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A rapariguinha da livraria

por Naçao Valente, em 31.01.17

Para o leitor compulsivo entrar numa livraria é como para o crente religioso entrar na sua igreja. Com respeito e devoção. Percorre os altares, no caso prateleiras, Presta veneração aos santos, ou seja aos livros e aprecia os milagres que fazem na mente dos fiéis, os seus leitores. De quando em vez, arranca um livro à pasmaceira do seu dia-a-dia e consulta-o, porque o livro gosta de ser folheado e de partilhar com o leitor a sua intimidade. Acredito que livro sem leitor vive triste e aborrecido.
Depois da minha visita às estantes e de tirar do seu sono um ou outro exemplar, faço a minha opção, vejo se nos sentimos bem um com o outro e dirijo-me ao altar, digo caixa, para concretizarmos a relação, sempre por intermédio de um sacerdote ou sacerdotisa, a quem pago os respectivos emolumentos. Mas hoje, antes de me decidir, assolou-me o espírito uma dúvida que precisei de esclarecer. Dirigi-me à menina da caixa, que verdade seja dita, estava a concluir um contrato com outro cliente, Mas a minha questão era simples, coisa de sim ou não e arrisquei perguntar, infringindo a cerimónia em curso. A rapariguinha olhou-me de soslaio e disse: -“aguarde, pois estou a atender este senhor”.
Amochei. Que mais podia fazer. Eu sou prático e não gosto de complicar. Eu não, mas o meu outro eu, um pouco mais rebelde, e que vive escondido dentro de mim, logo começou a especular.


-Mas porque carga de água esta pitonisa de tranças pretas, não me diz sim ou não, obrigando-me a ficar a secar sem necessidade? Vendo as coisa pelo prisma que me é favorável, digo que se calhar engraçou com os meus lindos olhos e que me quer-me manter aqui em observação. Mas vendo as coisas do avesso, como numa pirâmide invertida, pode querer castigar-me por ousar interrompê-la no seu mister. Até me imaginei a captar o seu pensamento:-“aguente aí ó cota atrevido. Já tem idade para aprender a respeitar as precedências e a esperar pela sua vez".

.
Passado algum tempo o tal que vive escondido atrás das aparências, deu de frosque e foi refugiar-se nas páginas de um livro que, ao menos, esse nunca contesta. Quem o acolheu foi o escritor Mário Vargas Llosa, que aprecio na arte de bem pensar e melhor dizer. Estava ali um exemplar, meio oferecido, a fazer-me olhinhos, por acaso, o primeiro do autor e que ainda não li. E diz-se, na galeria dos lugares comuns, que não há amor como o primeiro, nem luar como o de Janeiro. Mas isso não sei porque, mês acabado, não lhe pus a vista em cima.
Quem me pôs a vista em cima, ou melhor os “olharápios” pintados de azul celeste, lindos, foi a rapariguinha da caixa, que se aproximou sorrateira. –Peço desculpa. O que desejava? Que óptimo livro que está a observar, que grande escritor, adoro”! Pois, balbuciei, para logo ser interrompido pelo eu clandestino


_o que tu queres, ó serigaita, sei eu, ou por outro lado penso que sei, o que não sendo idêntico vai dar ao mesmo. Vens-me agora com a tanga da conversa fiada, armada em gata , à espera que lhe façam festas que lhe ericem o pelo”.


-Pois, senhorita tem muito bom gosto, consegui dizer antes do intrometido me embaraçar, de novo, o discurso de conveniência.


“ Bom gosto? O que ela tem é um bom corpinho, nem muito gordo, nem muito magro, nem muito alto nem muito baixo. Na conta. Deixa-te mas é de literatices, ó palerma, afina o paleio e vê se a convidas para tomar um “shope”. Há tontas que se deixam levar por umas larachas. Aproveita. Não tens a vida toda.


-Então, mas qual era a dúvida? Insistiu a rapariguinha. –Nada, respondi, já está esclarecida. Vou levar este livro. Interessa-me. Tenho um fraquinho por este escritor, no que diz respeito à sua escrita, bem entendido.


