela um protagonismo frenético, pronunciando-se por tudo o que acontece ou não acontece, não sendo capaz de despir a pele de comentador que exerceu durante muitos anos.

Este novo modelo presidencial surpreendeu e foi bem recebido pela novidade.Mas passado o impacto inicial corre o risco de se tornar cansativo e desvalorizar a função presidencial. Como diz o ditado, a virtude está no meio e não nos extremos. A constante intervenção do Presidente em assuntos que não são da sua área, nomeadamente os da área da governação, pode tornar-de contraproducente. O excesso de protagonismo pode redundar em populismo.

O Presidente Marcelo é um homem inteligente, mas ao conseguir um cargo de elevado prestígio parece ter-se deslumbrado. De acordo com a sabedoria popular cada macaco deve estar no seu galho. E o Presidente que tem o seu lugar determinado, não deve continuar neste frenesim. Estar próximo do povo e dos seus problemas não significa que se porte como um bombeiro a acorrer a todos os fogos ao mesmo tempo. E não pode esquecer-se que já não é comentador. A postura de homem de estado exige mais recato. Passado o deslumbramento é tempo de moderação. 

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A formiga no carreiro ia em sentido contrário

por Naçao Valente, em 30.08.16

 

O direito ao gozo de férias é uma conquista recente. Vem na sequências das lutas laborais e da ascensão ao poder de partidos de índole socialista. São um direito universal expresso na Declaração dos Direitos do Homem. Em Portugal, generalizam-se após o 25 de Abril de 1974. O conceito de férias inicialmente associado ao direito ao lazer, acabou por dar azo a uma revolução na economia mundial, com a criação da indústria do turismo. Ironia das ironias é a classe empresarial, são os donos de dinheiro, que acabam por beneficiar deste direito popular, descobrindo uma nova forma de multiplicar o seu capital.

 

Durante longos meses de trabalho, os cidadãos sonham com a chegada desses dias de paragem na actividade profissional. Paralelamente ao gozo de férias surgiu a moda dos banhos de mar. As longas praias da costa portuguesa, adormecidas durante séculos pelo embalo das ondas marítimas, foram acordadas por gente ruidosa e sequiosa de sol e mar no período estival. Quando chega o Verão o país entorna-se para o litoral, especialmente para o Sul na procura de calor e águas mais tépidas. A maioria dos que podem dar-se a esse pequeno luxo partem de armas e bagagens para as praias mais procuradas. Aterram na confusão das urbes marítimas, disputam milímetro a milímetro um lugar no areal. Embebedam-se de sal, torram-se de raios uv. Mais escaldão menos escaldão, sentem-se felizes e durante breves momentos alheiam-se das agruras da puta da vida.

 

Ao contrário da maioria dos que podem fazer férias fora de casa, não rumo, nesta época ao Sul. Como a formiga no carreiro vou em sentido contrário. Longe do burburinho cosmopolita da área marítima rumo a Norte. Perco-me nas paisagens verdes das beiras e do Minho. Calcorreio as ruas de pequenas vilas, com alguns visitantes, mas onde se sente o genuíno pulsar dos autótones. Procuro saborear as gastronomias locais, com moderação, que a vida não está para luxos. Integro-me nas suas festas seculares e sinto-me no Portugal tradicional, embora modificado pela modernidade. Feirense em Santa Maria da Feira onde a sua viagem medieval é já uma instituição nacional, tripeiro na Invicta, ponte-limense em Ponte de Lima com a sua ponte romana e a sua arquitectura de belos solares, cerveirense em Vila Nova de Cerveira com a sua bienal. E muitas outras poderia referenciar. Descobrir este Portugal, mesmo se já descoberto, tem sempre um encanto renovado. E sem pôr em causa as virtualidades do litoral marítimo, acentuo, que mesmo para férias, existe outro país.

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Campeão do quase

por Naçao Valente, em 19.08.16

Os jogos olímpicos estão ao rubro. E eu estou uma pilha de nervos. Todos os dias os "media" nos fazem crer que vamos ganhar uma medalha.Depois lá vem a puta da realidade. Por causa de desconcentração, de umas folhas que estão no sítio errado, de um azar mesmo azarado, somos ultrapassados mesmo quase no limite. E lá vem o 4º, o 5º ou o 6º, os primeiros dos últimos, nas melhores hipóteses. Pronto, não foi medalha mas foi quase. É a nossa sina.

As coisas acontecem como têm que acontecer. Os outros ganham porque são melhores. Ponto. Somos um pequeno país, onde o desporto amador ou dito amador, é um parente pobre do tio rico que é o futebol. Não se conhece um plano de desporto nacional integrado. As escolas vão fazendo um arremedo de desporto escolar, com a carolice de alguns professores. Esse trabalho, insuficiente, normalmente não tem seguimento. Os clubes locais não têm condições nem meios para fazer um trabalho de base. Os grandes clubes investem tudo no futebol. Os adeptos borrifam-se para tudo o que não seja pontapé no esférico.E depois querem medalhas? Tomem!

Os nossos atletas fazem o melhor que podem e sabem. E com os apoios de que dispõem fazem muito. Para fazer um atleta de grande gabarito é preciso aumentar a captação e depois trabalho duro e orientado por formadores competentes. É necessário mentalizar os nossos jovens, desviando-lhes o foco exclusivo para o futebol. Fazer ver que muitos podem ter apetências, que nunca terão para o desporto rei. A Secretaria do Desporto em coordenação com escolas e colectividades, devia elaborar um plano de formação desportiva e dar-lhes apoio efectivo.

Enquanto o nosso desporto extra-futebol continuar a viver de fogachos, de voluntarismos pessoais, nunca passará da cepa torta. E se hoje já podemos usar o "quase" em relação a algumas modalidades, é porque nessas áreas, se está fazer algum trabalho de fundo, com muitos sacrifícios. Uma coisa é certa:  não somos inferiores aos outros. Provam-no os resultados no futebol, onde se investe e se trabalha a sério. E isso serve-me de consolação. Mas não chega. Não quero ser campeão do quase.

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Trancas à porta

por Naçao Valente, em 14.08.16

Para além dos jogos olímpicos o grande assunto do início deste Agosto quente é a praga dos incêndios. As chamas a consumir bens rivalizaram com os jogos, enquanto espectáculo televisivo. É pena que neste meio de comunicação não se consiga distinguir notícia de reality show.

Os incêndios florestais são um acontecimento praticamente inevitável, na sua totalidade, quando as condições atmosféricas assim o permitem. Daí que verão após verão regressam com mais ou menos agressividade de acordo com as circunstâncias físicas e humanas. Está provado que para além da negligência, os fogos são iniciados por mão criminosa.

E com as chamas regressa todos os anos a nova velha discussão. O que está a falhar: a prevenção ou o combate ao incêndio? E ouvem-se recorrentemente sempre os mesmos argumentos: que é da falta de ordenamento florestal, que é da falta de vigilância e de prevenção, que é da falta de meios. Talvez seja um pouco de tudo. Estudos e mais estudos. Passa a estação de risco e cai um silêncio de chumbo sobre o assunto, até que a tragédia regresse.

Trancas à porta depois da casa arrombada é a máxima que se aplica ao problema. É necessário inverter o procedimento.É preciso pôr as trancas antes do assalto. O diagnóstico está feito. É hora de passar à terapêutica. Passado à época propícia aos fogos não se pode voltar a dormir a sono solto. Tomar medidas para reordenar a floresta é fundamental. Criar estruturas para prevenir é prioritário. Não se pode evitar completamente o fenómeno, mas pode-se minimizar e muito.

Mais discussões estéreis, mais passa culpas, procurando tirar dividendos políticos, é condenável. Acção e unidade nacional na resolução desta calamidade é um acto patriótico.

 

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Romeu e Julieta happy end, epílogo

por Naçao Valente, em 11.08.16

Romeu contrata uma profissional do sexo para o iniciar sexualmente. O inspector Shakespeare aproveita para lhe montar uma armadilha. Vai enviar-lhe a agente Julieta no papel de prostituta.

 

Epílogo

 

Shakespeare resume o plano que Julieta tem de executar: às vinte e três horas apresenta-se como a prostituta contratada. Diz a senha combinada. Vou colocar-lhe uma discreta pulseira com um transmissor para nos contactar. Estamos no lado de fora. Reproduzimos a chave do apartamento e entramos de imediato quando nos chamar.