“E também começo a ter um fraquinho pela senhorita, assim como uma chama que começa a crescer, a crescer” acrescentou o eu alternativo.


O que vale é que o bisbilhoteiro, só tem meios de pensamento, mas não tem formas de expressão, senão estava o caldo entornado. Paguei. Saí na companhia dos “Cachorros” . A rapariguinha da livraria, com os seus olhos de mar, o seu corpo de sereia, o seu peito de onda de surf, ficou na livraria com o meu eu escondido. O que se passou depois não sei. O que sei é que fiz o meu papel de cronista do
cota-diano.

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Verdi, uma mensagem musical para a eternidade

por Naçao Valente, em 27.01.17

Giuseppe Fortunino Francesco Verdi (Roncole, nasceu em 10 de outubro de 1813 e faleceu em  27 de janeiro de 1901. Foi um simbolo do nacionalismo na Itália e grande compositor de óperas  no período romântico italiano. Deixou de viver fisicamente há 116 anos, mas continua a viver na sua música. As suas obras continuam presentes nos teatros de ópera. Alguns dos seus tema transcendem o mundo da música clássica e estão enraizados na cultura popular. Aqui recordamos o Coro dos Escravos Hebreus.

 

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Construtores de muros

por Naçao Valente, em 22.01.17

Trump foi eleito como presidente dos Estados Unidos, contra todas as perspectivas e previsões. As razões desta eleição imprevisível têm sido abundantemente dissecadas. De todas as justificações uma conclusão se pode tirar: o candidato Trump conseguiu cavalgar o descontentamento de eleitores, desiludidos com aquilo que se chama globalização, apimentando-o com uma campanha populista e cheia de demagogia. Acrescem manobras obscuras de acordo com suspeitas levantadas por serviços de informação. Seja como for, a história faculta-nos exemplos de eleição de cidadãos sem competência para tão altas funções. Lembro o caso paradigmático da eleição de Hitler, que se aproveitou da irracionalidade dos votantes, num período de grande instabilidade.

É por demais evidente que Trump não tem qualificações para estar à frente do país mais poderoso do mundo. Daí que dentro e fora de portas esteja a gerar grande perplexidade. Sabe-se que está limitado pela Constituição e pelos órgãos parlamentares, mas olhando para as atitudes da personagem e pela equipa que o acompanha, as nuvens escuras continuam no horizonte.Mas pode Trump construir os muros que promete que, também como a história nos mostra, acabarão por ser derrubados. Trump, na sua ignorância, pode isolar-se na sua torre de marfim e causar perturbação e sofrimento, mas o mundo global que começou a construir-se com a expansão portuguesa, é irreversível. Como outros construtores de muros, Trump passará e o mundo continuará livre. O que é perturbável é que depois de tantos muros construídos e derrubados, ainda haja quem não tenha aprendido a lição e continue a acreditar na conversa fiada dos populismos.  

 

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É sexta feira

por Naçao Valente, em 13.01.17

Tantos anos a dar cabo da cahimónia
para ser estagiário de seiscentos  patacos
ou privilegiado do salário mínimo da parvónia
que nem dá para comprar sapatos
Esfalfei-me para tirar o curso de Bolonha
fiz  na boa o velho Erasmus
com tanto empenho e nem fiz ronha
As gajas não ligam, mas que treta
que interessa ser bonito sem ter cheta

É sexta feira
andei a semana toda
teso e sem nenhum pilim
quero dar uma...
pimpimpim

Andam ai os figurões da alta roda
a dar cabo desta merda toda
e não há quem os ponha na alheta
e acabe de vez com esta treta
Tratam a banca com os joelhos
até nos rapam os pintelhos
e nós nunca lhes damos tampa
e ainda vamos levar com a "trumpa"

É sexta feira
tive uma semana chata
nem vi sombra de uma rata
nem o euromilhões me sai
aiaiaiai

Até pensei em emigrar para outros horizontes
mas na Europa está tudo louco
os jovens já contam pouco
e cortam-nos todas as pontes
Alguns  só pensam em brexitar
outros querem muito mais poder
e porque hoje é sexta-feira
digo que se vão fod.

 

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O úlltimo Paraíso

por Naçao Valente, em 27.12.16

neteye.com.br
 
O Butão é um pequeno país situado a dois mil metros de altitude entre a China e a Índia. Ali vivem cerca de sentecentas mil pessoas, num recanto perdido do planeta, que teima em ficar fora da globalização e da ditadura dos seus omnipresentes mercados. Na capital do Butão as ruas são limpas, tranquilas e despoluídas. Com uma política de desenvolvimento controlado, evita-se a exploração massiva dos recursos naturais e preservam-se as suas montanhas da destruição alpinista. É contribuinte líquido para a pegada ecológica.
 
O Butão encontra-se em oitavo lugar no índice FNB(Felicidade Nacional Bruta). Entre outros indicadores encontram-se a educação e a saúde gratuitas. País essencialmente agrícola, privilegia o bem estar colectivo em detrimento do trabalho sem regras e do consumo como felicidade. Mas não existe pobreza no Butão? Existe como em todos os países desenvolvidos. A diferença é que aqui procura-se diminuí-la pela via de uma repartição mais equitativa da riqueza, dentro do princípio do equilibrio entre valores materiais e espirituais.
 
Em época natalícia, considerada de paz e solidariedade, vem a talhe de foice lembrar um conceito de vida que está nos antípodas das valores dominantes nas sociedades do liberalismo capitalista  - a corrida atrás de uma ilusão de felicidade para parte nenhuma. Ali naquele canto perdido dos Himalaias reside o verdadeiro Shangri-la. Ali está, talvez, o último reduto onde o espírito do autêntico Natal ainda existe.
 
MG 

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Nasceu um menino

por Naçao Valente, em 25.12.16

Nasceu um menino
como  anunciado
sem maternidade
sem berço dourado,
numa manjedoura
se encontra deitado,
por reis adorado
por reis odiado.
Do homem nascido
na mulher gerado
com dor foi parido
 em palhas deitado,
José, o protege
o louva Maria,
a estrela cadente
dança de alegria.
Destino traçado
pregado na cruz
mas não derrotado
seu nome é Jesus,
nascido em Belém
para ser louvado
para sempre, amém
e trazer a esperança
ao ano que vem.

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Carta ao menino Jesus

por Naçao Valente, em 25.12.16

Ó meu menino Jesus
nas palhas adormecido
acorda por um momento
que este mundo está...lixado
 
Meu amado menino,
 
Vais fazer dois mil e catorze anos. Que linda idade. E continuas sempre menino. A noite de 24 de Dezembro comemora o teu nascimento, apenas o teu nascimento. Contudo, os homens associaram a esta data uma outra figura a que chamaram Pai Natal e que te tem roubado protagonismo. Mas tu com a tua humildade não te importas. Para mim serás sempre o aniversariante. Era assim na minha infância e assim continua a ser. Era com enorme alegria que nessa noite punha o meu sapatinho na chaminé e ia dormir ansioso pela tua visita. Nunca me desiludiste. Ao acordar havia sempre uma prendinha. Modesta, certamente, mas era o que podias dar. Compreendia a dificuldade em satisfazeres tanta solicitação. Como compreendia que não conseguisses responder a todos os pedidos. Tanto mais que havia criança que nem sapato tinha no pé, quanto mais na chaminé. Havia e há. Não é culpa tua os homens não seguirem o teu exemplo.
 