Quem é ? perguntou Romeu . À noite todos os gatos são pardos, respondeu Julieta. Romeu abriu a porta: segue-me. A agente estagiária seguiu-o por uma sala obscurecida. No quarto perguntou: porque estão as luzes apagadas? Contratei-te para me dares umas lições de sexo. Sou um pessoa conhecida e prestigiada e não quero ser reconhecido. Acontece que me apaixonei por uma bela dama que ainda não o sabe. Consultei uma cartomante e um astrólogo que me garantiram que serei correspondido, mas que tenho de mostrar proficiência. Deixa-te de tretas Romeu, eu também faço o meu trabalho com profissionalismo e gosto de ver o que faço. Acende a luz, sei ser discreta. Quem te disse o meu nome? Ninguém me disse. Basta-me ouvir o te discurso. Ok…Vou acender a luz.

Romeu viu então uma figura alta, com a silhueta disfarçada por um casaco comprido. A suposta prostituta virou-lhe as costa e foi-se libertando lentamente da peça de vestuário exterior. Por debaixo vestia uma t-shirt ousada e uns calções curtos. Virou-se sem pressa. Romeu embatucou. Julieta de olhos semicerrados desinibiu-se no seu papel: perdeste o pio? Eu não acredito-balbuciou-és a mulher que me tira o sono …e prostituta. Julieta observou o corpo de Romeu seminu e deu uma sonora gargalhada: mas és o tipo que me costuma comer com o olhar. Sou. Afinal já reparaste em mim? Reparei. E digo-te mais, eu não acredito em cartomantes mas que acertam, acertam. Como assim? Em cada dia que passava junto à loja para o meu trabalho me interrogava: será hoje que este pasmado se declara? Caramba, foi preciso o inspector Shakespeare suspeitar que és um assassino para desencalhares da fase do galanço. Raio! O amor se tem mesmo que acontecer salta todas as barreiras e ironia das ironias, regra geral, os namoros acabam na cama, este é onde começa. Sou Julieta Queiroz da polícia Judiciária em serviço de investigação e que investigação...

Romeu e Julieta cruzaram olhares ternurentos e entrelaçaram as mãos. A intensidade do gesto despoletou o alarme. Quieto ,disse o agente Damião de arma apontada ao peito nu de Romeu. Shakespeare aproximou-se: bom trabalho doutora. Apanhamos o bandido? Bandido? que bandido?, respondeu Julieta. Este é apenas o meu bandido. Mas o alarme, tocou . Foi falso alarme inspector. Isto é uma longa história. Está tudo sobre controle. Pode sair descansado. Deixe-me acabar o meu trabalho.

Happy end

 

Advertência: no cumprimento dos princípios da moral judaico-cristã esta história acaba aqui. Obrigado

 

Pós epílogo

O agente Damião arrastou suavemente o inspector para a rua. Pela primeira vez viu-o perder a compostura e desafivelar a máscara de policial. Lágrimas corriam-lhe pela face. Não se sente bem chefe? Aconteceu uma desgraça Damião. Vou fazer-lhe uma confidência. Na juventude tive uma relação com uma moça de boas famílias. Preconceitos de classe não nos deixaram ser felizes. Desse amor nasceu uma criança. A moça casou com um rico comerciante e sumiu com o filho. Hoje voltei a vê-lo. Reconheci-o por um sinal inconfundível no ombro. É o Romeu. Porra inspector, como o compreendo. Isto até parece uma novela mexicana. Não parece é, Damião, porque o mais trágico é que Julieta também é minha filha! Passou-se dos carretos doutor Shakespeare? Antes me tivesse passado. Para matar o meu desgosto de amor envolvi-me com uma corista do Parque Mayer. Essa relação foi passageira e dela só sobrou Julieta. Nunca assumi a paternidade mas sempre a acompanhei, incógnito. Fiquei feliz quando veio para a polícia. Da mãe herdou a beleza e tem os meus genes de investigadora. Sou mesmo um biltre. Criei as personagens e perdi-lhes o controle. Acalme-se inspector, é a vida. A vida meu amigo Damião é uma ficção escrita pelo destino. Umas vezes escreve tragédias, outras escreve comédias. Não sei qual preferir.

Deixe para lá inspector. O que tem que ser é. São jovens, estão felizes, o que quer fazer? Os tempos mudaram Shakespeare. Os criadores já não controlam as personagens que criam. Olhe, vamos até à casa da Mariquinhas, comer um galo capão de cabidela para matar a dor e beber um alvarinho para afogar as mágoas. A seguir logo se vê...

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