Agora já não ponho o sapatinho na chaminé. Isso é fantasia de menino que já não sou. Mesmo aqueles que o são já nada te pedem. Entregam a sua lista de prendas ao dito pai Natal e esperam junto de um simulacro de pinheiro, carregado de bugiganga, que ele lá as deixe. Muitos certamente não te conhecem. Não tardará tempo em que tudo se passará na Net. Sinal dos tempos. Deixa lá, ficas mais liberto para outras tarefas. É por isso e em honra da nossa velha amizade e da minha fidelidade que ouso pedir-te um pouco de atenção.
 
Não te vou pedir aquelas coisas vulgares e repetitivas: paz, amor, felicidade etc. Seria interferir no livre arbítrio que generosamente deste à humanidade. É certo que alguns confundiram-no com lixar o próximo. A ideia de "amai-vos uns aos outros" foi submergida pelo egoísmo que pauta a natureza humana. Haverá excepções, mas o que interessa é a regra. O que te peço neste mundo onde nem todos têm sapatinho é que faças o milagre de iluminar aqueles que te representam. Que não se limitem a repetir rituais seculares. Que retomem a tua mensagem de menino em palhas deitado. Que denunciem as injustiças sociais. Que critiquem os poderosos e a sua luxúria. Que se escandalizem com a pobreza no meio da abundância. Que não bajulem o cinismo de políticos demagógicos. Que sejam uma voz de esperança para uma vida digna de todos, sem excepção. Dois mil anos depois é tempo do reino dos céus descer à terra. Pela nossa amizade e pela nossa confiança volto a colocar o meu sapatinho na chaminé.
MG
 
BOAS FESTAS
 
 
 

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Fidel

por Naçao Valente, em 26.11.16

Fidel de Castro já é uma lenda. Derrubou uma ditadura e sobre as suas cinzas instituiu outra, mas não tinha alternativa. No contexto em que decorreu a revolução cubana, a sua sobrevivência estava dependente de um poder fortemente centralizado. A hostilidade do poderoso vizinho americano contribuiu para reforçar esse poder, e ironicamente para a sua manutenção. O embargo dos Estados Unidos colocou Fidel na órbitra da União Soviética e com o seu apoio garantiu a consolidação do regime.Fidel conseguiu libertar-se da influência do imperialismo norte americano e nesse sentido serviu como modelo para outros países da américa latina. Mas no tabuleiro da geo-política, no período da guerra fria, ficou isolado como um mau exemplo.

O regime cubano, não pode ser analisado na perspectiva dicotómica de ser uma terrível e desumana ditadura ou de  um imaculado regime comunista, que trouxe a igualdade e o bem estar social. Foi o que pôde ser nas circunstâncias em que se desenvolveu. Com os limitados recursos existentes, conseguiu instituir um sistema de saúde e de ensino avançados, e ao serviço da população.Não é coisa pouca. É verdade que continuaram a verificar-se elevados níveis de pobreza. Mas poderia ser de outra maneira num pequeno país isolado internacionalmente? E era melhor nos tempos de Fulgêncio Batista? E tinham melhores condições de vida os povos de outros países latinos, mesmo onde existia democracia?

Fidel ficará na História como um líder carismático, e como o homem que ousou desafiar a grande América, e que continuou como um espinho cravado na sua hegemonia ocidental. O comunismo cubano evoluirá como outros regimes similares para uma progressiva abertura política. Cuba foi governada com mão de ferro por Fidel. Partiu o homem, mas a sua memória perdurará.

 

 

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Aniversário

por Naçao Valente, em 17.11.16

por Naçao Valente, em 17.11.11

No TEMPO em que festejavam o dia dos meus anos,
Eu era feliz e ninguém estava morto.
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos,
E a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religião qualquer.
 
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
 
A noite era escura e tinha estrelas abraçadas pela lua,
Os pássaros voavam em bandos por cima dos trigais,
Espantando os insectos parasitas.
Os galos cantavam sempre de madrugada anunciando o sol
Que amadurecia as searas,
No Tempo em que festejavam o dia dos meus anos.
 
Corria pelos campos enlameados pela brisa matinal,
Mergulhava livre nos pegos  enxameados de cardumes ,
Corria atrás da bola de farrapos em relvados de terra escura
E pontapeava a vida com candura.
Eu era feliz e ninguém estava morto
 
Aprendia nos longos serões
A vida vivida e a esperança do devir de ser alguém,
Aprendia na cartilha maternal o passado reflectido no presente
Para ser homem português e cidadão,
Porque
Na casa antiga, até eu fazer anos era uma tradição de há séculos
 
Nas feiras de tendinhas animadas por ousados carrosséis,
Nos bailes de concertinas afinadas em concertos de desafinação,
Arrastavam-se pesados pés em ladrilhos poeirentos de ilusão,
Sapatos de homem beijando os de mulher.
Crescia mais um palmo em cada dia,
E a alegria de todos e a minha estava certa como uma religião qualquer

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A natureza do escorpião

por Naçao Valente, em 09.11.16

Bruno de Carvalho foi eleito pelos sócios/votantes Presidente do Sporting Clube de Portugal, na minha opinião mal. Os que exerceram o direito de voto elegeram sobretudo um chefe de claque. Beneficiando de uma situação de grande instabilidade, provocada pelas presidências de Bettencourt, um erro de “casting”, e de Godinho Lopes, com erros de palmatória para ganhar títulos a curto prazo, conseguiu chegar à presidência com um programa populista. Apesar de algumas medidas pontuais positivas, não mostrou ter estofo para dirigir uma instituição com mais de cem de história gloriosa. Sem um projecto de médio e longo prazo foi navegando à vista e um pouco ao sabor dos ventos, procurando resolver com base em expedientes, atitudes de chico-espertismo e de constante guerrilha, as situações que foi enfrentando. Como os seus antecessores cometeu erros de palmatória, disfarçados com a melhoria dos resultados da principal equipa de futebol.
A sua inexperiência e falta de bom senso, foram utilizadas para justificar um chorrilho de atitudes controversas, que não o dignificam, nem honram a instituição que dirige. É característica do ser humano aprender com os erros, mas pelo seu comportamento recorrente é de concluir que Bruno de Carvalho não a possui. Depois de alguma moderação, só o facto de pensar que pode ter oposição na sua caminhada para a reeleição, o fez soltar todos os demónios reprimidos. Voltou o discurso contra prováveis adversários (como ousam?) que lhe podem complicar a quase certeza de se consolidar como presidente vitalício. E agora já não são apenas os croquetes, pois são também os ratos e os abutres, sportinguistas, mas do reino animal inferior.
Esta tendência do presidente Bruno para destilar veneno contra quem não o venera, leva a admitir que deve ter a natureza do escorpião. É sobejamente conhecida a história do escorpião que pediu a um sapo para o ajudar a passar um rio. Perante a recusa do mesmo em executar a tarefa, com receio que este lhe picasse, argumentou que isso era impossível, porque se o fizesse também se afogava. Convencido o sapo, levou o escorpião e quando estavam no meio da travessia este picou-lhe, indo os dois para o fundo do rio. Conclusão: ninguém foge à sua natureza.
O episódio ocorrido no fim do jogo com o Arouca é mais uma achega para a comprovação desta natureza suicidária. Quem nasceu para picar vai continuar a fazê-lo, mais ainda se estiver acossado. Para esta tese pouco interessa quem começou ou não as referidas hostilidades. O que elas demonstram é que o Presidente não consegue viver sem estar a demonstrar a sua agressividade. Onde houver sarilhos lá estará. Se assim não fosse, que necessidade é que o presidente do grande SCP tinha de estar a envolver-se em situações pequeninas e de baixo nível?
Enquanto adepto, seja qual for o meu estatuto, na terminologia bruniana, não me revejo nestas atitudes. Até porque elas não contribuem para a grandeza do Sporting, que ao carregar Bruno está sujeito a ser afundado. O que me preocupa é que não haja no universo sportinguista, qualquer movimento visível de gente com credibilidade, para parar esta deriva degradante. Será que estão todos tomados pelo medo da picada do escorpião?

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